OS VERDADEIROS DONOS DO MUNDO - OS ULTRARRICOS
67 pessoas possuem um patrimônio
igual ao de metade do planeta – e a
diferença entre elas e o resto de nós
não para de crescer.
ANDREAS MÜLLER
As 67 pessoas mais
ricas do mundo têm US$ 1,72 trilhão.
Tanto dinheiro quanto
os 3,5 bilhões mais pobres.
Este ano, um grupo de 130 pessoas se reuniu em Copenhague,
capital da Dinamarca. Discutiram assuntos como economia global, mudanças
climáticas, guerras. Fizeram previsões, debateram, traçaram estratégias.
Parecia uma assembleia da ONU. Mas era um encontro do Grupo de Bilderberg: organização criada em 1954 para reunir as
pessoas mais poderosas do planeta. Seu encontro anual, que não é aberto a
ninguém da imprensa, reúne multibilionários e chefes de Estado e de Exércitos
(este ano, os destaques foram o líder supremo da OTAN, aliança militar presente
em 28 países, e o diretor-geral da NSA, a superagência de espionagem
americana).
“Estamos falando de uma rede global, mais poderosa do que
qualquer país, e determinada a controlar a humanidade”, diz o russo Daniel Estulin, autor de um livro sobre
o grupo. Ele pode estar exagerando um pouco. Mas é fato que os ultrarricos
nunca tiveram tanta força. A economia mundial patina e não consegue se
recuperar da megacrise de 2008, a maior dos últimos 80 anos. Ela começou com quebras
de grandes bancos nos EUA [Estados Unidos da América], que deixaram um rombo
estimado em US$ 2,7 trilhões, e se espalhou pelo planeta, gerando grandes ondas
de desemprego e recessão – da qual as principais economias do mundo ainda não
se recuperaram. Mas mesmo assim, em plena tempestade, o número de bilionários
dobrou. Agora um pequeno grupo, com as 67 pessoas mais ricas do mundo, tem
tanto dinheiro quanto os 3,5 bilhões de humanos mais pobres. É como se,
financeiramente, metade do planeta coubesse dentro de um ônibus. A desigualdade
de renda explodiu, e está se aproximando dos níveis que antecederam a Primeira
Guerra Mundial. E isso tende a ser um problema para quase todo mundo.
Mas antes: como chegamos a esse ponto? Afinal, se o mundo
está em crise, todos perdem, certo? Mais ou menos. Na verdade, as crises têm o
poder de concentrar renda, deixar os ricos mais ricos. E é fácil entender o
porquê. Quando as coisas apertam, pessoas e empresas são obrigadas a se
desfazer do seu patrimônio. Vendem imóveis pela metade do preço, liquidam ações
por menos do que valem e, claro, saem perdendo. Quem ganha são uns poucos – que
têm dinheiro para comprar tudo isso. “Para cada novo milionário, há muito mais
gente que perde dinheiro. Em geral, quem mais sofre são os pobres e a classe
média”, diz Rodolfo Olivo, professor de finanças da USP. Os mais ricos
compraram ações e empresas pagando pouco, logo no estouro da crise, e ganharam
com isso. De 2009 para cá o índice Dow Jones, que mede as principais ações das
bolsas americanas, subiu 149%.
Ao mesmo tempo em que aumentava a concentração de renda, a
crise emperrou as economias e instigou movimentos como o Occupy Wall Street – que começou como um protesto de 100 mil
pessoas no centro financeiro de Nova York e chegou a 1.500 cidades pelo mundo.
Tudo isso teve uma consequência inédita: fez um livro de
economia virar best-seller. O Capital no
Século XXI, escrito pelo economista francês Thomas Piketty, é um catatau de quase 700 páginas, que analisa as
economias de 20 países ao longo de mais de um século. É denso, complexo,
difícil de ler. Mas se tornou número 1 na Europa e nos EUA, com centenas de
milhares de cópias vendidas. No Brasil, foi lançado em novembro e imediatamente
alcançou o segundo lugar (só perdendo para a biografia do líder religioso Edir
Macedo). Piketty tem chamdo a atenção – e causado furor – porque demonstrou,
com estatísticas, que a desigualdade social está aumentando. E apresentou uma
explicação para esse fenômeno.
