Que haja luz
Judeus e Cristãos unidos pelo Natal e Chanuká
Luiz Kignel
Presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo
Chanuká
e Natal surgem como inspiração para um basta ao radicalismo
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Família judia celebrando a Festa das Luzes, em hebraico, Chanuká |
No final da tarde desta
quinta-feira (10 de dezembro), dia
25 do mês de Kislev do calendário hebraico, por razões distintas, os lares
judaicos serão iluminados em lembrança a Chanuká, a nossa Festa das Luzes, que comemora a milagrosa vitória
dos judeus contra os opressores gregos que, no ano 168 antes da era cristã,
invadiram o sagrado Segundo Templo de Jerusalém.
As diferenças entre as
duas religiões não afastam o seu salutar convívio. Há muito o que somar unindo as crenças
judaico-cristã, especialmente na retrospectiva de 2020, um ano recheado de
desafios diários ante a provação que (ainda) passamos. A Covid-19 foi uma
impulsionadora de extremos, deixando também sua marca nas eleições municipais. Certamente
2020 será definido como o ano dos conflitos. Afinal, onde não houve
enfrentamento?
Opondo-se à intransigência
dos extremos, que na esfera política poderia nos ter arrastado a uma escuridão
sem fim, as luzes de Chanuká e do Natal surgem como uma inspiração
para darmos um basta ao radicalismo. Como esquecer os conflitos instaurados
e virar a página para 2021, que já se aproxima?
Embora a memória seja algo
muito apreciado, aprendemos nos livros sagrados do judaísmo que esquecer
também pode ser uma bênção. Que seria impossível ao ser humano seguir
vivendo se não lhe fosse dada a possibilidade de apagar certas experiências.
Essa memória seletiva pode soar estranha na medida em que nos permitirá
esquecer os erros (voluntários ou não) e tornar os acertos a única realidade
registrada. Mas essa é a leitura equivocada. Porque, ao contrário do leitor
apressado, esquecer não se refere propriamente aos nossos erros, mas sim aos
erros dos outros.
Ao final desta tortuosa
disputa eleitoral, no julgamento de nossos semelhantes,...
... será necessário substituir o rigor pela tolerância e a crítica negativa pelo ensinamento construtivo.
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LUIZ KIGNEL |
Neste mês de dezembro as velas
de Chanuká e as luzes de Natal estão sendo acesas, trazendo
consigo uma mensagem da paz. Mas, acima de tudo, estão aí para nos lembrar
e alertar que temos muito trabalho a fazer. E o rancor é um luxo que não
podemos nos dar.
Como está escrito no início
do livro de Gênesis, “que haja luz”, porque precisaremos dela mais do
que nunca.
Chanuká Sameach, Feliz Natal.
Fonte: Folha de S. Paulo – Tendências / Debates – Quinta-feira, 10 de dezembro de 2020 – Pág. A3 – Internet: clique aqui (acesso em: 10/12/2020).
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