Quanto custa a salvação?
O papa, a simonia e as missas pagas
Francesco
Peloso
Secolo XIX
22-11-2014
"Quantas vezes
vemos que, ao entrar em uma igreja, ainda hoje, há a lista dos preços para o
batismo, para a bênção, para as intenções para a missa? E o povo se
escandaliza", porque esse "é o escândalo do comércio, do
mundanidade"; mas a redenção, como Jesus nos ensinou, não é paga, "é
gratuita".
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Papa Francisco pregando durante missa na Capela Santa Marta - Vaticano |
São palavras pesadas aquelas escolhidas pelo papa no dia em
que a liturgia propunha o Evangelho de Jesus que expulsa os mercadores do Templo
[de Jerusalém]. No dia 21, na costumeira celebração da missa na casa de Santa
Marta, Bergoglio, reagiu de novo
duramente contra os vícios que se aninham na Igreja.
A denúncia fortíssima de Francisco não deixou de levantar
polêmicas internas ao episcopado. Mas o pontífice não falou por acaso. Chegaram até ele relatos de algumas
realidades e paróquias em que o comércio dos sacramentos e das missas era tão
difundido a ponto de provocar os protestos dos fiéis.
Um episódio desse tipo, que remonta ao ano passado,
tornou-se um pequeno caso. Em Villa Baggio, na província de Pistoia, Itália, o
pároco tinha exposto na igreja uma folha com as tarifas para os sacramentos.
Variava de 190 euros para o casamento a 90 euros para um batismo.
A esse ponto, um grupo de paroquianos rompeu a trégua e
decidiu escrever ao papa. Não eram ofertas obrigatórias, mas apenas indicações
genéricas, como depois o padre tentou explicar, de sua parte, negando ter
disposto um tarifário.
Mas, certamente, não é o único caso. Ao contrário, ocorreu
muitas vezes que a lista de preços para os sacramentos fixado em uma igreja
depois acabou nos jornais. Nunca se trata de tarifas oficiais, muitas vezes o
pedido é feito verbalmente, de modo informal, mas não raramente se trata de
valores bastante onerosos.
Como aqueles denunciados em 2009 pelo bispo de Pozzuoli
(província de Nápoles), Dom Gennaro
Pascarella, que colocou claramente em um documento a proibição para os
párocos da sua diocese de pedirem somas de dinheiro para casamentos (que
chegavam até 500 euros) ou para crismas ou comunhões (250-300 euros).
O princípio, explicava-se naquele caso, é que as ofertas
devem ser livres, deixadas à sensibilidade dos fiéis e de modo algum impostas
ou determinadas com antecedência. De fato, o risco é o de transmitir a ideia de
uma Igreja que tem uma relação equivocada com o dinheiro e com os bens
materiais.
No entanto, também
existem tarifários oficiais estabelecidos pelas dioceses, cujo objetivo deveria
ser justamente o de evitar os abusos de paróquias e sacerdotes individuais.
E, depois, as ofertas dos fiéis para as missas, em parte, ficam para o padre e,
em parte, vão para o bispo.
No entanto, o Papa Francisco retratou uma situação
extremamente realista: "Quando aqueles que estão no templo – disse –,
sejam sacerdotes, leigos, secretários, se tornam negociantes, o povo se
escandaliza. E nós somos responsáveis por isso". "Os leigos também,
hein! – continuou –, todos. Porque, se eu vejo que na minha paróquia se faz
isso, devo ter a coragem de dizer isso na cara do pároco. E as pessoas sofrem
esse escândalo".
"É curioso – observou, depois, Bergoglio –, o povo de
Deus sabe perdoar os seus padres quando eles têm uma fraqueza, quando
escorregam em um pecado. Mas há duas
coisas que o povo de Deus não pode perdoar: um padre apegado ao dinheiro e um
padre que maltrata as pessoas. Não consegue perdoar!"
Francisco deu o exemplo, que remonta a quando ele era um
sacerdote novato, de um casal de jovens que queria se casar "com a
missa". O secretário paroquial, contou Bergoglio, "respondeu: 'Não,
não: não se pode' – 'Mas por que não se pode com a missa? Se o Concílio recomenda
fazê-lo sempre com a missa?' – 'Não, não se pode, porque mais de 20 minutos não
se pode' – 'Mas por quê?' – 'Porque há outros turnos' – 'Mas nós queremos a
missa!' – 'Então paguem dois turnos!'. E para se casar com a missa tiveram que
pagar dois turnos. Esse é o pecado de escândalo".
Desse modo, disse o papa, a Igreja se tornou uma "casa de negócios".
Francisco também quis explicar o mérito da questão a partir
do ponto de vista evangélico: "Mas
por que Jesus se irrita com o dinheiro?". O fato é que, especificou o
pontífice, "a redenção é gratuita;
é a gratuidade total do amor de Deus que Jesus veio nos trazer".
"E quando a Igreja ou as igrejas – disse – tornam-se
negociantes, diz-se que não é tão gratuita a salvação. É por isso que Jesus
toma o chicote nas mãos para fazer esse rito de purificação no Templo."
Traduzido por
Moisés Sbardelotto.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Terça-feira, 25 de novembro de 2014 –
Internet: clique aqui.
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