O contraste entre ricos e pobres não surge do nada. Ele vem
de uma força elementar: a diferença entre o capital e o trabalho. O capital
(dinheiro, imóveis, fábricas, ações, bens) pode ser investido e gerar mais
capital. Já o trabalho não tem esse poder multiplicador. E aí, diz Piketty, r
> g. Essa fórmula, que foi inventada por ele, é bem simples. O “r” é o ganho médio que o capital
consegue obter em um ano, por meio de investimentos. Já o “g” representa a taxa de crescimento da economia. Ou seja: se r é maior que g, quem tem capital para investir sempre ganha mais do que a
economia como um todo. E fica com uma fatia cada vez maior do bolo. Já quem
trabalha e recebe salário, ou seja a maioria das pessoas, fica com menos. E
como dizia o refrão daquela música, “o de cima sobre e o de baixo desce”.
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Manifestação "Occupy Wall Street" em Nova York Tradução do cartaz: "Você perdeu a sua casa? Wall Street roubou de você." |
Nem sempre foi assim. Entre as décadas de 1950 e 1970, o
processo foi inverso. O crescimento da economia era maior que o ganho dos
investimentos (ou seja, g > r). O mercado financeiro
lucrava menos do que a “economia real”, embalada pela reconstrução da Europa e
a explosão de prosperidade nos EUA. A desigualdade diminuiu. Mas a onda virou,
e a distância entre ricos e pobres voltou a crescer.
No final dos anos 70, os presidentes das 350 maiores
companhias do mundo ganhavam, em média, 30 a 40 vezes mais que os funcionários
de base. Hoje, a diferença de salário entre o presidente e o peão passa de 300
vezes. Nos Estados Unidos, o salário médio dos trabalhadores encolheu de US$ 4
mil para US$ 2.750 (em valores reais, descontando a inflação do período) entre
1978 e 2010. Já a remuneração do 1% mais rico disparou: foi de US$ 25 mil para
US$ 83 mil.
No Brasil, a concentração de renda caiu nos últimos 20 anos.
Mas ainda é brutal. Somos o 13º país mais desigual do mundo, só perdendo para
nações muito pobres, como Botsuana, Namíbia e Haiti. “Quanto maior é a
desigualdade, mais altas são as taxas de homicídio, de uso de drogas,
mortalidade infantil, doenças psiquiátricas e até de obesidade”, diz Richard Wilkinson, diretor da ONG
britânica The Equality Trust.
Reduzir a diferença entre ricos e pobres não é apenas uma
questão humanitária ou ideológica. É importante para a saúde da própria
economia. E quem diz isso não são pregadores esquerdistas: é o Fundo Monetário
Internacional, que publicou um estudo mostrando como a desigualdade extrema
tende a gerar crises, e o World Economic
Forum – que reúne 700 líderes econômicos globais e este ano elegeu a desigualdade como o grande
problema do mundo atual. Até o papa
Francisco andou palpitando a respeito: para ele, a desigualdade “provocará uma explosão da violência” no mundo se
não for contida.
O
DINHEIRO NO PODER
Os donos do mundo aproveitaram a crise e exploraram a
diferença entre capital e trabalho para aumentar suas fortunas. Mas também
podem recorrer a outros meios, como a política. A história está recheada de
casos de multibilionários que usaram suas fortunas para moldar o destino da
humanidade – e ficaram ainda mais ricos fazendo isso. No século 19, o banqueiro Nathan Rothschild foi o
grande instigador da derrota de Napoleão na batalha de Waterloo. Ele comprou a
maior parte dos títulos emitidos pelo Exército inglês para financiar a guerra.
Cheio de dinheiro, e portanto de armas, o Exército foi ao front e venceu.
Rothschild foi a primeira pessoa na Inglaterra a ficar sabendo. Sem avisar
ninguém, saiu vendendo seus títulos. Os outros investidores acharam que a
Inglaterra tinha perdido a guerra, e também venderam os títulos que possuíam.
Isso derrubou os preços deles. Rothschild aproveitou para recomprar tudo,
pagando baratíssimo. No dia seguinte, quando o resto do país foi informado da
vitória, o valor dos papéis disparou. E Rothschild multiplicou sua fortuna em
20 vezes. Ela chegou a US$ 350 bilhões, em valores atuais. Dá mais de quatro
Bill Gates.
