Este não é um país sério!
O site “aliado a hackers criminosos”
Leandro Demori – Editor Executivo
Glenn Greenwald – Editor Fundador e Colunista
The
Intercept Brasil
Jamais "The Intercept Brasil" falou que sua
fonte era um "hacker" ! ! !
fonte era um "hacker" ! ! !
![]() |
SERGIO MORO Ministro da Justiça e da Segurança Pública de Jair Bolsonaro |
No último domingo, o Brasil foi
surpreendido por três reportagens explosivas publicadas pelo The Intercept Brasil.
Nelas, nós mostramos as entranhas da Lava Jato e mergulhamos fundo em
poderes quase nunca cobertos pela imprensa. Quase todos os jornalistas que
eu conheço preferem se manter afastados disso: apontar o dedo para procuradores
e juízes é, antes de tudo, perigoso em muitos níveis – eles têm razão.
As primeiras reações dos
envolvidos no escândalo foram essas:
* O Ministério
Público Federal (MPF) preferiu focar em hackers, e não negou a
autenticidade das mensagens.
* Sergio
Moro disse que não viu nada de mais, ou seja: não negou a
autenticidade das mensagens.
Moro, na verdade, se emparedou: em
entrevista ao Estadão [clicar aqui],
ele inicialmente não reconhece como autêntica uma frase que ele mesmo disse.
Mas depois diz que pode ter dito. E depois ainda diz que não lembra se disse. Moro
está em estado confusional.
Horas depois, à Folha de S.
Paulo [clique aqui],
Moro confirmou um dos chats que publicamos: em uma coletiva, ele chamou
de “descuido” o episódio no qual, em 7 de dezembro de 2015, passa uma pista
sobre o caso de Lula para que a equipe do Ministério Público investigue [clique
aqui].
Confessou que ajudou a acusação informalmente, o que é contra a lei.
Como dizem as piores línguas: tirem suas próprias conclusões.
Deltan Dallagnol não negou tampouco. Ele está
bastante preocupado com o que diz ser um “hacker”, mas sequer entregou seu
celular para a perícia. [Nossa, que preocupação
com os “hackers”!!!]
É evidente que nem Moro, nem Deltan
e nem ninguém podem negar o que disseram e fizeram. O Graciliano Rocha,
do BuzzFeed news [clique aqui],
mostrou que atos da Lava Jato coincidiram com orientações de Moro a Deltan
no Telegram. Moro mandou, o Ministério Público Federal [MPF] obedeceu. Isso
não é Justiça, é parceria. Ontem, nós mostramos a mesma coisa: Moro
sugeriu que o MPF atacasse a defesa de Lula usando a imprensa, e o MPF obedeceu.
Quem chefiava os procuradores? Só não vê quem não quer. [Isso é ilegal!!! Não importa a
finalidade, é ilegal do mesmo modo!!!]

A imprensa séria virou contra
Sergio Moro e Deltan Dallagnol em uma semana graças às revelações
do THE INTERCEPT BRASIL:
a) O Estadão,
mesmo que ainda fortemente aliado de Curitiba, pediu a renúncia de Moro e o
afastamento dos procuradores [clique aqui].
b) A Veja
escreveu um editorial contundente (“Moro ultrapassou de forma inequívoca a
linha da decência e da legalidade no papel de magistrado.”) e publicou uma
capa demolidora [clique aqui].
c) A Folha
de S. Paulo está fazendo um trabalho importante com os diálogos,
publicando reportagens de contexto absolutamente necessárias [clique aqui].
É bom saber que...
Durante cinco anos, a Lava Jato
usou vazamentos e relacionamentos com jornalistas como uma estratégia de
pressão na opinião pública. Funcionou, e a operação passou incólume, sofrendo
poucas críticas enquanto abastecia a mídia com manchetes diárias. Teve pista livre para cometer ilegalidades em nome do
combate a ilegalidades. Agora, a maior parte da imprensa está
pondo em dúvida os procuradores e o superministro.
Mas existe uma força
disposta a mudar essa narrativa. A grande preocupação dos envolvidos agora,
com ajuda da Rede Globo – já que não podem
negar seus malfeitos – é com o “hacker”. E também nunca vimos tantos
jornalistas interessados mais em descobrir a fonte de uma informação do que com
a informação em si.
Nós jamais falamos em
hacker. Nós não falamos sobre nossa fonte. Nunca.
Já imaginou se toda a imprensa
entrasse numa cruzada para tentar descobrir as fontes das reportagens de todo
mundo? A quem serve esse desvio de rota? Por enquanto nós vamos chamar só de
mau jornalismo, mas talvez muito em breve tudo seja esclarecido. Nós já
vimos o futuro, e as respostas estão lá.
A ideia é tentar nos colar a algum
tipo de crime – que não cometemos e que a Constituição do país nos
protege. Moro disse que somos “aliados de criminosos”, em um ato de
desespero. Isso não tem qualquer potencial para nos intimidar. Estamos
apenas no começo.
Esse trabalho todo que estamos
fazendo só acontece graças ao esforço de uma equipe incrível aqui no THE
INTERCEPT BRASIL. De administrativo a redes sociais, de editorial a
comunicações, todos estão sendo absolutamente fantásticos. Nós queremos
agradecer imensamente por tudo, e pedir para que vocês nos ajudem a continuar
reportando esse arquivo.
Assista a este vídeo do grande jornalista
Paulo Henrique Amorim, clicando sobre a imagem:
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