4º Domingo do Advento – Ano B – HOMILIA
Evangelho: Lucas 1,26-38
Para ouvir a narração deste Evangelho, clique sobre a imagem abaixo:
Teólogo espanhol
Deus se Faz Presente nos Humildes
O local: aquilo que se conta aqui, tão transcendental para a humanidade, ocorre na Galileia, a região dos que, em Israel, eram considerados ignorantes, impuros, com os quais não se podia relacionar-se. O desprezo dos antigos pelos galileus era tão forte, que, no ano 362, o imperador Juliano escreveu uma carta ao governador do Eufrates, Artabio, na qual mencionava «a estupidez dos galileus». Era famoso o dito do rabino Yochanan ben Zakkai [época do Segundo Templo]: «Galileia, Galileia, tu odeias a Torá».
Pois bem, em um povoado perdido, de um tal lugar, Deus se faz presente. É o estilo de Deus que se revela em Jesus. Assim são os hábitos do Deus de Jesus.
A pessoa: central no relato é Maria, uma mulher desconhecida e humilde, da qual se diz que era «virgem», uma palavra que, no judaísmo daquele tempo, designava uma menina, a partir de sua puberdade até sua primeira relação sexual. O relato de Lucas quer destacar que o fato prodigioso, que aconteceu em Maria, é muito mais importante que aquele de sua parente Isabel.
O texto não fala da virgindade biológica de Maria, mas de sua fidelidade total a Deus. O Magistério da Igreja pregou sempre a virgindade biológica de Maria. Porém, uma virgindade assim, a pode ter uma mulher a qual se fez uma inseminação artificial e, em seguida, se lhe realizou uma cesariana. Essa mulher seria «mãe» e «virgem», segundo Karl Rahner [1904-1984: teólogo jesuíta alemão, um dos mais influentes do século XX]. É evidente que a virgindade de Maria refere-se a uma qualidade superior que Deus lhe concedeu, ao ser a mãe de Jesus.
A mensagem: de Maria nascerá o Messias que Israel esperava. E muito mais do que esperava. Este texto do evangelho de hoje foi escrito quando já se tinha consciência do que disse São Paulo em Rm 1,3-4: o filho de Davi foi constituído, «por sua ressurreição», Senhor e Filho de Deus. Ainda que Lucas não conhecesse este texto de Paulo, o que diz o texto era já conhecido na Igreja.
Comentário pessoal (Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo):
Quando o anjo Gabriel, o enviado de Deus, portanto, o
próprio Deus, saúda Maria, ele lhe diz: «Alegra-te,
cheia de graça, o Senhor está contigo!» (Lc
1,28b). Mais adiante, complementa: «Não tenhas medo, Maria, porque encontraste
graça diante de Deus» (Lc 1,30b). O substantivo
«graça», que se repete, em grego χάρις (cháris), bem como, o
verbo χαίρω (chairó), que significa «alegrar-se» refletem o amor, a
paixão de Deus por Maria e, nela, por toda a humanidade! Por amar tanto aos
seres humanos, Deus encarna-se, entrega-se, serve a
humanidade, especialmente e preferencialmente, nos mais pobres, nos pequenos,
nos humildes. A humilde Maria está no lugar de todos os humildes, pequenos e
empobrecidos do mundo, aos quais Deus ama, pelos quais Ele é apaixonado!
Para encontrarmo-nos com Deus, precisamos encontrar-nos com os pobres, com os pequenos, com os humildes! Sem que isso aconteça, estaremos sempre distantes d’Ele! Isso é Natal! Deus encontrando-se com a humanidade e a humanidade encontrando-se com Ele, na pessoa dos mais desvalidos e desprezados do mundo!
Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 446-447.
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