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Nathan Mayer Rothschild - banqueiro inglês (1777-1836) |
Hoje, a influência dos überricos
[superricos] na política é mais sutil, mas igualmente forte. Um bom exemplo é o
Tea Party, que surgiu nos Estados Unidos em 2009 – à primeira vista, como
movimento popular. De repente, milhares de americanos estavam nas ruas para
protestar contra coisas que os incomodavam. Só que ninguém estava reclamando da
falta de saúde ou educação, ou de 20 centavos a mais na passagem do ônibus. As
reivindicações eram mais ao gosto de empresários e banqueiros: redução de
impostos, liberação nas emissões de CO2 (que, segundo Tea Party, não
é o responsável pelo aquecimento global) e fim do sistema de saúde gratuito que
Barack Obama tentava implantar nos EUA.
Com inclinações tão ostensivas, era difícil que a máscara
não caísse. A imprensa americana logo descobriu que, na verdade, o Tea Party
tinha sido criado e era financiado pelos irmãos David e Charles Koch – que
estão entre as dez pessoas mais ricas do mundo. Só neste ano, eles já compraram
43.900 espaços publicitários em TVs e rádios dos Estados Unidos para difundir mensagens
políticas e apoiar determinados candidatos. Quando foram flagrados como
criadores do movimento, os irmãos Koch não se abalaram. Admitiram tudo, e
disseram que seu objetivo é melhorar a “qualidade de vida” da sociedade.
No Brasil, são
notórios os casos de empresas ou de
milionários que dão dinheiro para financiar partidos políticos: são as
controversas doações de campanha. Nas últimas eleições [outubro/2014], elas
ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão, segundo o TSE [Tribunal Superior
Eleitoral]. As dez empresas que mais
doaram (JBS, Bradesco, Itaú, OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht, UTC
Engenharia, Queiroz Galvão, Vale e Ambev) financiaram
70% de todos os deputados federais eleitos – 360 de 513, segundo
levantamento do jornal O Estado de S.
Paulo.
As doações são permitidas por lei. Mas podem causar
distorções. Imagine que você foi eleito deputado. Certo dia, sua secretária
avisa que há duas pessoas esperando você. Uma é um cidadão qualquer. A outra é
um empresário que doou alguns milhões para a sua campanha (e de cuja ajuda você
vai precisar na próxima eleição). “Quem você se sentiria mais pressionado a
receber?”, pergunta Claudio Abramo,
diretor da ONG Transparência Brasil. “Os grandes doadores exercem uma pressão
muito maior sobre os políticos.” Uma possível saída seria limitar ou proibir as
doações privadas e financiar as campanhas com dinheiro público, como já
acontece em países como Suécia e França. Isso ajudaria a conter a influência
dos empresários. Mas a medida também tem seu lado polêmico, pois consumiria
recursos públicos. O valor do financiamento poderia ser fixado por lei,
obrigando as campanhas a gastar menos do que hoje. Isso enfrentaria grande
resistência da classe política, e o financiamento público não é uma panaceia –
pois candidatos mal-intencionados sempre poderiam receber dinheiro por fora,
por meio de caixa 2.
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George Soros - megainvestidor financeiro norte-americano |
De toda forma, quem tem força econômica nem sempre precisa
manipular os políticos. Às vezes, pode obriga-los a fazer as coisas. Como o megainvestidor George Soros, 24º homem
mais rico do mundo. Ele fez fortuna comprando e vendendo ações e títulos do
mercado financeiro – doa a quem doer. Sua maior demonstração de poder foi a
quebra do Banco da Inglaterra. O banco, que foi fundado no século 17, é o
equivalente inglês ao nosso Banco Central. Controla a economia e a moeda. Em
1992, a Inglaterra tinha feito um pacto com outros países da Europa. Ela se
comprometeu a manter sua moeda, a libra esterlina, numa cotação igual ou
superior a 2,77 marcos alemães (o erro ainda não existia). Se o valor caísse
abaixo disso, o Banco da Inglaterra era obrigado a intervir. O objetivo era
reduzir as oscilações econômicas na Europa. Mas Soros viu nisso uma grande oportunidade para lucrar.
