"Não se toca no Vaticano II", diz o Papa aos conservadores
Giacomo Galeazzi
La Stampa (Itália)
16-07-2012
Catedral de Frascati (Itália) durante a visita do Papa Bento XVI |
A transferência de verão de Bento XVI é um banho de multidão e um compêndio de doutrina. Para os ônibus de Papa-boys, é uma santa turnê viagem para da cidade que vale muito bem o sacrifício de um mergulho no mar. Nos códigos internos da hierarquia, é um "alto lá!" ao saltos para trás no passado. Em suma, não se toca no Concílio.
Na cidade que, depois de Roma, deu mais papas à Igreja, Bento XVI recebeu um consenso popular generalizado que serve, especialmente em tempos de crise, como orientação espiritual e como porta-voz de instâncias sociais desatendidas pelas instituições. No pátio da catedral, o pontífice teólogo e pastor reafirma o matrimônio como pacto por toda a vida e o vínculo definitivo entre sacerdócio e celibato. Nem dinheiro nem coisas materiais devem distrair aqueles que pregam o Evangelho e "os documentos conciliares contêm uma enorme riqueza para a formação das novas gerações cristãs".
O pontífice invoca a partilha das responsabilidades – "até mesmo os apóstolos tinham limitações e fraquezas" –, e por isso Cristo deve ser anunciado "sem se preocupar em ter sucesso", ao contrário, com a consciência de que "os enviados de Deus muitas vezes não são bem acolhidos".
Palavras fortes, destinadas a não cair no vazio, a se julgar pelo entusiasmo geral. "Nós nos organizamos para fazer com que Bento XVI sinta o nosso calor em troca do seu apoio diário", explica Mara Cancellieri, que, com alguns amigos dos castelos de Roma, organizou uma viagem para acompanhar o papa em oração até a catedral. Milhares de pessoas chegaram de fora da região. "Entre nós, há aqueles que perderam o trabalho ou não conseguem mais encontrá-lo. O papa nos ajuda a não desanimar", explica um grupo de peregrinos de Marche [Itália].
Frascati também entende de renascimentos. Aqui encontrava-se o comando supremo alemão para o Mediterrâneo: depois do armistício de 8 de setembro de 1943, 130 bombardeiros norte-americanos derrubaram-no ao chão. A "pérola dos Castelos Romanos" foi reconstruída pedra por pedra, e hoje o pontífice da "purificação" a escolheu como o lugar-símbolo para uma mensagem de regeneração e esperança. Ao lado dele, o secretário de Estado, Tarcisio Bertone, que é o bispo titular dessa diocese suburbicária.
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Papa Bento XVI no interior da catedral de Frascati (Itália) - domingo, 15 de julho |
Na véspera, uma agência de notícias, equivocadamente, havia publicado um artigo em que se lamentavam os custos da visita "ocorrida no dia 15 de julho", mas, na realidade, a diocese destinou as ofertas para as obras de caridade.
"Não se deixem assustar por quem os rejeita", exorta o papa. O dever da Igreja não é buscar aplausos, mas sim pregar a justiça. "Jesus não desdenhou a ajuda dos outros, mesmo que limitados e frágeis". Ele menciona Paulo VI, o papel dos leigos, a obra da Igreja que progride sempre na história humana. Encerra a questão dos casamentos para os padres, indica a virgindade para o Reino de Deus e traça um modelo que arranca os aplausos da multidão. "Que a Igreja seja pobre como São Francisco".
Nada parece mais distante dos sofismas dos lefebvrianos e dos venenos do Vatileaks do que o afeto espontâneo das pessoas pelo seu papa. "Estamos contigo", repetem as faixas em todos os cantos.
* A pitoresca cidade de Frascati situada na região dos Castelli Romani (próximo a Roma), com suas pequenas ruas enoveladas, situada muito perto do Palácio de verão dos Papas, Castel Gandolfo, entre montanhas de onde se pode ver a Capital Eterna, recebeu no domingo, 15 de julho, a visita de Bento XVI.
Fonte: domtotal.com - 17/07/2012 - Internet: http://domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=475646
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