O que está em jogo nas conversações nucleares iranianas
Shashank Joshi *
BLOOMBERG NEWS
![]() |
Delegações do Irã e de potências mundiais reunidas para negociações sobre questões nucleares (Genebra - Suíça) Foto: agência Reuters |
Embora não se conheçam os detalhes completos das conversações, é possível ter uma ideia aproximada do acordo que quase foi alcançado: o Irã congelaria boa parte de sua expansão nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio a um teor acima de 20% - a partir do qual se alcançaria a pureza necessária para a fabricação de armas num período relativamente curto. Em troca, as potências ocidentais ofereceriam um abrandamento de sanções avaliado em menos de US$ 10 bilhões, quantia bastante modesta que deixaria intactas as restrições realmente sufocantes para os setores de petróleo e bancário do Irã. O acordo seria temporário, programado para durar cerca de seis meses. Seria uma maneira de ganhar tempo para os dois lados chegarem a um acordo final.
O que deve ficar claro é que a última rodada de conversações em Genebra não fracassou como alguns sugeririam; faltou tempo para um acordo. O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu queixou-se de que este seria o "acordo do século" para o Irã. Mas ele está errado. O acordo esboçado oferece um alívio apenas limitado e reversível das sanções, vem com data de vencimento e tem a capacidade de dobrar o período que a república islâmica precisaria para enriquecer uma quantidade suficiente de combustível para uma bomba.
O que este debate obscureceu é que se não houver nenhum acordo, o Irã ficará mais próximo de uma bomba. Netanyahu e boa parte do Congresso americano acreditam que um acordo provisório minaria a tarefa de coagir o Irã a uma rendição completa. Sendo assim, por que aliviar a pressão justo agora que o Irã está começando a suar? Por duas razões. Primeiro, esta abordagem repudia a própria ideia de diplomacia, que requer mais do que reafirmar termos de rendição. Ela tornaria impossível um acordo que submeteria a limitações e a um grande monitoramento internacional as instalações nucleares iranianas.
A segunda é que a alternativa a um acordo é pior. A linha de tempo para estrangular economicamente o Irã é mais longa do que a de seu programa nuclear. Sem o respiro provisório, a capacidade de enriquecer urânio cresceria a níveis perigosos. Isso nos obrigaria a uma escolha terrível: esperar as sanções derrotarem o Irã ou bombardear preventivamente suas instalações nucleares.
Os que insistem em que a ameaça nuclear iraniana é séria e iminente deveriam ser os primeiros a reconhecer o valor de um acordo provisório. Repudiar a diplomacia nesta conjuntura delicada - incluindo pela imposição de novas sanções - não resolve nenhum destes problemas. Só prolonga um impasse nuclear que lança uma sombra de guerra sobre o Oriente Médio.
Tradução do inglês por Celso Paciornik.
* SHASHANK JOSHI É PESQUISADOR DO ROYAL UNITED SERVICES INSTITUTE.
Fonte: O Estado de S. Paulo - Internacional - Quinta-feira, 21 de novembro de 2013 - Pg. A14 - Internet: Clique aqui.
Comentários
Postar um comentário