Sem chamar a atenção, ele foi pegando empréstimos e
comprando libras esterlinas. Acumulou o equivalente a US$ 10 bilhões. Aí, no
dia 16 de setembro de 1992, vendeu todas. Jogou tudo de uma vez no mercado.
Como havia excesso de libras, a cotação delas despencou. Em pânico, o Banco da
Inglaterra tentou aumentar os juros e comprar libras para defender a moeda. Mas
Soros era mais forte. O governo inglês foi obrigado a abaixar a cabeça e
aceitar a desvalorização da libra. No dia seguinte, Soros recomprou, pagando
menos, tudo o que tinha vendido – e ganhou US$ 1 bilhão com isso. O episódio
ficou conhecido como “Quarta-feira Negra”. “Os grandes acertos de Soros foram
saber quem iria perder”, escreve o historiador Niall Ferguson em A Ascensão
do Dinheiro – A História Financeira do Mundo (Editora Planeta).
Naquela ocasião, o perdedor foi a Inglaterra. Mas não foi o
único caso do tipo. Esse jogo, em que grandes investidores forçam os países a
desvalorizar suas moedas, começou na Tailândia, se espalhou por vários países
da Ásia, chegou à Rússia e veio parar no Brasil. Em 1999, depois de sofrer um
ataque similar, o Banco Central foi obrigado a abandonar o sistema de bandas
cambiais, que estipulava uma variação máxima para a cotação do real.
E aí está outro problema da superconcentração de renda: ela
permite que megainvestidores, como Soros, tenham força para mexer com a moeda
de um país inteiro. Hoje, estima-se que haja
mais de US$ 600 trilhões aplicados no mercado financeiro, dez vezes mais do
que na chamada “economia real”. O
dinheiro que fica dentro do mercado, e não é investido em empresas e projetos,
só serve para fabricar mais dinheiro. Não movimenta a economia. “Não contribui para a inovação, a
capacidade empresarial, a criação de empregos”, diz o economista Evilásio Salvador, professor da
Universidade de Brasília.
A
UNIÃO FAZ A FORÇA
Os ultrarricos nem sempre exercem seu poder na política, ou
no mercado financeiro. Eles também influem sobre as coisas que você compra. Os
produtos e serviços são fornecidos por um número cada vez menor de empresas –
porque elas estão se juntando umas às outras. Entre 2002 e 2005, o Brasil teve uma média de 384 fusões e aquisições
por ano, segundo estudo da consultoria Price Waterhouse Coopers (PwC). De
2006 a 2009, essa média subiu para 646. De 2010 a 2013, chegou a 783. A concentração empresarial está acontecendo
no mundo inteiro, em todos os setores da economia. Por exemplo: no final
dos anos 50, a França tinha 20 montadoras de automóveis. Hoje, apenas duas
(Renault e Peugeot-Citroën), que foram absorvendo as demais. Na Itália, eram
19. Hoje, só uma (Fiat). Pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia da
Suíça, em Zurique, estudaram as 43 mil maiores empresas do mundo – e mapearam
todas as relações entre elas. Descobriram que um grupo muito pequeno manda numa parte enorme da economia global. “1%
das empresas controla 40% de toda a rede”, diz James Glattfelder, um dos
autores do estudo.
A concentração empresarial não é necessariamente ruim, mas
pode ser. Imagine se só existisse uma marca de creme dental, por exemplo. Ela
poderia cobrar bem caro e você seria obrigado a pagar, porque precisa escovar
os dentes. Na prática, isso não tem acontecido. O mercado brasileiro de
cerveja, por exemplo, é dominado pela AmBev (que tem 67,5%). Ela surgiu da
fusão entre Brahma e Antarctica, as duas maiores cervejarias do País. Mas desde
que foi criada, em 1999, os reajustes de preço da cerveja estiveram próximos da
inflação, sem aumentos abusivos. “Hoje a concorrência é muito maior do que no
passado”, diz o economista Rogério Gollo,
especialista em fusões e aquisições da PwC. Com os carros, aconteceu a mesma
coisa. Mesmo havendo menos fabricantes, os preços não subiram. A concentração
empresarial não está doendo no bolso, pelo menos não ainda. Mas uma coisa está.
