Brasil perde um de seus grandes pensadores
Filósofo Roberto Romano morre aos 75 anos
Redação
O Estado de S. Paulo
Professor
que traduziu a ética política e as relações do Estado morreu por causa de
complicações da covid-19; ele estava internado desde junho
![]() |
ROBERTO ROMANO (Foto: Felipe Rau / Estadão) |
Graduado em filosofia em 1973 e doutor na L’École des
Hautes Études en Scienses Sociales, na França, em 1978, Romano era professor titular aposentado do
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp). Foi autor de
livros como:
* Razão de Estado e Outros
Estados da Razão [Ed. Perspectiva, 2014];
* Brasil: Igreja contra Estado
[Ed. Kairós, 1979] e
* Conservadorismo Romântico:
Origem do Totalitarismo [Ed. Brasiliense, 1981],
entre tantos outros. Ele era um estudioso da ética e da relação entre religião e política.
Com uma carreira marcada pela vida na religião e grande leitor de Thomas Hobbes e Max Weber, se aprofundou na ética com vastos estudos sobre o trabalho do holandês Baruch Spinoza. Ele foi vencedor do prêmio Jabuti, em 2015, junto a Newton Cunha, e Jacó Guinsburg com a tradução Spinoza Obra Completa – Vols. 1 a 4 [Ed. Perspectiva].Natural da pequena cidade de Jaguapitã, no norte do Paraná, próximo à divisa com São Paulo, Romano era casado há 50 anos com a socióloga Maria Sylvia de Carvalho Franco. Quando jovem, Romano mudou-se com a família para Marília, onde cursou o ginásio e o ensino médio. Nessa época, ingressou na Juventude Estudantil Católica, quando foi, durante 12 anos, frade dominicano. Durante a ditadura militar, em 1969, foi preso e levado, inicialmente, para o Centro de Informações da Marinha (Cenimar). No final de 1970, depois de ouvido pela Auditoria Militar, foi libertado.
Romano era um forte crítico do governo Bolsonaro.
“No Brasil a Presidência da República é
aconselhada por um gabinete oculto, com várias atribuições. Nenhuma
delas integra a lista das mais relevantes missões estatais”, escreveu para o Estadão,
em maio deste ano.
No dia 13 de maio, como informou o Estadão, Romano foi um dos acadêmicos que subscreveu, junto com juristas, uma ação pública pedindo a interdição do presidente Jair Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Repercussão
A morte de Romano foi sentida pela comunidade acadêmica brasileira. “Nossa universidade lamenta profundamente o falecimento do professor Roberto Romano”, disse o reitor da Unicamp, Antonio José Meirelles. “Sempre se caracterizou pela defesa do ensino público e das nossas instituições de fomento à ciência e tecnologia”, disse.
“Que dia complicado. Lembro de ler os artigos dele durante a graduação para entender sobretudo os conceitos de moral e ética. E ele era mestre da didática”, lamentou Serge Katembera, doutor em sociologia pela Universidade Federal da Paraíba, no Twitter.
“Lastimo muito a morte do professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp, Roberto Romano, de complicações decorrentes da covid”, disse, pelo Twitter, Wilson Gomes, professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital. “Um homem gentil, extremamente inteligente, filósofo e intelectual público do primeiro time.”
O filósofo deixa a mulher, dois enteados, Luiza Moreira e Roberto Moreira, e duas netas.
Fonte: O Estado de S. Paulo – Política – Sexta-feira, 23 de julho de 2021 – Pág. A12 – Internet: clique aqui (Acesso em: 24/07/2021).
Comentários
Postar um comentário