1º Domingo do Advento – Ano B – Homilia
Evangelho:
Marcos 13,33-37
34 É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.
35 Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer.
36 Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo.
37 O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
SEMPRE É POSSÍVEL REAGIR
Talvez, sem nos darmos conta, nossa vida vai perdendo cor e
intensidade. Pouco a pouco parece que tudo começa a ser pesado e aborrecido.
Vamos fazendo, mais ou menos, o que temos de fazer, porém a vida não nos “preenche”.
Fonte: MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A.
Pagola –
Segunda-feira, 24 de novembro de 2014 – 12h40 – Internet: clique aqui.
Naquele
tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
33 “Cuidado!
Ficai atentos, porque não sabeis quando chegará o momento.34 É como um homem que, ao partir para o estrangeiro, deixou sua casa sob a responsabilidade de seus empregados, distribuindo a cada um sua tarefa. E mandou o porteiro ficar vigiando.
35 Vigiai, portanto, porque não sabeis quando o dono da casa vem: à tarde, à meia-noite, de madrugada ou ao amanhecer.
36 Para que não suceda que, vindo de repente, ele vos encontre dormindo.
37 O que vos digo, digo a todos: Vigiai!”
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
SEMPRE É POSSÍVEL REAGIR
Nem sempre é o desespero que destrói em nós a esperança e o
desejo de seguir caminhando, dia a dia, cheios de vida. Ao contrário, pode-se
dizer que a esperança vai se diluindo em nós, quase sempre, de modo silencioso
e imperceptível.

Um dia comprovamos que a verdadeira alegria foi
desaparecendo de nosso coração. Não somos mais capazes de saborear o bom, o
belo e a grandeza que há na existência.
Pouco a pouco, tudo foi se complicando. Talvez, já não mais esperamos
grande coisa da vida nem de ninguém. Não cremos mais, sequer, em nós mesmos.
Tudo nos parece inútil e sem mais sentido.
A amargura e o mau humor se apoderam de nós cada vez com
mais facilidade. Não mais cantamos. De nossos lábios não saem que sorrisos
forçados. Há algum tempo deixamos de rezar.
Talvez, comprovamos com tristeza que o nosso coração foi se
endurecendo e, hoje, não queremos bem a mais ninguém de verdade. Incapazes de
acolher e escutar a quem encontramos, cotidianamente, em nosso caminho, somente
sabemos nos queixar, condenar e desqualificar.
Aos poucos, caímos no ceticismo, na indiferença ou na “preguiça
total”. Cada vez com menos forças para tudo aquilo que exija esforço e
superação, não mais queremos correr novos riscos. Não vale a pena. Preocupados
com muitas coisas que nos pareciam importantes, a vida nos foi escapando.
Envelhecemos interiormente e algo está a ponto de morrer dentro de nós. O que
podemos fazer?
Primeiramente, despertar e abrir os olhos. Todos esses
sintomas são indício claro de que temos a vida mal colocada. Esse mal-estar que
sentimos é o sinal de alerta que começou a tocar dentro de nós.
Nada está perdido. Não podemos, imediatamente, sentir-nos
bem conosco mesmos, porém podemos reagir. Devemos nos perguntar sobre o que
descuidamos até agora, o que temos de mudar, ao que devemos dedicar mais
atenção e mais tempo. As palavras de Jesus são dirigidas a todos: “Vigiai”. Talvez,
hoje mesmo, temos de tomar alguma decisão.
UMA
IGREJA ACORDADA
As primeiras gerações cristãs viveram obcecadas pela
imediata vinda de Jesus. O ressuscitado não poderia tardar. Viviam tão atraídos
por ele que desejavam encontrar-se de novo o quanto antes. Os problemas
começaram quando viram que o tempo passava e a vinda do Senhor demorava.
Logo se deram conta de que esta demora continha um perigo
mortal. Podia-se apagar o primeiro ardor. Com o tempo, aquelas pequenas
comunidades podiam cair, pouco a pouco, na indiferença e no esquecimento.
Preocupava-lhes uma coisa: “Que, ao chegar, Cristo não os encontrasse
adormecidos”.
A vigilância se
converteu na palavra chave. Os evangelhos a repetem constantemente: “vigiai,
estais alertas”, vivei despertos. Segundo Marcos, a ordem de Jesus não é
somente para os discípulos que lhe estão escutando. O que vos digo, digo a
todos: “Vigiai”. Não é um apelo a mais. A ordem é para todos seus seguidores de
todos os tempos.
Passaram-se mais de vinte séculos de cristianismo. O que
houve com este apelo de Jesus? Como os cristãos de hoje vivem? Seguimos
acordados? Mantém-se viva a nossa fé ou se foi apagando na indiferença e
mediocridade?
Não vemos que a Igreja necessita de um coração novo? Não
sentimos a necessidade de sacudirmos a apatia e o autoengano?
Não despertaremos o melhor que existe na Igreja? Não
reavivaremos essa fé humilde e pura de tantos crentes simples?
Não recuperaremos o rosto vivo de Jesus, que atrai, chama,
interpela e desperta? Como podemos seguir falando, escrevendo e discutindo
tanto sobre Cristo, sem que a sua pessoa nos enamore e nos transforme um pouco
mais? Não nos damos conta de que uma Igreja “adormecida” à Jesus Cristo não
seduz nem toca o coração, é uma Igreja sem futuro, que irá se apagar e
envelhecer por falta de vida?
Não sentimos necessidade de despertar e intensificar nossa
relação com Jesus Cristo? Quem, como ele, pode despertar nosso cristianismo da
imobilidade, da inércia, do peso do passado, da falta de criatividade? Quem
poderá contagiar-nos com sua alegria? Quem nos dará sua força criadora e sua
vitalidade?
A Igreja não pode esquecer hoje “a responsabilidade da esperança”,
pois essa é a missão que recebeu de Cristo. Antes que “lugar de culto” ou “instância
moral”, a Igreja há de se compreender e
viver como “comunidade da esperança”.
Uma esperança que não é uma utopia a mais, nem uma reação
desesperada diante das crises e incertezas do momento.
Uma esperança que se fundamenta em Cristo ressuscitado, nele
aqueles que acreditam descobrem o futuro último que espera a humanidade, o
caminho que podemos e devemos percorrer para sua plena humanização e a garantia
última diante dos fracassos, da injustiça e da morte. “Velai, vigiai”.
Traduzido do
espanhol por Telmo José Amaral de
Figueiredo.
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