Fim da era dos Shoppings-Centers
RAUL JUSTE LORES
EDITOR DE “MERCADO”
Nas cidades norte-americanas mais sofisticadas, charmoso é bater perna
Os governos têm sido os maiores patrocinadores dos shoppings por estas terras. Insegurança, sujeira e calçadas estreitas e cheias de obstáculos acabam convencendo muita gente de que shopping é um oásis urbano.
Mas a iluminação artificial, os corredores monótonos que obrigam você a sempre andar mais que o necessário, as ruidosas praças de alimentação e o ar-condicionado constante são insustentáveis em tempos de economia de energia.
Esses caixotões já estão com os dias contados onde nasceram. Dezenas deles foram demolidos ou reconvertidos nos últimos anos nos subúrbios americanos.
Nas cidades mais sofisticadas norte-americanas, charmoso é bater perna, seja na Magnificent Mile, em Chicago, seja na Madison, em Chelsea, ou seja na Quinta Avenida, em Nova York (você se lembra de algum shopping em Manhattan?).
Aqui, a Oscar Freire é uma solitária sobrevivente no comércio de luxo ao ar livre. Seus lojistas copatrocinaram, junto com a prefeitura, a reforma das calçadas, o enterramento da fiação e a instalação de bancos, algo conhecido internacionalmente como "business improvement districts", áreas onde as melhorias são bancadas por empresas. Nova York tem 66 delas, mas aqui isso é raro.
Essa "shoppingficação" dos Jardins autorizada pela prefeitura ameaça boa parte do comércio de rua do bairro. Já vimos esse drama antes. Comércios fechados, imóveis encalhados, calçadas vazias, que geram mais insegurança e mais gente dentro de casa. Se os shoppings continuarem fechados para a cidade, São Paulo precisa decidir se eles são realmente bem-vindos.
Fonte: Folha de S. Paulo - Cotidiano - Domingo, 18 de dezembro de 2011 - Pg. C3 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/15559-nas-cidades-norte-americanas-mais-sofisticadas-charmoso-e-bater-perna.shtml
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