1º Domingo da Quaresma - Ano A - Homilia
Evangelho: Mateus 4,1-11
NOSSA GRANDE TENTAÇÃO
A cena das "tentações de Jesus" é um relato que não podemos interpretar superficialmente. As tentações que nos são descritas, não são, propriamente, de ordem moral. O relato nos está advertindo de que podemos arruinar nossa vida se nos desviamos do caminho que segue Jesus.
A primeira tentação é de importância decisiva, pois pode perverter e corromper a vida pela raiz. Aparentemente, a Jesus é oferecido algo bem inocente e bom: colocar Deus a serviço de sua fome: "Se sois Filho de Deus, manda que estas pedras se convertam em pães". Entretanto, Jesus reage de maneira rápida e surpreendente: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". Não fará de seu próprio pão algo absoluto. Não colocará Deus a serviço de seu próprio interesse, esquecendo o projeto do Pai. Buscará, sempre, em primeiro lugar, o reino de Deus e sua justiça. Em todos os momentos, escutará a sua Palavra.
Nossas necessidades não ficam satisfeitas somente com o fato de termos assegurado o nosso pão. O ser humano necessita e anseia por muito mais. Inclusive, para resgatar da fome e da miséria aqueles que não têm pão, devemos escutar Deus, nosso Pai, e despertar em nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e a solidariedade.
Nossa grande tentação, hoje, é converter tudo em pão. Reduzir, cada vez mais, o horizonte de nossa vida à mera satisfação de nossos desejos; fazer da obsessão por um bem-estar maior ou pelo consumismo indiscriminado e sem limites o ideal quase único de nossas vidas.
Enganamo-nos se pensamos que esse é o caminho a seguir para o progresso e a libertação:
[...]
A segunda tentação se produz no "templo". O tentador propõe a Jesus fazer sua entrada triunfal na cidade santa, descendo do alto como Messias glorioso. A proteção de Deus está assegurada. Seus anjos "cuidarão" dele. Jesus reage rapidamente: "Não tentarás o Senhor, teu Deus!". Jesus não será um Messias triunfante. Não colocará Deus a serviço de sua glória. Não fará "sinais do céu", somente sinais para curar os enfermos.
Sempre que a Igreja põe Deus a serviço de sua própria glória e "desce do alto" para mostrar sua própria dignidade, desvia-se de Jesus. Quando nós, os seguidores de Jesus, buscamos "ficar bem" mais que "fazer o bem", distanciamo-nos dele.
A terceira tentação acontece numa "montanha altíssima". De lá são avistados todos os reinos do mundo. Todos estão controlados por Satanás, que faz a Jesus uma oferta assombrosa: lhe dará todo o poder do mundo. Somente uma condição: "se te prostrares e me adorares". Jesus reage violentamente: "Vai-te, Satanás!". "Somente ao Senhor, teu Deus, adorarás". Deus não chama Jesus para dominar o mundo como o imperador de Roma, mas a servir aqueles que vivem oprimidos. Não será um Messias dominador, mas servidor. O reino de Deus não se impõe com poder, mas se oferece com amor.
A Igreja deve banir, hoje, todas as tentações de poder, glória ou dominação, gritando como Jesus; "Vai-te, Satanás!". O poder mundano é uma oferta diabólica. Quando nós, cristãos, o procuramos, nos distanciamos de Jesus.
Tradução do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - Segunda-feira, 3 de março de 2014 - 21h51 - Internet: clique aqui. E Sopelako San Pedro Apostol Parrokia - Sopelana - Bizkaia (Espanha) - 10 de fevereiro de 2008 - Internet: clique aqui.
Naquele tempo, 1 o Espírito conduziu
Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo.
2 Jesus jejuou durante
quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome.
3 Então, o tentador
aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se
transformem em pães!”
4 Mas Jesus respondeu:
“Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca
de Deus’”.
5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a
parte mais alta do Templo,
6 e lhe disse: “Se és
Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens
aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não
tropeces em alguma pedra’”.
7 Jesus lhe respondeu:
“Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’”
8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto.
Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória,
9 e lhe disse: “Eu te
darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”.
10 Jesus lhe disse: “Vai-te
embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus, e somente
a ele prestarás culto’”.
11 Então o diabo o deixou.
E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.
