Vergonhoso!
A
ONU alerta que a covid-19 acelerará a transferência do poder econômico e
político para as elites ricas
El Salto
Estima-se que a
pandemia some 70 milhões de pessoas
aos números atuais de
extrema pobreza.
Mais de 250 milhões
de pessoas correm o risco de fome aguda,
observa o relatório

“O mundo está em uma encruzilhada existencial que
envolve:
* uma pandemia,
* uma profunda crise econômica,
* mudança climática devastadora,
* desigualdade extrema e
* um movimento que desafia a prevalência do racismo em
muitos países”.
Com estas palavras, o relator especial sobre pobreza extrema
da ONU, Philip Alston, destaca o seu relatório “O lamentável estado
da erradicação da pobreza”.
Alston, que nos próximos dias apresenta em Genebra suas
conclusões e seu relatório sobre a Espanha, fala sobre o descaso de longa
data na abordagem da pobreza por governos, economistas e defensores dos
direitos humanos. E destaca a “escandalosa falta de ambição” para erradicar
a pobreza.
Para Alston, a autocomplacência das instituições
internacionais, especialmente acentuada pelas fórmulas do Banco Mundial para
medir a redução da pobreza, levou a uma década perdida, já antes da covid-19,
na luta contra a desigualdade. O resultado nítido, sugere Alston, é que a
redução da pobreza nominal se deve apenas à diminuição das carências materiais
em um único país: a China.
Estima-se que a pandemia some 70 milhões de pessoas aos
números atuais de extrema pobreza. Mais de 250 milhões de pessoas correm o
risco de fome aguda, observa o relatório. Para Alston, a resposta, longe de
enfrentar o problema, está aumentando-o, na medida em que os governos
continuam investindo dinheiro em práticas repressivas e sistemas penitenciários,
“ao mesmo tempo em que privam comunidades pobres de direitos básicos, como
assistência médica decente, habitação e educação”.
“Se tivessem sido
estabelecidas bases de proteção social,
as centenas de milhões de
pessoas que ficaram sem assistência médica,
comida e abrigo adequados e
segurança básica
teriam sido poupadas de algumas das piores consequências”,
explica Alston, em seu relatório.
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Seis brasileiros concentram a mesma riqueza que a metade da população mais pobre. Os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95% da população |
Em vez disso, o que chama de “as pressões infinitas para
promover a consolidação fiscal”, ou seja, o controle do déficit, dívida e
cortes de impostos para os mais abastados, conduziram os sistemas de proteção
social para “mais próximos dos modelos do século XIX, em vez das aspirações do
final do século XX”, explica o já ex-relator da ONU.
Quando isso se combina com “a próxima geração de políticas de
austeridade posterior à covid-19, a transferência dramática do poder econômico
e político às elites ricas, que caracterizou os últimos quarenta anos, será
acelerada, em um momento em que o alcance e a profundidade da pobreza global
serão até mais politicamente insustentáveis e explosivos”, conclui Alston.
Traduzido
do espanhol pelo Cepat.
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