3º Domingo do Advento – Ano B – HOMILIA

 Evangelho: João 1,6-8.19-28 

Para ouvir a narração deste Evangelho, clique sobre a imagem abaixo: 

José María Castillo

Teólogo espanhol 

Autoridade da Vida e do Exemplo

Aqui fica claro que o ensinamento e o testemunho de João não coincidiam com o que ensinavam e queriam os dirigentes religiosos. Leve-se em conta que, no evangelho de João, a expressão “os judeus” designa (menos em 4,9.22 e 18,33.35.39; cf. 19,3.19.21) os homens que se identificavam totalmente com a religião, sobretudo os seus dirigentes religiosos (2,18; 5,10.16.18; 9,22; 11,47; 19,7.12) e especialmente as autoridades supremas do Templo (8,31; 11,19; 12,11).

Por isso, João dispara o alarme nos “judeus”, os quais mandam sacerdotes, levitas e fariseus para interrogar o Batista. Queriam saber quem era aquele estranho pregador que anunciava uma nova luz, na outra margem do rio Jordão, fora da cidade santa, o território da religião oficial, que não tolera que se anuncie uma luz à margem da instituição.

O que interessava aos dirigentes religiosos é qual título ou qual cargo tinha João para pregar e batizar. Os títulos e os cargos denotam poder. O poder é o que provoca obsessão nos sacerdotes. Porém, João não aceitou nem título nem cargos. João era um “joão-ninguém”. Sua autoridade era sua vida, seu exemplo, sua liberdade de tudo e em tudo. É somente uma voz que grita no deserto. Não se trata de humildade.

A chave está em que somente a partir do despojamento de toda pretensão pode alguém ser testemunha autorizada da Luz, que é o Senhor.

João foi uma voz, ouvida e acolhida por alguns, “os publicanos e as prostitutas” (Mt 21,32), e rejeitada por outros, os “sacerdotes e anciãos do povo” (Mt 21,23). Os “zé-ninguém” escutam e acolhem a voz do Senhor. Os “titulados” a rejeitam.

O Evangelho transtorna as nossas seguranças. Jesus foi tão audaz que chegou a dizer aos supremos dirigentes religiosos que os publicanos e as prostitutas entram antes deles no Reino de Deus [cf. Mt 21,31]. 

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo. 

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: Comentario al evangelio diario – 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 438-439.

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