16º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia
Evangelho: Mateus 13,24-43
Clique
sobre a imagem, abaixo,
para assistir
à narração do Evangelho deste Domingo:
José Antonio
Pagola
Biblista
e teólogo espanhol
ESTAR ATENTOS AOS PEQUENOS
Em geral, tendemos a buscar a Deus
no espetacular e prodigioso, não no pequeno e insignificante. Por isso, foi
difícil para os galileus acreditarem em Jesus quando lhes disse que Deus já
estava trabalhando no mundo. Onde seu poder poderia ser sentido? Onde
estavam os «sinais extraordinários», que os escritores apocalípticos falaram?
Jesus teve que ensiná-los a
compreender a presença salvadora de Deus de outra maneira. Ele lhes revelou sua
grande convicção: a vida é mais do que aquilo que se vê. Enquanto vivemos
de maneira distraída, sem entender nada de especial, algo misterioso está
acontecendo dentro da vida.
Jesus vivia com essa fé: não
podemos experimentar nada de extraordinário, mas Deus está trabalhando o mundo.
Sua força é irresistível. Leva tempo para ver o resultado final. Acima de tudo,
é preciso fé e paciência para olhar profundamente a vida e intuir a ação
secreta de Deus.
Talvez a parábola que mais
surpreendeu os ouvintes foi a da semente de mostarda. É a menor de todas,
como a cabeça de um alfinete, mas com o tempo se torna um belo arbusto. Em
abril [na Europa], todos podem ver bandos de pintassilgos abrigados em seus
galhos. Este é o «reino de Deus».
O desconserto tinha que ser geral. Os
profetas não falaram assim. Ezequiel o comparava a um «cedro magnífico»,
plantado em uma «montanha elevada e excelsa», que lançaria um ramo exuberante e
serviria de abrigo para todos os pássaros e aves do céu. Para Jesus, a
verdadeira metáfora de Deus não é o «cedro», que faz pensar em algo grande e
poderoso, mas a «mostarda», que sugere o pequeno e insignificante.
Para seguir Jesus, não é preciso
sonhar com grandes coisas. É um erro para seus seguidores buscar uma Igreja
poderosa e forte que prevaleça sobre os outros. O ideal não é o cedro
empoleirado em uma montanha alta, mas a mostarda que cresce ao longo das
estradas e recebe os pintassilgos em abril.
Deus não está no sucesso, no poder
ou na superioridade. Para descobrir sua presença salvadora, devemos estar
atentos ao pequeno, ao comum e ao cotidiano. A vida não é apenas o que se vê. É
muito mais. Assim pensava Jesus.

José María
Castillo
Teólogo
espanhol
NINGUÉM É JUIZ DE NINGUÉM
O ensinamento desta parábola [do
joio e do trigo] está claro: a juízo de Jesus, ninguém tem nesta vida o
direito de erigir-se em juiz do bem e do mal. Ninguém tem, portanto, o
direito de decidir onde está o bem (o trigo) e onde está o mal (o joio). E
menos ainda, ninguém tem o direito de considerar-se com poder para pretender
extirpar o mal pela raiz (arrancar o joio). Porque pode, muito bem, acontecer
que, pensando que se arranca o joio, na realidade o que está se arrancando é
o trigo.
Portanto, ninguém pode
constituir-se em juiz dos demais. Ninguém tem direito de fazer isso. Ninguém
pode condenar ninguém, rejeitar ninguém, reprovar a quem seja. Porque corre o
perigo de equivocar-se. De modo que, pensando que faz uma boa coisa, na
realidade o que leva a cabo é um dano.
Jesus condena, assim, o puritanismo
e a intolerância. Todos corremos o perigo de incorrer nesse tipo de conduta.
E nós sabemos, muito bem, até que ponto as pessoas andam por aí condenando,
rejeitando, ofendendo, insultando... Porém, esse perigo aumenta,
na medida em que, uma pessoa se faz mais religiosa, sobretudo, se sua
religião é de caráter fundamentalista. Então, a intolerância supera todos os
limites e chega a criar ambientes nos quais não se pode nem respirar.
Este mundo está repleto de
fanáticos, que se consideram com o direito e o dever de obrigar que os outros
mudem, até pensar e viver como pensa e vive o fanático intolerante. As
pessoas «muito religiosas» dão medo! E tornam a vida insuportável e a
convivência amarga.
No fundo, o problema está em que,
no final das contas, o bem e o mal são categorias que dependem dos que tem poder
para defini-las. Friedrich Nietzsche (filósofo alemão: 1844-1900)
disse muito bem: «foram os bons mesmos, isto é, os nobres, os poderosos, os
homens de posição superior... quem se sentiram e valorizaram a si mesmos e à
sua obra como bons, ou seja, como algo de primeiro escalão, em contraposição a
todo o baixo, abjeto, vulgar e plebeu» (Genealogia da moral I, 2).
E é, assim, que vamos limpar o
campo do Senhor do suposto joio?
No final das contas, a essência do
fanatismo consiste no desejo (e até no empenho) de «obrigar
os outros a mudarem» (Amos Oz – escritor israelense: 1939-2018).
Neste ponto coincidem todos os fanáticos do mundo, os quais, com frequência,
degeneram para a violência e o terror.
Traduzido do espanhol por Pe.
Telmo José Amaral de Figueiredo.
Comentários
Postar um comentário