14º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia

Evangelho: Mateus 11,25-30

Clique sobre a imagem, abaixo,
para assistir à narração do Evangelho deste Domingo:


José María Castillo
Teólogo espanhol

O Evangelho é humanidade e felicidade

Este texto impressionante é uma revelação. Não somente da intimidade de Jesus com Deus, mas sobretudo, de quem é Jesus e de quem é Deus. Com efeito, o «conhecimento» mútuo e recíproco entre Jesus e o Pai se expressa mediante o verbo grego «epiginósko», que exprime, não somente, uma «informação», mas um «conteúdo teológico»: a relação do Filho com o Pai e a relação do Pai com o Filho é a razão e o conteúdo da revelação. É «conhecimento do igual pelo igual».

Isso quer dizer que, em Jesus, em sua VIDA e sua FORMA DE PROCEDER, lá e aqui, é onde conhecemos Deus. O que, em outras palavras, significa que a vida e o comportamento de Jesus é a revelação de Deus. Em Jesus, portanto, conhecemos e encontramos Deus.

Porém, a importância deste texto não está somente na profunda relação de Jesus com o Pai. O que mais impressiona, neste texto, é que essa revelação que Jesus nos faz de Deus, não somente nos diz que na vida de Jesus se nos revela o Transcendente, ou seja, Deus. Além disso, explica-nos porque Jesus viveu de modo que centralizou suas preferências nas «pessoas simples», nos «nêpioi» (grego: Mt 11,25; Lc 10,21). Nas pessoas mais humildes, que carecem de títulos e honrarias, de dignidades e estima da parte dos notáveis.

Por quê? Porque são esses «pequenos», simples e últimos, aqueles que não têm mais que sua própria humanidade. Decididamente, quem se relaciona seriamente e profundamente com Deus não pode estar com todo mundo.

Quer dizer, quem leva a sério Deus, é aquele que leva a sério
os mais humildes e desamparados da sociedade.

Porém, o mais decisivo aqui está em compreender que Deus nós o encontramos no HUMANO, no mais puramente humano, no que é simplesmente manifestação de nossa condição humana. Isso foi Jesus em sua vida. E é isso aquilo de mais original e eloquente que Jesus nos revela, justamente ao explicar quem é Deus e como é Deus.

Por isso, o chamamento de Jesus se dirige aos que vão pela vida «sobrecarregados» e «cansados». Sobrecarregados pelo jugo que os oprime. Esse jugo é, claro, tudo aquilo que nos faz sofrer, seja o que for e venha de onde vier. Na Bíblia se faz referência ao jugo dos poderes políticos opressores: Egito, Síria, Babilônia e Roma (Lv 26,13; Is 9,4; 10,27; 14,5; Jr 37,8; Ez 34,17).

Porém, na época de Jesus, quando se mencionava o «jugo», tratava-se, sobretudo, do jugo que era a Lei religiosa, que se havia convertido em uma carga insuportável, como consta nos Salmos de Salomão, um livro apócrifo do Antigo Testamento, que se rezava nas sinagogas. O salmo 17 se refere, expressamente, à Lei como «jugo». Portanto, Jesus não quer, não tolera, uma lei religiosa que se torna uma carga dura para os pobres.

A religião de Jesus é suave, leve, agradável de levar. Porque é HUMANIDADE e FELICIDADE para todos. O Evangelho é o que mais e melhor se adapta à nossa condição humana.

Traduzido do espanhol por Pe. Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: CASTILLO, José María. La religión de Jesús: comentario al Evangelio diário 2020. Bilbao: Desclée De Brouwer, 2019, páginas 238-239.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A necessidade de dessacerdotalizar a Igreja Católica

Dominação evangélica para o Brasil

Eleva-se uma voz profética