A CENSURA voltou!
Censura e ameaças atingem jornalistas
que criticam Bolsonaro
Lu Sudré
Paulo Henrique Amorim foi afastado do “Domingo
Espetacular”
da Record; Sheherazade, do SBT,
teve a cabeça pedida pelo dono da
Havan;
Marco Antonio Villa é afastado e se
demite da Joven Pan
O afastamento do jornalista Paulo
Henrique Amorim do programa Domingo Espetacular, noticiado
nesta segunda-feira (24 de junho) pela Record TV,
trouxe à tona discussões sobre perseguição e censura aos profissionais
da imprensa.
Crítico contundente de Jair
Bolsonaro e Sérgio Moro, Amorim vem contrariando a linha editorial da
emissora, próxima ao governo. Segundo o site Notícias da TV, com o
acirramento da polarização política no país, desde 2014 o jornalista está na
mira do veículo de propriedade do bispo Edir Macedo.
Em nota oficial, a Record afirmou
que o afastamento do apresentador, que comandou a atração pelos últimos 14
anos, se deu por um “processo de reformulação do jornalismo” e que o
profissional “permanece na emissora à disposição para novos projetos”. O
contrato de Amorim vai até 2021. Patrícia Costa e Eduardo Ribeiro ficarão
responsáveis pela apresentação do semanal a partir do próximo domingo (30).
Procurado pela reportagem do Brasil
de Fato, Paulo Henrique Amorim não quis comentar a decisão da emissora.
PAULO HENRIQUE AMORIM |
Saiba
mais sobre o caso Paulo Henrique Amorim, lendo esta matéria:
clique aqui
O jornalista não é o único
profissional ameaçado. Rachel Sheherazade, do SBT,
também foi colocada na linha de tiro dos bolsonaristas. Pelo Twitter, Luciano
Hang, proprietário das lojas Havan - que durante as últimas eleições coagiu
trabalhadores a realizarem campanha para o então candidato do PSL - sugeriu
que Silvio Santos demita a apresentadora e comentarista.
De acordo com o empresário, a
profissional está “contaminada por ideologias comunistas”. Ela havia
compartilhado uma reportagem sobre a redução de equipes e o desmonte do
jornalismo no SBT.
Apesar de ser conhecida por seus
posicionamentos conservadores, nos últimos meses a âncora também
tem tecido críticas ao governo Bolsonaro. Em resposta à sugestão de Hang, Sheherazade
afirmou que irá processá-lo por chantagear a emissora, já que a Havan é uma
das principais anunciantes do SBT.
Frase de Rachel Sheherazade ao dono das lojas Havam:
“Não vou me censurar para confortar sua
ignorância.”
Saiba
mais sobre o caso Sheherazade, lendo estas matérias:
Também nesta segunda-feira (24 de
junho), o comentarista político Marco Antonio Villa anunciou sua saída
da rádio Jovem Pan após ser suspenso por 30
dias.
RACHEL SHEHERAZADE & LUCIANO HANG |
Fábio Pannunzio, âncora da TV Bandeirantes,
está entre as centenas de pessoas que prestaram solidariedade aos
profissionais. “Não tenho nenhum apreço pelo jornalismo do Paulo Henrique
Amorim, a quem tenho criticado nos últimos dez anos. Mas a demissão [sic]
dele é brutal e inaceitável, produto do macartismo bolsonarista que já vitimou
Marco Antonio Villa, Marcelo Madureira e ameaça Rachel Sheherazade”,
escreveu o jornalista.
Frase do Prof. Marco Antonio Villa em seu
último programa na Jovem Pan:
“Um presidente não tem compostura, não tem
preparo.
Não tem articulação política. Reforça a crítica ao parlamento,
estimulando atos neonazistas, como do próximo dia 26 [de maio],
que é claramente no sentindo de fechar o Supremo,
fechar o Congresso e impor a ditadura.
Não tem articulação política. Reforça a crítica ao parlamento,
estimulando atos neonazistas, como do próximo dia 26 [de maio],
que é claramente no sentindo de fechar o Supremo,
fechar o Congresso e impor a ditadura.
E o presidente estimula isso”
Saiba
mais sobre o caso do Prof. Villa, lendo esta matéria:
clique aqui
O ator e humorista Gregório
Duvivier também se manifestou. “Toda a solidariedade ao Paulo Henrique Amorim,
e também ao Marco Antonio Villa e à Rachel Sheherazade – mesmo discordando
frequentemente dos 2 últimos, é inegável que também caíram pela sua coerência e
coragem. Ao que parece, na Record, no SBT e na Jovem Pan só ficarão os
covardes.”
