Intel afirma ter rompido limite de capacidade do chip com padrão 3D



RICHARD WATERS
CHRIS NUTTALL
DO "FINANCIAL TIMES", 
EM SAN FRANCISCO 


Projeto é o mais significativo desde a introdução do transistor, nos anos 1950, segundo a empresa
Hoje, transistor é produzido em estrutura plana, e tecnologia 3D vai possibilitar ampliar capacidade do chip 

A Intel afirma ter obtido o maior avanço no projeto de microprocessadores em mais de 50 anos, o que tornará mais difícil a situação de seus rivais no setor mundial de chips, que vem requerendo investimento de capital cada vez mais intensivo.

A maior fabricante mundial de chips anunciou ontem que começaria a produzir neste ano chips que utilizam uma revolucionária tecnologia 3D.

O sistema levou quase uma década para ser desenvolvido, e a empresa diz que poderá servir como fundação para futuras gerações de avanços na computação.

Os transistores dos microchips, que servem como blocos básicos para a criação de sistemas eletrônicos, até o momento são produzidos em estruturas planas - processo semelhante ao de imprimir uma folha de papel.
O avanço conseguido pela Intel envolve a criação de transistores mais complexos para chips, em padrão tridimensional.

AQUISIÇÃO
O impacto do esforço da Intel para se destacar do restante do setor se fez sentir de maneira mais ampla ontem, quando a Applied Materials, que fornece equipamento de produção à Intel, anunciou uma aquisição de US$ 4,9 bilhões com o objetivo de acompanhar o avanço dessa nova tecnologia.

A fabricante norte-americana de equipamento industrial anunciou ontem a aquisição da Varian Semiconductor Equipment por US$ 4,9 bilhões, com o objetivo de obter a capacidade de produzir chips de maior complexidade do que aqueles cujos circuitos têm apenas 22 bilionésimos de metro de largura, a escala na qual a Intel anunciou que começaria a produzir processadores antes do final do ano.

A empresa definiu seu novo projeto de chip como o mais significativo avanço desde a introdução do transistor, o bloco básico de construção da aparelhos eletrônicos, nos anos 1950.

A Intel afirmou também que o novo avanço prorrogaria a validade da Lei de Moore - previsão realizada em 1965 por Gordon Moore, fundador da empresa, de que o número de transistores em um chip mais ou menos dobraria a cada dois anos.

LIMITES
"Havia anos estávamos diante de limites no que tange à redução no tamanho dos transistores, e por isso essa mudança de estrutura representa uma abordagem verdadeiramente revolucionária", disse Moore em comunicado.

"Aparelhos maravilhosos, que mudarão o mundo, serão criados com base nessa capacidade, à medida que expandirmos a Lei de Moore a novos reinos", afirmou Paul Otellini, presidente-executivo da Intel.

A Applied Materials disse que o objetivo de adquirir a Varian era resolver os problemas da complexidade cada vez maior dos chips, da expansão da capacidade dos transistores e de obter os melhores projetos 3D.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Fonte: Folha de S. Paulo - Mercado - Quinta-feira, 5 de maio de 2011 - Pg. B8 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0505201113.htm

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