«As multidões nunca tiveram sede de verdades. Diante das evidências que lhes desagradam, desviam-se, preferindo deificar o erro se este as seduzir. Quem sabe iludi-las facilmente torna-se seu mestre, quem tenta desiludi-las é sempre sua vítima.»

(Gustave Le Bon [1841-1931]: francês conhecedor profundo de antropologia, psicologia, sociologia, medicina, e física)

Quem sou eu

Jales, SP, Brazil
Sou presbítero da Igreja Católica Apostólica Romana. Fui ordenado padre no dia 22 de fevereiro de 1986, na Matriz de Fernandópolis, SP. Atuei como presbítero em Jales, paróquia Santo Antönio; em Fernandópolis, paróquia Santa Rita de Cássia; Guarani d`Oeste, paróquia Santo Antônio; Brasitânia, paróquia São Bom Jesus; São José do Rio Preto, paróquia Divino Espírito Santo; Cardoso, paróquia São Sebastião e Estrela d`Oeste, paróquia Nossa Senhora da Penha. Sou bacharel em Filosofia pelo Centro de Estudos da Arq. de Ribeirão Preto (SP); bacharel em Teologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção; Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma (Itália); curso de extensão universitária em Educação Popular com Paulo Freire; tenho Doutorado em Letras Hebraicas pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, realizo meu Pós-doutorado na PUC de São Paulo. Estudei e sou fluente em língua italiana e francesa, leio com facilidade espanhol e inglês.

sábado, 7 de setembro de 2019

Quem ama, torna-se luz!

Telmo José Amaral de Figueiredo
Padre, teólogo e biblista
Diocese de Jales – SP


            Estamos em pleno mês de setembro, tradicionalmente, dedicado à Bíblia. Como acontece todos os anos, a Igreja escolhe um livro ou texto das Sagradas Escrituras para ser lido, estudado e meditado durante este mês. Neste ano, o mês da Bíblia tem como tema “Para que n’Ele nossos povos tenham vida”, a partir da primeira Carta de João (1Jo), e o lema é “Nós amamos porque Deus primeiro nos amou” (cf. 1João 4,19). A carta faz parte dos Escritos Joaninos, que incluem o Evangelho de João e três cartas.

            Apesar de ser chamada de “carta” ou “epístola”, ela não tem a forma de carta. Não possui nome do remetente, destinatário, local, saudações e bênçãos, como acontece com a segunda e terceira cartas de João. Seria, então, mais uma homilia (uma pregação) escrita. No entanto, a primeira Carta de João faz parte da tradição “joanina” com uma linguagem muito semelhante ao evangelho de João, é provável que a origem deste escrito tenha sido a comunidade de Éfeso, na Ásia Menor, onde uma tradição secular coloca a residência do apóstolo João. Essa carta foi escrita, talvez, entre o final do século I e começo do II século (entre os anos 100 a 130).

            Quando a primeira Carta de João foi escrita, a comunidade passava por uma crise, pois um grupo de cristãos dissidentes propunha uma doutrina estranha, que afirmava que o homem se salva graças a um conhecimento religioso especial e pessoal. Esse grupo negava que Jesus fosse o Messias. Ele não dava valor ao amor ao próximo, pois dizia que a comunhão consiste, sobretudo, no conhecimento intelectual (gnose, como se dizia na língua grega). Por isso, os que promoviam esta teoria eram chamados de gnósticos.

O centro da primeira Carta de João é o AMOR, que traduz a fé em vida concreta. Amar ao próximo significa conhecer a Deus, viver na luz, estar unido a Deus e aos irmãos, não pertencer ao mundo e cumprir os mandamentos. Portanto, amar a Deus é praticar a justiça, é ser filho de Deus, obter o perdão dos pecados e libertar-se do medo. Na primeira Carta de João 2,7.10, lemos: “Filhinhos, que ninguém vos engane. Quem pratica a justiça é justo, assim como ele [Deus] é justo... Nisto se manifestam os filhos de Deus e os filhos do diabo: quem não pratica a justiça não vem de Deus, e quem não ama o seu irmão também não”.

Como é atual e oportuna essa advertência da primeira Carta de João! Vivemos em temos sombrios, tempos em que várias AMEAÇAS pairam sobre nós: a vida sobre a Terra está ameaçada pelo aquecimento; as florestas e os mares pela avidez dos exploradores humanos; os recursos do planeta pelo consumismo desenfreado; a paz social pela desigualdade escandalosa e crescente entre ricos e pobres; a verdade pelas fake News; a fé autêntica em Deus pela promessa fácil de prosperidade; a democracia pelo populismo autoritário; a liberdade de pensamento e expressão pelo patrulhamento ideológico que vê “comunismo” atrás de qualquer ideia mais crítica; a economia solidária pelo capitalismo ultraliberal e excludente; a harmonia entre as pessoas pela polarização e radicalização das posturas políticas, sociais e culturais.
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Sobre tudo isso, vem nos chamar a atenção a 25ª edição do “Grito do(as) excluídos(as)” deste ano. O lema é: “Este sistema não vale!” A vida, o amor, a paz e a fraternidade entre as pessoas e entre estas e a natureza estão ameaçados! Por isso, o “Grito” diz, em seu sugestivo cartaz, que “não vale”: o feminicídio, a intolerância, a guerra, a desunião, a violência, o racismo, a injustiça, a corrupção, o ódio, a miséria, o latifúndio. O que vale é a VIDA. É por ela que todos devemos lutar e nos mobilizar: em nossas famílias, em nossas escolas, em nossas comunidades e em nossos locais de trabalho.

Quando Deus concluiu sua obra criadora, incluindo o ser humano, ele contemplou tudo e “viu tudo quanto havia feito, e era muito bom” (Gênesis 1,31).  Você que ama tudo quanto Deus fez, venha participar do “Grito”, o local principal será o Santuário Nacional de Aparecida (SP), mas as manifestações ocorrerão por todo o território brasileiro.

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