JOSÉ ANTONIO PAGOLA
NOSSA GRANDE TENTAÇÃO
A cena das "tentações de Jesus" é um relato que não podemos interpretar superficialmente. As tentações que nos são descritas, não são, propriamente, de ordem moral. O relato nos está advertindo de que podemos arruinar nossa vida se nos desviamos do caminho que segue Jesus.
A primeira tentação é de importância decisiva, pois pode perverter e corromper a vida pela raiz. Aparentemente, a Jesus é oferecido algo bem inocente e bom: colocar Deus a serviço de sua fome: "Se sois Filho de Deus, manda que estas pedras se convertam em pães". Entretanto, Jesus reage de maneira rápida e surpreendente: "Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus". Não fará de seu próprio pão algo absoluto. Não colocará Deus a serviço de seu próprio interesse, esquecendo o projeto do Pai. Buscará, sempre, em primeiro lugar, o reino de Deus e sua justiça. Em todos os momentos, escutará a sua Palavra.
Nossas necessidades não ficam satisfeitas somente com o fato de termos assegurado o nosso pão. O ser humano necessita e anseia por muito mais. Inclusive, para resgatar da fome e da miséria aqueles que não têm pão, devemos escutar Deus, nosso Pai, e despertar em nossa consciência a fome de justiça, a compaixão e a solidariedade.
Nossa grande tentação, hoje, é converter tudo em pão. Reduzir, cada vez mais, o horizonte de nossa vida à mera satisfação de nossos desejos; fazer da obsessão por um bem-estar maior ou pelo consumismo indiscriminado e sem limites o ideal quase único de nossas vidas.
Enganamo-nos se pensamos que esse é o caminho a seguir para o progresso e a libertação:
- Não estamos vendo que, uma sociedade que arrasta as pessoas para o consumismo sem limites e para a autossatisfação, não faz senão gerar vazio e falta de sentido nas pessoas, bem como, egoísmo, insolidariedade e irresponsabilidade na convivência?
- Por que nos assustamos com o aumento, de modo trágico, do número de pessoas que se suicidam a cada dia?
- Por que continuamos fechados em nosso falso bem-estar, levantando barreiras cada vez mais desumanas para que os famintos não entrem em nossos países, não cheguem até nossas residências nem batam à nossa porta?
[...]
A segunda tentação se produz no "templo". O tentador propõe a Jesus fazer sua entrada triunfal na cidade santa, descendo do alto como Messias glorioso. A proteção de Deus está assegurada. Seus anjos "cuidarão" dele. Jesus reage rapidamente: "Não tentarás o Senhor, teu Deus!". Jesus não será um Messias triunfante. Não colocará Deus a serviço de sua glória. Não fará "sinais do céu", somente sinais para curar os enfermos.
Sempre que a Igreja põe Deus a serviço de sua própria glória e "desce do alto" para mostrar sua própria dignidade, desvia-se de Jesus. Quando nós, os seguidores de Jesus, buscamos "ficar bem" mais que "fazer o bem", distanciamo-nos dele.
A terceira tentação acontece numa "montanha altíssima". De lá são avistados todos os reinos do mundo. Todos estão controlados por Satanás, que faz a Jesus uma oferta assombrosa: lhe dará todo o poder do mundo. Somente uma condição: "se te prostrares e me adorares". Jesus reage violentamente: "Vai-te, Satanás!". "Somente ao Senhor, teu Deus, adorarás". Deus não chama Jesus para dominar o mundo como o imperador de Roma, mas a servir aqueles que vivem oprimidos. Não será um Messias dominador, mas servidor. O reino de Deus não se impõe com poder, mas se oferece com amor.
A Igreja deve banir, hoje, todas as tentações de poder, glória ou dominação, gritando como Jesus; "Vai-te, Satanás!". O poder mundano é uma oferta diabólica. Quando nós, cristãos, o procuramos, nos distanciamos de Jesus.
Tradução do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: MUSICALITURGICA.COM - Homilías de José A. Pagola - Segunda-feira, 3 de março de 2014 - 21h51 - Internet: clique aqui. E Sopelako San Pedro Apostol Parrokia - Sopelana - Bizkaia (Espanha) - 10 de fevereiro de 2008 - Internet: clique aqui.
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