Adolescentes e fé
Os incapturáveis ? ? ?
Lorenzo Prezzi
Settimana
News
12-05-2019
Os adolescentes (entre 12 e 18 anos)
escapam dos cuidados educacionais escolares, assim como dos eclesiais. Não é
difícil encontrar genitores exasperados pelos seus desafios.

No entanto, é uma época decisiva em
que florescem as possibilidades, também em termos de fé. O número 12 (2018) da Documents
episcopat, revista publicada pela secretaria da Conferência dos Bispos da
França, indica, em uma dezena de breves artigos, os maiores desafios dessa
idade: educativos, missionários e eclesiais.
Arrastados pelas tumultuosas
mudanças do corpo, da mente e da consciência, os adolescentes são obrigados a
responder à perene pergunta: “Quem sou eu?”, em um contexto em que a
norma social parece ter desaparecido, enquanto se multiplicam as injunções
(roupas, linguagens, música etc.) e se torna opressivo o imperativo da
autonomia.
Reconhecer o bem, aprender a
escolher, viver em relação: esses são os maiores desafios educacionais.

Digitais e insubmissos
O ambiente digital e o jogo
sexual parecem ser as características mais intrigantes da nova geração. Os
“nativos digitais” (definição, aliás, bastante controversa) vivem o ambiente
digital como algo obrigatório. As suas capacidades são fruto da aprendizagem
na imitação. Eles se tornam digitais, não nascem assim. Eles assumem os
seus imperativos: “imediatismo, ilimitabilidade e continuidade
representam os três pilares do digital”.
O fato de estar sempre conectado
não é apenas uma tarefa, mas também um espaço de personalidade que se soma ao
“Id – Ego – Superego” da tradição freudiana. Assim são identificados os
pontos que caracterizam os “jovens mutantes”:
* os
“mutantes” não são mais psicossocialmente moldados para integrar a
autoridade de tipo paterno;
* não são
mais psicossocialmente moldados para integrar os modos de aprendizagem
baseados na “submissão” ao saber de um mestre;
* não
aprendem o respeito exceto a partir do respeito que lhes é concedido;
* aprendem
conosco (adultos) a partir daquilo que nos veem fazer, e não daquilo que
nós lhes ordenamos a fazer;
* conversas
e negociações “igualitárias” tornam-se os instrumentos privilegiados do
codesenvolvimento nosso e dos nossos jovens”.
A brecha geracional muitas vezes
manifesta mais o medo dos adultos do que a situação real dos
adolescentes.

