Pasto ocupa 60% da área desmatada da região amazônica

FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA

Pecuária na região é pouco intensiva e desperdiça terra; agricultura responde por apenas 5% do total, diz Inpe 

Em segundo lugar vem a vegetação regenerada, formada em áreas que perderam a floresta e foram abandonadas 

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica - pouco mais de 60% da área que perdeu a cobertura natural foi substituída por pasto.

O dado faz parte de estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em parceria com a Embrapa, e considera o total desmatado até 2008 (720 mil km2) nos nove Estados amazônicos.

"O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre. A agropecuária precisa de políticas públicas para usar melhor a terra", afirmou Gilberto Câmara, diretor do instituto.

Segundo o estudo, somente 34,9 mil km2 (5%) são destinados à agricultura. A maior parte dessas terras está concentrada em Mato Grosso, grande produtor de soja. 

APROVEITAMENTO
"Temos uma área já desmatada que pode impulsionar a pecuária com mais produtividade, com mais eficiência, e aumentar a produção de alimentos", disse o ministro Aloizio Mercadante (Ciência, Tecnologia e Inovação).

Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o potencial da região, ainda inexplorado, desencoraja o discurso dos que defendem a redução da reserva legal no texto do Código Florestal, em tramitação no Congresso.

"Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura", afirmou a ministra.

"Vamos pesquisar cada vez mais para fundamentar políticas com dados sólidos e acabar com aquilo que eu chamo de 'achismo ambiental'. Nós não vamos admitir crime em relação ao desmatamento no Brasil, e na Amazônia em particular", resumiu a ministra.

Depois da pecuária, a vegetação secundária ocupa a maior área desmatada. Ao todo, 150,8 mil km2 estão nessa categoria.
"É o local onde houve investimento no desmate e, depois, completo abandono. Não identifica nenhuma atividade, nem agropecuária pouco produtiva", explicou o diretor do Inpe.

Fonte: Folha de S. Paulo - Ciência - Sábado, 3 de setembro de 2011 - Pg. C13 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0309201102.htm

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