São elas, sempre elas

JANIO DE FREITAS

Ideia de cisão do PARÁ contou com força tão poderosa quanto bem encoberta, 
a das grandes empreiteiras
Mal terminou a contagem vitoriosa dos "não" à divisão do Pará, entrou em campo a alternativa para os derrotados: a mudança da capital Belém para uma região mais central no Estado, na área do que seria o Estado de Tapajós.


Tradução da alternativa: a construção de uma cidade, dos edifícios para os poderes institucionais e seus subprodutos, de extensas estradas, abastecimento de água, bairros e adendos como hospitais e escolas. Uma Brasília paraense a nascer em meio à floresta amazônica.


À parte as boas razões que eventualmente tenham os favoráveis à divisão do Estado, essa antiga ideia contou, para seu reaparecimento forte e meio fora de época, com uma força motriz tão poderosa e ativa quanto bem encoberta e acobertada. Foram e são elas, elas sempre. As grandes empreiteiras.


A alternativa de mudança da capital aparenta um problema preliminar: o Pará não dispõe de dinheiro para tanto. Problema para o Estado, não para os patronos velados do plano: o velho e perdulário BNDES, que agora mesmo se vê presenteado com outra injeção de R$ 25 bi do Tesouro Nacional, é uma casa em que as grandes empreiteiras têm toda a intimidade. E nenhum problema para ver-se financiadas, apesar de seus imensos caixas, e tornar financiados os seus contratantes.


Fonte: Folha de S. Paulo - Poder - Domingo, 18 de dezembro de 2011 - Pg. A10 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/15586-sao-elas-sempre-elas.shtml

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