A sexualidade do adolescente
hoje
Em relação à sexualidade, o
desafio que eles enfrentam é o de reconhecer o estatuto do corpo, a unidade da
sua pessoa e o sentido dos gestos e dos atos. Trata-se de um horizonte
antropológico em relação ao qual as listas normativas são incompreensíveis.
Acima de tudo, o sexo é vivido
como um puro jogo de prazer, submetido à única regra do consenso. Uma
vertigem imediata sem duração e sem compromisso. O anteparo do gênero
torna-se fluido e, para além das infinitas discussões sobre a teoria
de gênero, condiciona a vida afetiva e sexual dos adolescentes, arrastados
pelos modelos propostos a eles pela cultura midiática.
A sexualidade tende a se tornar o
jogo dos possíveis e se expande sobre a onda de desejos múltiplos e flutuantes.
O ato sexual se reduz a uma experiência, mesmo quando é de
tipo homossexual ou bissexual.
Os modelos de conformidade,
por um lado, são os da publicidade e, por outro, os da pornografia,
que “é a principal fonte de informação e de formação em matéria sexual para
os adolescentes”.
Mas precisamente a relação mecânica
e desconectada da emoção transmitida pela pornografia relança a exigência,
muito viva nos jovens, da unidade da sua pessoa e do perigo de uma dissociação
íntima quando o corpo, próprio e alheio, é reduzido a um instrumento. Daí nasce
uma conscientização não só da unidade pessoal própria, mas também de um dom de
si livre e responsável. O controle dos gestos não é mais castração, embora
seja alcançado através de tentativas e erros.
Assim, abre-se uma nova
confidência com o adulto, chamado a acompanhar e a não forçar as etapas.
Até a descoberta da interioridade que habita o corpo, o silêncio
meditativo que alimenta a pessoa, a capacidade de estar consigo mesmo no dom
aos outros.
O “eu” e o “eu creio”
O percurso catecumenal
parece ser o mais adequado para acompanhar a formação de fé nos adolescentes.
Começando pela sua consciência de verem morrer a criança que existe neles em
favor de um novo adulto, percepção que se aproxima da tarefa do cristão de
deixar morrer o homem velho por uma nova vida. No momento do crescimento, a
criança que se torna adolescente aprende a pensar sozinha, a agir por vontade
própria, a ser um “eu” diante dos outros.
O percurso catecumenal também transforma
um simpatizante da Igreja em uma pessoa que é capaz de dizer “eu creio”.
Assim, os pequenos gestos de emancipação podem ser colocados ao lado do rito de
passagem da crisma. Um caminho a ser feito em grupo e dentro das relações que
se estabelecem com as lideranças de fato e as propostas pelos adultos. A estes
últimos, compete particularmente a delicada tarefa do acompanhamento. Ele conhece a paciência do
crescimento, a marcação das etapas, a dimensão relacional e social.
“Acompanhar uma criança, um adolescente no caminho da fé
significa esforçar-se para criar as condições para um
encontro com Cristo,
é a proposta de partir para o seguimento a Cristo em
um caminho que lhe seja próprio.
Em suma, trata-se de ajudá-lo a escutar o apelo do Cristo
dentro da sua vida,
a descobrir a vocação que lhe é própria e a responder
a ela.”
As pequenas decisões ao seu alcance
têm o efeito de estruturar e relançar energias para outros passos. É caminhando
que se aprende a caminhar, permitindo que se intua o fio dourado do Espírito
que atravessa as decisões individuais. O apelo vocacional é totalmente
funcional para a construção da identidade pessoal.
O conjunto da comunidade cristã e
os educadores individuais são chamados a viver a relação educativa sob a
insígnia de três gestos fundamentais:
* “Eu creio
em ti”,
* “Eu espero
contigo”,
* “Eu te amo
assim como Cristo te ama”.
Sabendo que cada vez menos
adolescentes virão à Igreja, e será necessário alcançá-los nos lugares que eles
frequentam.
Um ensinamento “de cima para baixo”
não funciona mais. “Os jovens querem ser atores das suas descobertas,
aprendem melhor se são interativos com aquilo que lhes propomos. Entrar nos
seus modos de funcionamento, utilizar os seus instrumentos midiáticos só
pode nos ajudar a entrar em uma dinâmica nova do anúncio com os instrumentos do
nosso tempo.”

A missa e os ritos
E a missa?
* “Longa
demais, sempre a mesma coisa, sempre o mesmo que fala.”
* “Bonita
pelos encontros com os outros, mas aos domingos, sem os amigos, é chata.”
* “Não se
entende nada das palavras do padre e dos leitores... Até em sala de aula é
possível fazer perguntas.”
* “Ir com os
pais é maçante, e depois só tem velhos”.
A dureza das afirmações dos
adolescentes (algumas totalmente compartilháveis até mesmo pelos adultos)
não esconde o desafio explosivo contido no rito, de um mistério que
ocorre diante de nós e conosco, que descentraliza a vida, que interrompe à
força os nossos tempos, que nos obriga à interioridade.
Não é fácil para o adolescente
entender a lacuna entre a turbulência interior produzida pelo rito e o seu
aspecto imutável. “Eu acho que a missa é um problema porque é fonte de
angústia para muitos adolescentes e adultos que têm cada vez menos o hábito ao
silêncio e à gestão das frustrações.” “Devemos reconhecer o incômodo
representado pela missa e como ela requer delicadeza e acompanhamento da nossa
parte.”
São duas as pistas propostas:
o rito e a participação da família.
A ritualidade é necessária para todos, e
viver a Eucaristia com a família ou com os educadores
é o único meio para torná-la fecunda para os jovens.
A Documents Episcopat
propõe, na segunda parte da revista, uma série de experiências práticas de
associações e de movimentos que são próprios da tradição francesa, como o
trabalho nas escolas católicas e nas capelanias escolares, a ação educativa das
novas comunidades, as peregrinações juvenis e a experiência das “igrejas dos
jovens”. Há outras, como o escotismo e as associações católicas, que também
valem para o contexto italiano.
Limito-me a destacar o papel de
Taizé, que aqui é remetido à sua introdução à oração.
“Três dimensões da oração em Taizé parecem ecoar na busca dos jovens: uma
oração acessível, uma oração meditativa, uma oração do coração”.
A oração da comunidade aberta a
todos foi progressivamente enfraquecida e limada para chamar a maior atenção
possível. O canto com textos curtos da Escritura de forma responsorial e
repetitiva facilita a meditação. “Através do canto,
do silêncio, os jovens se descobrem capazes de
um coração novo, de um coração simples no sentido etimológico da palavra, de um
coração contrito.”
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