![]() |
MARCO ANTONIO VILLA |
Censura explícita
Relatório publicado pela Federação
Nacional dos Jornalistas (Fenaj) em 2018, registrou 10 casos de censura
aos profissionais da imprensa. Durante o período eleitoral, por exemplo, a
direção do jornal O Povo proibiu os jornalistas contratados de participarem
do ato “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”.
Em agosto do ano passado,
trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) denunciaram, em
dossiê, censura na empresa, com veto a reportagens, de um lado, e
indução a coberturas favoráveis ao governo Temer.
Um caso emblemático denunciado
pelos jornalistas da EBC está relacionado ao assassinato da vereadora Marielle
Franco e de seu motorista, Anderson Silva, no Rio de Janeiro, em março do ano
passado. A cobertura foi diminuída após ser criticada por gerentes da Agência
Brasil, que disseram estar “cansativa” e que estaria dando “palanque ao PSOL”.
Na mesma linha, Ruth Manus,
ex-colunista do jornal O Estado de S. Paulo,
foi demitida após fazer um artigo com críticas ao então candidato do PSL.
Para José Carlos Torves, diretor
executivo da Fenaj, a retaliação desnuda a falsa
imparcialidade de parte da mídia, que sai em defesa do governo.
“Essa pressão já era exercida no
interior das redações. Agora ela se externaliza porque o anunciante e uma parte
da população que apoiou o atual governo também pressionam veículos de
comunicação para tomar medidas como demissão e afastamento de jornalistas
que ainda mantinham independência na sua opinião, para que sejam extirpados
dos veículos”, afirma Torves.
“A situação se agrava cada vez
mais. Estamos vivendo em uma democracia precária e uma liberdade de expressão
precária. Temos que parar de usar neologismos para qualificar o que de fato
é uma censura escancarada”, denuncia o diretor
da Fenaj.
![]() |
PAULO PONTES Jornalista demitido da Jovem Pan em 2017 |
A
coisa é antiga
Jornalista demitido da Jovem Pan diz
que
“a lei era só criticar o PT e abafar
o resto”
Algumas
poucas pessoas viraram cordeiros para conquistar cargos e
assim
se mantém até hoje.
Mas
minha ética, meu compromisso com a verdade e
com
a condição apolítica não me permitiam vender a alma.
Do Facebook do Paulo Pontes (ex-âncora
da Jovem Pan)
“Gente, parece incrível, mas ontem
postei aqui que completava 21 anos de Jovem Pan. Agradeço a todos que curtiram
e comentaram. Mas, ironia do destino, venho no dia seguinte comunicar a todos
que meu ciclo na Jovem Pan terminou.
Não tenho o que reclamar. Uma casa
onde trabalhei por 21 anos ficará para sempre marcada em minha vida como, tenho
absoluta certeza, apesar da falta de modéstia, que ficarei lá.
Só posso agradecer, começando pelo
começo, à Renata Perobelli Borba que fez a ponte, lá atrás, como Anchieta Filho
, e me levaram para conversar com o Zé Pereira. E assim mudei da Bandeirantes
para a Jovem Pan em 10 de outubro de 1996.
Antonio A Carvalho , o seu Tuta,
foi um grande patrão e confiou em mim. Pois foi ele quem me colocou como
titular do Jornal da Manhã em 13 de dezembro de 1999. Por 16 anos tive a honra
de apresentar esse jornal. Mas com as mudanças na empresa, fui limado da
bancada por não admitir o radicalismo que se impôs na linha editorial.
Para mim, desde sempre, Lula, Aécio, Temer, Alckmin e
milhares de outros se equivalem. Mas a lei era só criticar o PT e abafar
o resto. Algumas poucas pessoas viraram cordeiros para conquistar cargos e
assim se mantém até hoje. Mas minha ética, meu compromisso com a verdade e com
a condição apolítica não me permitiam vender a alma.
Isso foi o início do meu fim na
Jovem Pan. Admiro toda a família do seu Tuta, exceção feita aos dois
filhos, que, inclusive, são bloqueados em meu Face. A Jovem Pan não os merece.
A todos, indistintamente, todos com
quem eu trabalhei na Jovem Pan, alguns com maior proximidade, outros nem tanto,
meu muito obrigado e o agradecimento eterno por terem me permitido fazer parte
desta grande equipe e grande casa. A vida segue.
Não defini ainda o caminho que vou
tomar, mas em breve espero ter tido essa definição. Aos ouvintes, muito fieis,
meu muito obrigado e a certeza de que nunca enganei qualquer um com meus
comentários, induzindo a interesses próprios. E assim continuarei, esteja onde
estiver.”
Para
concluir, assista a este vídeo,
no
qual Paulo Henrique Amorim entrevista
o jornalista
e escritor Mário Magalhães,
autor
do livro «Sobre lutas e lágrimas: uma biografia de 2018», editora Record.
VALE A
PENA!
Clique
sobre a imagem:
Comentários
Postar um comentário