Ouçamos o Papa
Em seu discurso à Cúria Romana, por ocasião do Natal, Papa Francisco cita dom Hélder Câmara
Redação
Morto
em 1999, arcebispo de Olinda e Recife foi acusado de comunista e perseguido
pelos militares durante a ditadura
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PAPA FRANCISCO discursa durante a Audiência da Quarta-Feira, no Vaticano, dia 23 de dezembro de 2020 - Foto: Vatican Media |
Em uma de suas frases
famosas, dom Hélder disse:
«Quando
dou comida aos pobres, me chamam de santo; quando pergunto por que eles são
pobres, chamam-me de comunista».
«Me vem à mente o que dizia aquele santo bispo brasileiro», falou Francisco na segunda-feira (21 de dezembro), antes de citar o trecho do religioso cearense, morto em 1999, e cujo nome está em processo de canonização desde fevereiro de 2015.
Tornado arcebispo de Olinda e Recife em 1964, dom Hélder era fortemente envolvido com causas sociais e foi um contraponto à ditadura militar.
Incentivou e fortaleceu as Comunidades Eclesiais de Base [CEB’s] e foi alçado ao posto de resistência ao regime. Passou a ser visto como líder na defesa dos direitos humanos. Foi acusado de comunista, chamado de «arcebispo vermelho» e perseguido pelos militares, sobretudo depois do Ato Institucional nº 5, que inaugurou o período de maior repressão da ditadura militar.
Décimo primeiro filho de um jornalista e de uma professora primária, dom Hélder foi ordenado padre aos 22 anos e ainda jovem se envolveu com causas sociais. Coordenou os círculos operários cristãos e liderou a Juventude Operária Católica. Fundou, em 1933, a Sindicalização Operária Feminina, que lutava por direitos de empregadas domésticas e lavadeiras.
Durante a Segunda Guerra Mundial, fundou a Comissão Católica Nacional de Imigração e trabalhou para acolher refugiados que chegavam ao país.
Tornou-se bispo aos 43 anos, em 1952. No mesmo ano, conseguiu a aprovação do Vaticano para criar a Conferência Nacional do Bispos do Brasil, a CNBB.
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DOM HÉLDER PESSOA CÂMARA (1909-1999) |
A partir de então passou a se dedicar a causas como a Cruzada São Sebastião, que resultou em conjuntos habitacionais para moradores de favelas, e o Banco da Providência, para atender aos sem renda.
Foi um dos proponentes do Pacto das Catacumbas, em que 42 religiosos [bispos, agentes de pastoral e teólogos] se comprometeram a assumir atitudes com o objetivo de reduzir a pobreza global. O documento é considerado o embrião da Teologia da Libertação, corrente cristã que determina assumir «a opção preferencial pelos pobres».
Na mensagem de Natal de 2020, o Papa Francisco disse ainda que a «pandemia é uma ocasião propícia para uma breve reflexão sobre o significado da crise em si mesma».
«A crise é um fenômeno que afeta a tudo e a todos. Presente por todo lado em cada período da história, envolve as ideologias, a política, a economia, a técnica, a ecologia, a religião. Trata-se de uma etapa obrigatória da história pessoal e social.»
Segundo ele, pode ser também um momento de transformação. «A crise é aquele crivo que limpa o grão de trigo depois da ceifa», disse Francisco.
Vale a pena ler e refletir sobre o «Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana para as Felicitações de Natal», para isso, favor clicar aqui
Fonte: Folha de S. Paulo – Mundo – Sexta-feira, 25 de dezembro de 2020 – Pág. A8 – Internet: clique aqui (acesso em: 28/12/2020).
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