Revisar o celibato obrigatório
Cardeal alemão pede
uma revisão do celibato obrigatório: “A verdade não é eterna”
Cameron Doody
Religión Digital
05-01-2018
“Creio
que já chegou a hora de nos comprometer a abrir o caminho da Igreja à renovação
e à reforma”, afirma o cardeal Reinhard Marx
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CARDEAL REINHARD MARX pregando na Catedral de Munique, onde é bispo |
São importantes na Igreja o
desenvolvimento de programas anti-pederastia “e sua melhora, prevenção e
revisões independentes, mas é preciso algo mais”. Algo como a reavaliação
do celibato sacerdotal obrigatório. Esta é a opinião do cardeal Reinhard
Marx, que, à luz do “fracasso” que revelou o escândalo de abusos em várias
partes do mundo, voltou a defender que a Igreja “evolua” na disciplina
sexual que requer do clero.
“Creio que já chegou a
hora de nos comprometer a abrir o caminho da Igreja à renovação e à reforma”,
proclamou o cardeal Marx em sua homilia na Missa de Ano Novo na catedral de
Nossa Senhora, em Munique, de acordo com o que foi publicado por CNS.
“A evolução na sociedade e
as demandas históricas tornaram evidentes a necessidade de renovação e as
tarefas necessárias para empreendê-la”, explicou o arcebispo de Munique e
Freising. O também presidente da Conferência Episcopal alemã enfatizou em seu
sermão que as medidas que a Igreja adotou até aqui como resposta à crise de
abusos não são suficientes e que fazem falta “adaptações da doutrina” para
realmente combater o problema.
Estas modificações da
tradição, argumentou o cardeal Marx, também são necessárias para que a Igreja
seja fiel ao mandato de abertura ao mundo que empreendeu no Concílio de meados
do século passado. “Estou convencido de que o grande impulso de renovação
do Vaticano II não está seguindo em frente, nem está sendo entendido em sua
profundidade”, defendeu, acrescentando que “temos que trabalhar nisso”.
“A verdade não é
eterna. Podemos reconhecê-la mais profundamente no caminho compartilhado da
Igreja”, apontou ainda o cardeal,
colaborador próximo do Papa Francisco em seu “gabinete” de cardeais assessores,
conhecido como C6. Marx acrescentou que é seu “dever como sacerdote e bispo”
adotar novas posturas sobre esta e outras questões de atualidade eclesial. Como
também é dever de todos os católicos, que devem “deixar para trás categorias
como esquerda e direita, liberal e conservador, para nos centrar no caminho
do Evangelho em um ponto concreto no tempo”.
“Viramos para uma nova
maneira de pensar”, animou o cardeal aos fiéis reunidos na missa,
recordando-lhes que “arriscar” seu pensamento “é importante ao final
de um ano e o começo de um ano novo” e os encorajando a “não se esconder
na retórica do passado”.
“Naturalmente nos mantemos
em uma grande tradição, mas esta não é uma tradição completa. É um caminho para
o futuro”, continuou, advertindo os paroquianos que o ano de 2019 da
Igreja seguirá cheio de “inquietude e oposição”, por isso faz mais falta
do que nunca “um novo pensamento”.
É que este ano promete ser um
ano de mudanças para a Igreja alemã, especialmente porque os bispos
organizaram para sua plenária desta primavera um debate sobre o celibato
sacerdotal obrigatório como resposta direta à crise de abusos, o qual
contará com a intervenção de profissionais de várias disciplinas, tanto de
dentro como de fora da Igreja.
Este debate se produzirá em
meio a uma forte polêmica na Alemanha pela questão da disciplina do celibato,
que se encontra cada vez mais no olho do furacão, não só pela pressão da mídia
secular, como também pela influência do protestantismo. Até tal ponto que em
novembro último o Comitê Central de Católicos Alemães (Zentralkomitee
der deutschen Katholiken) votou por uma ampla maioria contra a norma
eclesiástica.
Traduzido do espanhol por Graziela Wolfart.
Acesse a versão original deste artigo, clicando aqui.
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