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Jorge Paulo Lemann - sócio da AmBev - brasileiro É o 34º homem mais rico do mundo |
EFEITO
MATEUS
Os impostos. Quando pensamos neles, costumamos pensar no
governo: o dinheiro que ele arrecada e os serviços públicos, como saúde e
educação, que fornece em troca. O que pouca gente sabe é que, no Brasil, os ricos pagam proporcionalmente
menos impostos do que o resto da sociedade. Soa incrível, mas é verdade. Um
estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra o que
acontece. Uma pessoa que ganha dois salários mínimos por mês gasta 53,9% da sua
renda com impostos, que estão embutidos nos produtos que ele compra. Tem de
trabalhar 197 dias por ano só para pagar impostos. Já alguém que recebe 30
salários mínimos paga apenas 29% - e trabalha 106 dias, quase a metade do
tempo, para sustentar o governo.
Isso acontece porque, ao contrário do que acontece em países
desenvolvidos, os impostos brasileiros
estão mais concentrados nos produtos que as pessoas compram, e não no dinheiro
que elas ganham. E essa característica é uma máquina de produzir
desigualdade: porque os impostos tomam mais dinheiro daqueles que menos têm. “Isso onera os mais pobres, tornando-os
mais pobres ainda”, diz Evilásio Salvador, da Universidade de Brasília. É o
que os economistas chamam de Efeito Mateus (uma referência à passagem bíblica Mateus 25,14-30: “Porque àquele que tem
lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe
será tirado”).
Inverter essa lógica é difícil – afinal os mais ricos têm
poder para pressionar os políticos. Mas até alguns deles se dizem dispostos a
mudar. O megainvestidor Warren Buffet,
terceiro homem mais rico do mundo, sugeriu um plano ao presidente dos EUA. A
proposta, que ficou conhecida como “The Buffett Rule” (Regra Buffett), criava um imposto de renda de pelo menos 30% sobre
quem ganha mais de US$ 1 milhão por ano. Isso só afetaria 0,3% das pessoas. Mas
arrecadaria US$ 36 bilhões. É um oceano de dinheiro (mais do que todo o
orçamento do Ministério da Educação brasileiro). A proposta foi à votação no
Congresso, e perdeu. Segundo uma pesquisa da CNN, 72% dos americanos eram a
favor dela.
Se nada mudar, a desigualdade no mundo tende a continuar
crescendo (pois r > g, lembra?). É difícil prever as consequências disso.
Mas uma delas pode ser a radicalização
política. Um estudo feito por três universidades americanas (Columbia,
Houston e Princeton) constatou que, quanto maior a desigualdade econômica num
país, mais forte tende a ser a divisão entre os seus grupos de esquerda e
direita. E a história sugere que a
superconcentração de recursos pode acabar em algum tipo de tumulto.
Já aconteceu. Houve um país que passou por um processo muito
forte, e muito acelerado, de concentração de renda. Em apenas cinco anos, a
fatia do bolo pertencente ao 1% mais rico cresceu 50%. A renda das demais
pessoas caiu a ponto de prejudicar sua alimentação – e aumentar a mortalidade
infantil em 16% em determinadas regiões do país. Seu líder fazia discursos cada
vez mais inflamados, nos quais se dizia “inimigo do capitalismo”. Essa nação
era a Alemanha. Seu líder, Adolf Hitler. A consequência, a Segunda Guerra
Mundial.
