15º Domingo do Tempo Comum – Ano A – Homilia
Evangelho: Mateus 13,1-23
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sobre a imagem, abaixo,
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à narração do Evangelho deste Domingo:
José María
Castillo
Teólogo
espanhol
A FORÇA DO REINO ESTÁ ENTRE
NÓS
Para entender esta parábola, a
primeira coisa que se deve levar em conta, é que a «palavra» (em grego: logos;
em hebraico: dâbâr), nas cultura do Oriente Antigo, não era meramente um
«signo» que transmite uma «ideia», mas era uma «força» que transmitia uma
«realidade». A realidade que expressava a palavra.
Nesta parábola, o que Jesus explica é porque
muitas vezes a palavra
não é força, mas se frustra e, por isso,
resulta
ineficaz ou sua eficácia é diminuída, limitada.
Como isso é mencionado na Bíblia, a
«palavra de Deus», não se associa ao sacerdote (Zacarias, o pai do Batista,
ficou sem palavra, mudo: Lc 1,20), enquanto que a palavra veio sobre João,
não no Templo, mas no deserto (Lc 3,2). E é que a palavra era o meio pelo
qual os profetas comunicam sua força ao povo (Am 1,6).
Porém, com Jesus, o tema da palavra
dá um passo adiante que se torna decisivo: a palavra de Deus é a palavra de
Jesus: «Porém, eu vos digo» (Mt 5,22. 28...). A palavra de Jesus tem tal
força, que:
* faz
milagres (Mt 8,8.16; Jo 4,50-53),
* perdoa
pecados (Mt 9,1-7 paralelos),
* transmite
seu poder pessoal (Mt 18,18; Jo 20,23),
* perpetua
sua presença (Mt 26,26-29 paralelos).
Pois bem, levando em consideração
tudo aquilo que foi exposto, a pergunta que temos de afrontar é forte: Por que,
com tanta frequência, a palavra do clero, dos catequistas, dos professores de
religião, não é semente para nada?
Por que essa palavra torna-se tão
inexpressiva,
tão pesada, tão incômoda, tão rotineira?
Não seria porque, no lugar de
«profetas» da palavra, temos «funcionários» do templo? Isso tudo não indicará
que nos apegamos a uma religião rotineira e cômoda, enquanto nos afastamos
do Evangelho de Jesus?
Porém, se vamos até o fundo do que contém
todo esse assunto, o que fica claro é que a Palavra, que disse Deus ao
mundo, é o próprio Jesus e somente Jesus.
Porque a encarnação da Palavra não
alude a Jesus como um enviado escatológico em quem Deus atua hoje, mas afirma a
presença d0 próprio Deus na carne. Em outras palavras: a encarnação da
Palavra significa a presença de Deus na pessoa de Jesus. Isto é, em Jesus,
em sua VIDA, seus ATOS e suas PALAVRAS, é onde aprendemos:
* quem é
Deus,
* como é
Deus,
* o que
temos de fazer para nos relacionarmos com Deus.
José Antonio
Pagola
Biblista
e teólogo espanhol
SEMEAR
Ao terminar o relato da parábola do
semeador, Jesus faz esta chamada: «Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!».
Pede-nos que prestemos muita atenção à parábola. Mas, em que temos de
refletir? No semeador? Na semente? Nos diferentes terrenos?
Tradicionalmente, os cristãos têm
se fixado quase exclusivamente nos terrenos em que cai a semente, para rever
qual é a nossa atitude ao escutar o Evangelho. No entanto é importante
prestar também atenção ao semeador e ao seu modo de semear.
É a primeira coisa que diz o
relato: «Saiu o semeador a semear». Age com uma confiança surpreendente.
Semeia de forma abundante. A semente cai e cai por todas as partes, inclusive
onde parece difícil que possa germinar.
Às pessoas não lhes é difícil
identificar o semeador. Assim semeia Jesus a sua mensagem. Veem-no sair todas
as manhãs anunciando a Boa Nova de Deus. Semeia a Sua Palavra entre as pessoas
simples, que a acolhem, e também entre os escribas e fariseus, que a rejeitam.
Nunca se desalenta. A Sua sementeira não será estéril.
Sobrecarregados por uma forte crise
religiosa, podemos pensar que o Evangelho perdeu a sua força original e que a
mensagem de Jesus já não tem garra para atrair a atenção do homem ou da mulher
de hoje. Certamente, não é o momento de «colher» êxitos chamativos, mas de
aprender a semear sem nos desalentarmos, com mais humildade e verdade.
Não é o Evangelho o que perdeu força
humanizadora;
somos nós os que o estamos anunciando com uma
fé débil e vacilante.
Não é Jesus o que perdeu poder de atração.
Somos nós os que o desvirtuamos com as nossas
incoerências e contradições.
Papa Francisco diz que,
quando um cristão não vive uma adesão forte a Jesus, «depressa perde o
entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite, falta-lhe força e paixão. E
uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, apaixonada, não
convence ninguém».
Evangelizar não é
propagar uma doutrina, mas tornar presente no meio da sociedade e no coração
das pessoas a força humanizadora e salvadora de Jesus. E isto não se pode
fazer de qualquer forma. O mais decisivo não é o número de pregadores,
catequistas e professores de religião, mas a qualidade evangélica que nós
cristãos podemos irradiar:
* O que disseminamos?
*
Indiferença ou fé convicta?
*
Mediocridade ou paixão por uma vida mais humana?
Traduzido do espanhol por Pe.
Telmo José Amaral de Figueiredo.
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