Fome? O governo não está nem aí!
A recaída na fome
Jornal «O Estado de S. Paulo»
A fome voltou no
Brasil e até poderia constar como uma das principais preocupações e ocupações
do presidente Jair Bolsonaro. No entanto, ele parece não se importar com isso,
está ocupado com sua reeleição!
O custo da
alimentação subiu 0,59% em julho, 3,23% no ano e 10,81%
em 12 meses, segundo o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da Fundação
Getulio Vargas (FGV).
Não houve crescimento salarial desde o ano passado, mas nem isso faz muita diferença
para:
* os quase 15 milhões de
desempregados,
* 6 milhões de desalentados [pessoas
que não buscam mais emprego, apesar de estarem desempregadas] e
* cerca de 34 milhões de informais [muitos
fazendo “bicos” que mal são suficientes para a sua sustentação].
Dinheiro curto seria problema sério mesmo com preços estáveis, mas no Brasil o pesadelo se completa com inflação acelerada e uma pandemia ainda muito perigosa.
Com desemprego recorde, renda escassa e inflação aquecida, milhões
de famílias só têm conseguido comer graças a campanhas de solidariedade. Os
cenários da fome podem variar de uma pesquisa para outra, mas são sempre muito
feios.
Quase
um quarto dos brasileiros – 23,5% – enfrentou
insegurança alimentar moderada ou severa entre 2018 e 2020, segundo estudo recente da Organização das
Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Essa parcela foi 5,2% maior que a estimada entre 2014 e 2016. Em 2021 o quadro só pode ter piorado, com a suspensão do auxílio emergencial, o aumento do desemprego e a aceleração da alta de preços.
A atenção à fome, fato raro em Brasília, motivou a divulgação, pelo serviço de notícias do Senado, de três projetos de lei para o enfrentamento da insegurança alimentar. Os projetos, apresentados em 2019, 2020 e 2021 pelos senadores Jorge Kajuru (Podemos-GO), Plínio Valério (PSDB-AM) e Jader Barbalho (MDB-PA), coincidem ao propor esquemas de doação de comida às famílias carentes. Os detalhes variam e uma das propostas inclui a limitação da alta de preços dos alimentos durante a pandemia. A inflação geral do consumo seria o teto para o aumento dos preços da comida.
Além de tecnicamente complicado, esse tabelamento
fracassaria, como já ocorreu tantas vezes, e ainda provocaria distorções. Mais
sensato seria auxiliar as famílias necessitadas com a distribuição de cestas
básicas e com medidas para reforçar o abastecimento, como o uso
de estoques públicos e operações bem conduzidas de importação.
Os desafios atuais evidenciam a urgência de maior atenção a
políticas de abastecimento.
Um dos projetos determina a distribuição de cestas básicas pelo Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Esse misterioso mecanismo está subordinado à Secretaria Especial do Desenvolvimento Social, do Ministério da Cidadania, atualmente ocupado pelo deputado João Roma (Republicanos-BA), precedido no posto ministerial pelos deputados Osmar Terra e Onyx Lorenzoni. O ministro Roma tem defendido o aumento do Bolsa Família, mas, depois de nomeado, já defendeu também o voto impresso e apareceu ao lado do presidente em live contra o distanciamento social na pandemia.
Uma das poucas novidades positivas, em relação ao tema da fome, é a decisão de preservar o incentivo fiscal ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), anunciada pelo relator do projeto de reforma do Imposto de Renda, deputado Celso Sabino (PSDB-PA). Pelo menos o vale-refeição deve ser salvo – uma bênção adicional para quem tiver um emprego.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Notas & Informações – Domingo, 1 de agosto de 2021 –
Pág. A3 – Internet: clique aqui (Acesso em: 02/08/2021).
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