PARA
SABER MAIS – LIVROS
O Capital no Século
XXI
Thomas
Piketty, Editora Intrínseca, 2014
The Spirit Level
Richard
Wilkinson, Bloomsbury Press, 2011
Inequality, Leverage and Crises
Michael
Kumhof e Romain Rancière, FMI, 2010![]() |
Bill Gates - sócio fundador da Microsoft e homem mais rico do mundo |
OS
67 ULTRARRICOS DO MUNDO (EM DÓLARES)
01- Bill Gates – US$ 80,9 BILHÕES – MICROSOFT – Estados
Unidos
02- Carlos Slim Helu & Família – US$ 78,7 BILHÕES – AMÉRICA MÓVIL – México
03- Warren Buffett – US$68,4 BILHÕES –
BERKSHIRE HATHAWAY (Investimentos) – Estados Unidos
04-
Amancio Ortega – US$ 58,1
BILHÕES – ZARA – Espanha
05-
Larry Ellison – US$ 48,8
BILHÕES – ORACLE (Software) – Estados Unidos
06-
Charles Koch – US$ 41,9 BILHÕES – KOCH INDUSTRIES
– Estados Unidos
07-
David Koch – US$ 41,9 BILHÕES – KOCH INDUSTRIES
– Estados Unidos
08-
Christy Walton & Família –
US$ 37,9 BILHÕES – WALMART – Estados Unidos
09-
Jim Walton – US$ 36,6 BILHÕES – WALMART –
Estados Unidos
10-
Mark Zuckerberger – US$ 35,5
BILHÕES – FACEBOOK – Estados Unidos
11-
Alice Walton – US$ 35,1 BILHÕES – WALMART –
Estados Unidos
12-
S. Robson Walton – US$ 35,1
BILHÕES – WALMART – Estados Unidos
13-
Michael Bloomberg – US$ 34,5
BILHÕES – BLOOMBERG (Mídia) – Estados Unidos
14- Liliane Bettencourt & Família – US$ 34,2
BILHÕES – L’OREAL – França
15-
Sheldon Adelson – US$ 32,1
BILHÕES – DONO DE CASSINOS – Estados Unidos
16-
Li Ka-Shing – Us$ 31,3 BILHÕES – PORTOS E
EMPRESAS DE PLÁSTICO – Hong Kong
17-
Stefan Persson – US$ 30,4
BILHÕES – H & M (ROUPAS) – Suécia
18-
Bernard Arnault & Família –
US$ 30,2 BILHÕES – LVMH (LOUIS VUITTON) – França
19-
Larry Page – US$ 29,9 BILHÕES – GOOGLE –
Estados Unidos
20-
Sergey Brin – US$ 29,5 BILHÕES – GOOGLE –
Estados Unidos
21-
Jeff Bezos – US$ 26,9 BILHÕES – AMAZON – Estados
Unidos
22-
Carl Icahn – US$ 25,5 BILHÕES – INVESTIDOR –
Estados Unidos
23-
Michele Ferrero & Família –
US$ 25 BILHÕES – GRUPO FERRERO (CHOCOLATES) – Itália
24-
George Soros – US$ 24 BILHÕES – INVESTIDOR –
Estados Unidos
25-
David Thomson & Família –
US$ 24 BILHÕES – THOMSON REUTERS (MÍDIA) – Canadá
26 – Forrest Mars Jr. – US$ 23,1
BILHÕES – MARS INC. (CHOCOLATES) –
Estados Unidos
27-
Jacqueline Mars – US$ 23,1
BILHÕES – MARS INC. – Estados Uniddos
28-
John Mars – US$ 23,1 BILHÕES – MARS INC. –
Estados Unidos
29- Aliko Dangote – US$ 23
BILHÕES – DANGOTE GROUP (AÇÚCAR) – Nigéria
30-
Lee Shau Kee – US$ 22,4 BILHÕES – DONO DE HOTÉIS
E IMÓVEIS – Hong Kong
31- Steve Ballmer –
US$ 22,3 BILHÕES – MICROSOFT – Estados Unidos
32-
Mukesh Ambani – US$ 21,8
BILHÕES – RELIANCE INDUSTRIES (ENERGIA E TELECOMUNICAÇÕES) – Índia
33-
Al-Waleed Bin Talal Alsaud –
US$ 21,5 BILHÕES – FAMÍLIA REAL – Arábia Saudita
34-
Jorge Paulo Lemann – US$ 21,5
BILHÕES – 3G CAPITAL (CONTROLADORA DA AMBEV – BEBIDAS) – Brasil
35-
Phil Knight – US$ 21,4 BILHÕES – NIKE – Estados Unidos
36-
