As bravatas do general
Desde quando, militar dá palpite e faz ameaças em um regime democrático?
Germano Oliveira
Isso
não pode ficar sem resposta!!!
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WALTER BRAGA NETTO - atual Ministro da Defesa do governo Bolsonaro |
De duas, uma. Ou o militar é um bravateiro, desmerecedor de reverência da sociedade, ou é um vassalo do presidente, aquele que coloca interesses pessoais acima dos anseios da Nação, que exige o respeito à Constituição e à manutenção da democracia e do Estado de Direito. Se forem as duas coisas associadas, então teremos um caldo de cultura para a volta aos tempos de chumbo que nos fizeram tanto mal.
A nós, que sofremos com os horrores da ditadura de 1964,
resta esperar que tudo não passe de bravatas de um general atordoado pelas
asneiras do capitão abestalhado. Até porque, parece cada vez mais claro que os
militares no poder hoje se comportam mais como um cão que só ladra e não morde.
Ninguém fica anunciando diariamente que vai dar um golpe caso seus
pleitos não sejam atendidos.
De pouco vale o ministro da Defesa desmentir agora que tenha dito o que disse ao presidente da Câmara, Arthur Lira: se não tivermos o voto impresso, não teremos eleição no ano que vem. Afinal, o estrago já foi feito. Quando o militar fez essa ameaça, há 15 dias, estava acompanhado pelos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Portanto, a intimidação não foi feita banalmente. Foi feita com o propósito inequívoco de pressionar o Congresso a aprovar o voto impresso, medida, porém, que será rejeitada no próximo dia 5, com a volta do recesso. A não ser que a pressão de Bolsonaro e dos militares surta efeito e os congressistas afinem.
Para o bem da democracia, é de se esperar que as ameaças não surtam efeito. Afinal, a maioria dos partidos já disse que não deseja mudar a estrutura da votação, baseada hoje nas seguras urnas eletrônicas. Elas nos tiraram da escuridão do voto de cabresto e da corrupção da venda de votos.
Fonte: IstoÉ – Microsoft News – Quinta-feira, 22 de julho de 2021 – 17h30 – Internet: clique aqui (Acesso em: 22/07/2021).
Em resposta à ameaça de Braga Netto,
presidentes de partidos querem enterrar ideia do voto impresso
Lauriberto Pompeu
Os presidentes do PSDB, DEM, MDB, Solidariedade e PSD
articulam a derrubada da proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto
impresso, defendida pelo governo.
A mobilização dos partidos foi informada pela CNN e confirmada pelo Estadão. Na prática, os partidos se mobilizam para evitar qualquer possibilidade de adiamento da comissão formada para analisar o tema. A ideia é que a proposta seja votada logo na volta do recesso legislativo, na primeira semana de agosto.
“O nosso trabalho é para rejeitar esse absurdo”, disse o presidente do DEM, ACM Neto, ao Estadão. “Essa coisa do Braga Netto acaba reforçando a articulação contra (a PEC)”, declarou o ex-prefeito de Salvador.
Como mostrou o Estadão, a Comissão Especial da Câmara sobre o tema chegou a ter maioria de votos favoráveis para aprovar voto impresso, mas presidentes de partidos e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) agiram para trocar os integrantes da comissão e deixar o texto sem apoio suficiente. No fim de junho, presidentes de 11 partidos fecharam um posicionamento contra o voto impresso. Os caciques das legendas, incluindo os da base do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, decidiram derrubar a proposta discutida na Câmara e patrocinada pelo chefe do Planalto.
Na semana passada, no último dia antes do recesso legislativo, deputados contra a PEC tentaram convocar o colegiado para rejeitar o texto, mas o presidente da comissão, o deputado bolsonarista Paulo Eduardo Martins (PSC-PR), adiou a votação com uma manobra regimental.
O deputado Fábio Trad (PSD-MS), integrante titular da comissão especial, afirmou que a “orientação do partido é para rejeitar”. De acordo com ele, as ações do ministro reforçam as articulações contra a ideia. “Esta ameaça do Braga Netto aumentou a indisposição com a PEC”, declarou.
A proposta de emenda à Constituição do voto impresso é uma das principais bandeiras políticas do presidente Jair Bolsonaro, que já deu declarações consideradas golpistas ao dizer que “ou fazemos eleições limpas ou não temos eleições”.
Bolsonaro afirma, seguidamente, que sem esse
mecanismo as eleições serão fraudadas. Ele também repete, sem nunca ter
apresentado qualquer prova, que teria vencido a eleição de 2018 já no primeiro
turno e que o deputado Aécio Neves (PSDB) venceu a disputa de 2014, algo
que o próprio tucano disse não acreditar.
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LUIS ROBERTO BARROSO - Ministro do STF e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, afirma sobre a urna eletrônica, sem titubear: "Eficiente, seguro e auditável" |
Voto impresso auditável
O voto impresso já foi implantado em caráter experimental nas eleições presidenciais de 2002 — e acabou reprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquele ano, para testar o sistema, a medida foi adotada em 150 municípios, atingindo 6,18% do eleitorado.
“Sua introdução no processo de votação nada agregou em termos de
segurança ou transparência. Por outro lado, criou problemas”, apontou um
relatório do TSE.
O tribunal concluiu que, nas seções com voto impresso, foram maiores o tamanho das filas e o percentual das urnas que apresentaram defeitos, além das falhas verificadas apenas nas impressoras. “Houve incidência de casos de enredamento de papel, possivelmente devido a umidade e dificuldades de manutenção do módulo impressor”, apontou o relatório do TSE.
No Distrito Federal, que adotou o voto impresso em todas as seções eleitorais em 2002, o índice de quebra de urna eletrônica no primeiro turno foi de 5,30%, enquanto a média nacional foi bem inferior: 1,41%.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Microsoft News – Quinta-feira, 22 de julho de 2021 – 17h40 – Internet: clique aqui (Acesso em: 22/07/2021).
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