A face perversa do Google [imperdível - leia!]


ETHEVALDO SIQUEIRA

"Todos conhecem os benefícios e as coisas maravilhosas que o Google nos proporciona. Poucos, entretanto, têm consciência:

  • dos riscos decorrentes da destruição de sua privacidade, 
  • do rastreamento permanente de suas consultas e 
  • do uso antiético de informações pessoais por esse monstro digital, que indexa, armazena e manipula milhões de terabytes por dia."

Essas advertências são do pesquisador norte-americano Scott Cleland, no livro Busque e Destrua: Por que você não pode confiar no Google Inc., que foi lançado na semana passada em São Paulo pela Editora Matrix. Depois de ler o livro e entrevistar Cleland, acho que o mundo deveria preocupar-se muito mais com os riscos e problemas apontados pelo pesquisador.


O livro acusa o Google de não seguir os mais elementares padrões éticos, como o respeito à intimidade das pessoas, à propriedade intelectual e à honestidade das informações. E o faz repetidamente - diz Scott Cleland: "Em 2011, a empresa pagou multa no valor de US$ 500 milhões por ter anunciado de forma deliberada e consciente por sete anos, as importações de um medicamento controlado ilegal e inseguro, segundo as leis norte-americanas".


Poder absoluto
É provável que a maioria das pessoas não se preocupe com o tamanho e o poder do Google. Mas, para Cleland, essa corporação gigantesca assusta porque nunca existiu empresa tão grande e tão poderosa quanto esse Big Brother, ou Grande Irmão (personagem criada pelo escritor George Orwell, em seu livro 1984).


O poder do Google cresce de forma aterradora, adverte o autor norte-americano. E lembra a frase do historiador britânico, Lord Acton, que escreveu: "O poder tende a corromper. E o poder absoluto corrompe absolutamente".


O Google caminha para a consolidação do pior dos monopólios em âmbito mundial: o monopólio da informação. "É o que eu chamo de googlepólio. Mais do que isso: o Google rastreia tudo que você faz online. Invade sua privacidade e atua como uma verdadeira agência de espionagem."


Scott Cleland
Cleland levanta questões cruciais, como esta: "Será que os líderes do Google - os fundadores Larry Page e Sergey Brin e o presidente contratado Eric Schmidt - estão se afastando de sua promessa de tornar o mundo um lugar melhor? Ou estão disfarçando com tamanha eficiência seus verdadeiros objetivos que ninguém foi capaz de notar?"


Advertências. 
O livro de Scott Cleland não é uma condenação paranoica do Google, embora escrito numa linguagem realmente dura. O que ele faz, sim, é uma radiografia dos problemas dessa empresa global. No apêndice do livro, o autor relaciona 726 documentos, artigos e pesquisas sobre a empresa, seus processos e conflitos. Como especialista nos riscos da internet e das redes sociais, Cleland já testemunhou três vezes perante o Congresso americano.


Entre os capítulos do livro, há temas que chocam, mas sua argumentação é consistente, com base em fatos, números e processos judiciais. Eis os títulos desses capítulos: 

  • "O que é seu é do Google; 
  • A segurança é o calcanhar de aquiles do Google; 
  • Googlepólio; 
  • Um pântano de conflitos ocultos; 
  • Poder incontrolado; 
  • Por que o Google é destrutivo; 
  • A estrada digital para a servidão; 
  • Para onde o Google nos está levando? O que devemos fazer a respeito? A tirania do planejamento central; 
  • O código Google".

Os dois Googles
Cleland lembra que ninguém está propondo a destruição do Google, até porque o mundo hoje depende dele. Por isso, é essencial que a empresa corrija seus vícios e maus procedimentos. Fiscalizar, corrigir e punir são tarefas que cabem, prioritariamente, à Justiça, ao Ministério Público, aos governos e a todas as entidades responsáveis pela proteção do direito dos cidadãos.
Larry Page e Sergey Brin - criadores do Google
É preciso usar todos os meios de comunicação, a começar da internet, do próprio Google e do YouTube (que pertence a essa empresa) para esclarecer os usuários e, em especial, para advertir nossos jovens sobre os riscos e educá-los como internautas, para que saibam utilizar as informações ali contidas, com o espírito crítico que esse novo Leviatã digital nos impõe.


Eu e centenas de milhões de usuários sabemos quais são os benefícios e a utilidade do Google, como maior acervo de informações que a humanidade já produziu, ao alcance de mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. E de graça.


De graça? 
Na realidade, essa suposta gratuidade do Google é a grande isca para atrair audiência. A partir daí, o Google se transforma numa gigantesca máquina de publicidade que fatura bilhões. Seus parceiros são todos os demais sites, portais e blogs que cedem seus espaços em troca de uma remuneração próxima de zero. Como um polvo, o Google invade e ocupa todos os espaços livres de todos os portais, sites e blogs.


Precisamos ser sempre críticos e independentes diante do Google e da internet como um todo, apontando seus riscos e malefícios, em lugar de apenas ressaltar suas maravilhas.


Meu conselho é este: seja cauteloso e desconfie sempre, leitor, inclusive dos melhores projetos colaborativos, mesmo aqueles aparente ou comprovadamente filantrópicos e não comerciais, como a Wikipédia. Duvide sempre, pois a internet é um oceano de armadilhas e riscos. 


Leia em meu site pessoal (http://ethevaldo.com.br/coluna/a-face-perversa-do-google/) mais trechos da entrevista de Scott Cleland.


Fonte: O Estado de S. Paulo - Economia - Domingo, 8 de julho de 2012 - Pg. B11 - Internet: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-face-perversa-do-google-,897436,0.htm

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