Michael Dell – US$ 21,1 BILHÕES – DELL – Estados Unidos
37-
Jack Ma – US$ 21 BILHÕES – ALIBABA GROUP
(COMÉRCIO ELETRÔNICO) – China
38-
Len Blavatnik – US$ 19,7
BILHÕES – INVESTIDOR – Estados Unidos
39-
Dilip Shanghvi – US$ 17,9
BILHÕES – SUN PHARMACEUTICAL INDUSTRIES – Índia
40-
Leonardo Del Vecchio –
US$ 17,8 BILHÕES – LUXOTTICA (ÓCULOS) – Itália
41-
Alisher Usmanov – US$ 17,5
BILHÕES – USM HOLDINGS (MINERAÇÃO) – Rússia
42-
Tadashi Yanai & Família –
US$ 17,1 BILHÕES – FAST RETAILING (VAREJO) – Japão
43-
Paul Allen – US$ 17 BILHÕES – MICROSOFT –
Estados Unidos
44- Masayoshi Son – US$ 16,8
BILHÕES – SOFTBANK – Japão
45-
Michael Otto & Família –
US$ 16,6 BILHÕES – OTTO GMBH & CO (VAREJO) – Alemanha
46-
LAURENE POWELL JOBS & FAMÍLIA – US$ 16,6 BILHÕES – APPLE, DISNEY – Estados Unidos
47-
Theo Albrecht Jr. & Família –
US$ 16,5 BILHÕES – TRADER JOE’S (VAREJO) – Alemanha
48-
Charles Ergen – US$ 16,2
BILHÕES – DISH NETWORK (TV POR ASSINATURA) – Estados Unidos
49- Robin Li – US$ 16,1 BILHÕES – BAIDU (INTERNET)
– China
50- Gina Rinehart – US$ 15,9
BILHÕES – HANCOCK PROSPECTING (MINÉRIOS) – Austrália
51-
Anne Cox Chambers – US$ 15,8
BILHÕES – COX ENTERPRISES (MÍDIA) – Estados Unidos
52- Mikhail Fridman – US$ 15,7
BILHÕES – ALFA-BANK – Rússia
53-
Joseph Safra – US$ 15,5 BILHÕES – BANCO SAFRA – Brasil
54-
Viktor Vekselberg – US$ 15,4 BILHÕES
– RENOVA GROUP (ENERGIA E TELECOMUNICAÇÕES) – Rússia
55- Susanne Klatten – US$ 15,3
BILHÕES – BMW – Alemanha
56-
Donald Bren – US$ 15,3 BILHÕES – IRVINE COMPANY
(IMÓVEIS) – Estados Unidos
57-
Ray Dalio – US$ 15,2 BILHÕES – BRIDGEWATER ASSOCIATES (INVESTIMENTOS) – Estados Unidos
58-
Luis Carlos Sarmiento –
US$ 15,1 BILHÕES – GRUPO AVAL (BANCO) – Colômbia
59-
Pallonji Mistry – US$ 15,1
BILHÕES – SHOPOORJI PALLONJI GROUP (CONSTRUÇÃO) – Índia/Irlanda
60-
Azim Premji – US$ 15,1 BILHÕES – WIPRO (TECNOLOGIA)
– Índia
61-
German Larrea Mota Velaco & Família – US$ 14,8 BILHÕES – GRUPO MEXICO (MINERAÇÃO) – México
62- Dieter Schwarz – US$ 14,7
BILHÕES – SCHWARZ GROUP (VAREJO) – Alemanha
63- Ma Huateng – US$ 14,7
BILHÕES – TENCENT (INTERNET) – China
64-
Harold Hamm – US$ 14,6 BILHÕES – CONTINENTAL RESOURCES
(ENERGIA) – Estados Unidos
65- Lui Che Woo – US$ 14,5
BILHÕES – GALAXY ENTERTAINMENT (HOTÉIS E CASINOS) – Hong Kong
66- Thomas & Raymond Kwok &
Família – US$ 14,5 BILHÕES – SUN HUNG KAI PROPERTIES (IMÓVEIS) – Hong Kong
67-
Lakshmi Mittal – US$ 14,5
BILHÕES – ARCELORMITTAL (MINERAÇÃO E AÇO) – Índia
Fonte: Revista SUPER
INTERESSANTE – Capa – Edição 341 – Dezembro/2014 – Pgs. 33-41 –
Edição impressa.
Observação: vale a pena ler o artigo na revista, pois há infográficos de excelente didática e qualidade sobre esse assunto, confira!
Observação: vale a pena ler o artigo na revista, pois há infográficos de excelente didática e qualidade sobre esse assunto, confira!
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