"Não servem sacerdotes clericais e funcionários" - diz Papa
Rádio Vaticano
11-11-2014
Na tarde de segunda-feira [10/11/2014] se deu a conhecer a
Mensagem do Papa Francisco à 67ª Assembleia
Geral da Conferência Episcopal Italiana, que é levada a cabo na cidade de
Assis de 10 a 13 de novembro, e que discute, entre outros temas, a formação dos presbíteros.
O Bispo de Roma recorda aos prelados italianos que, entre as
principais responsabilidades que o ministério episcopal lhes confia, se
encontra a de confirmar, sustentar e consolidar seus primeiros colaboradores,
através dos quais a maternidade da Igreja alcança integralmente o povo de Deus.
“Somente quem tem fixo o olhar naquilo que é verdadeiramente
essencial pode renovar o próprio sim ao dom recebido e, nas diversas estações
da vida, não deixar de fazer dom de si mesmo, somente quem se deixa conformar
ao Bom Pastor encontra unidade, paz e força na obediência do serviço; somente
quem respira no horizonte da fraternidade presbiteral sai da falsificação de
uma consciência que se pretende epicentro de tudo, única medida do próprio
sentir e das próprias ações”.
“Não servem sacerdotes
clericais, cujo comportamento corre o risco de afastar o povo do Senhor,
nem sacerdotes funcionários que,
enquanto desenvolvem uma função, buscam longe Dele a própria consolação”,
adverte também o Papa.
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Papa Francisco dirige palavra aos bispos italianos - Assis |
Eis a íntegra da
mensagem.
Queridos
Irmãos no episcopado,
Com estas
linhas desejo expressar minha proximidade a cada um de vocês e às Igrejas em
meio às quais o Espírito de Deus vos colocou como Pastores. Este mesmo Espírito
pode animar com sua sabedoria criativa a Assembleia Geral que estão iniciando,
dedicada especialmente à vida e à formação permanente dos presbíteros.
Com este
motivo, sua convergência em Assis faz imediatamente pensar no grande amor e na
veneração que são Francisco nutria pela Santa Madre Igreja Hierárquica, e, em
particular, precisamente pelos sacerdotes, incluídos aqueles por ele
reconhecidos como “pauperculos huius
saeculi” (do Testamento).
Entre as
principais responsabilidades que o ministério episcopal lhes confia se encontra
aquela de confirmar, sustentar e consolidar a estes seus primeiros
colaboradores, através dos quais a maternidade da Igreja alcança o inteiro povo
de Deus. Quantos temos conhecido! Quantos com seu testemunho têm contribuído a
atrair-nos a uma vida de consagração! De quantos deles temos aprendido e temos
sido plasmados!
Cada um de
nós conserva seus nomes e seus rostos na memória reconhecida do coração.
Nós vos
temos visto gastar a vida entre o povo de nossas paróquias, educar os jovens,
acompanhar as famílias, visitar os enfermos em casa e no hospital, incumbir-se
dos pobres, na certeza de que “separar-se
para não sujar-se com os outros é a sujeira maior” (L. Tolstoi). Livres das
coisas e de si mesmos, nos recordam a todos que abaixar-se sem conservar nada é
o caminho para aquela altura que o Evangelho chama caridade, e que a verdadeira
alegria se saboreia na fraternidade vivida.
Os
sacerdotes santos são pecadores perdoados e instrumentos de perdão. Sua
existência fala da língua da paciência e da perseverança; não permaneceram como
turistas do espírito, eternamente indecisos e insatisfeitos, porque sabem que
estão com nas mãos de Alguém que não falta às promessas e cuja Providência faz
com que nada possa jamais separá-los de tal pertença. Esta certeza cresce com a
caridade pastoral com que rodeiam de atenção e de ternura as pessoas a eles
confiadas, até conhecê-las uma por uma.
Sim, ainda
é tempo de presbíteros desta espessura, “pontes” para o encontro entre Deus e o
mundo, sentinelas capazes de deixar intuir uma riqueza que de outra forma se
perde.
Sacerdotes
assim não se improvisam: forja-os o precioso trabalho formativo do Seminário e
a Ordenação os consagra para sempre homens de Deus e sacerdotes de seu povo.
Mas, pode ocorrer que o tempo entibie a generosa dedicação dos inícios e,
então, é vão pôr novos remendos sobre um vestido velho: a identidade do
presbítero, precisamente porque vem do alto, exige dele um caminho cotidiano de
recuperação, a partir daquilo que o tornou um ministro de Jesus Cristo.
A formação
de que falamos é uma experiência de discipulado permanente, que acerca a Cristo
e permite conformar-se cada vez mais a Ele. Por isso não tem um termo, porque os
sacerdotes jamais deixam de serem discípulos de Jesus, de segui-lo. Portanto, a
formação como discipulado acompanha toda a vida do ministro ordenado concerne
integralmente à sua pessoa e ao seu ministério. A formação inicial e aquela
permanente são dois momentos de uma só realidade: o caminho do discípulo
presbítero, enamorado de seu Senhor e constantemente atrás de suas pegadas (cf.
Discurso à Plenária da Congregação para o Clero, 3 de outubro de 2014).
Além disso,
irmãos, vocês sabem que não servem sacerdotes clericais, cujo comportamento
corre o risco de afastar as pessoas do Senhor, nem sacerdotes funcionários que,
enquanto desenrolam uma função, busca longe Dele a própria consolação.
Somente
quem tem fixo o olhar naquilo que é verdadeiramente essencial pode renovar o
próprio sim ao dom recebido e, nas diversas estações da vida, não deixar de
fazer dom de si mesmo; somente quem se deixa conformar ao Bom Pastor encontra
unidade, paz e força na obediência do serviço; somente quem respira no
horizonte da fraternidade presbiteral sai da falsificação de uma consciência
que se pretende epicentro de tudo, única medida do próprio sentir e das
próprias ações.
Desejo-lhes
jornadas de escuta e de confrontação, que levem a delinear novos itinerários de
formação permanente, capazes de conjugar a dimensão espiritual com aquela
cultural, a dimensão comunitária com aquela pastoral: são estes os pilares de
vidas formadas segundo o Evangelho, custodiadas na disciplina cotidiana, na
oração, na custódia dos sentidos, no cuidado de si, no testemunho humilde e
profético; vidas que constituem que restituem à Igreja a confiança que ela
primeiro tem colocado neles.
Acompanho-vos
com minha oração e minha Bênção, que estendo, por intercessão da Virgem Maria,
a todos os sacerdotes da Igreja na Itália e a quantos trabalham a serviço de
sua formação; e lhes agradeço por suas orações por mim e por meu ministério.
Traduzido do
italiano por Benno Dischinger.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Quarta-feira, 12 de novembro de 2014 –
Internet: clique aqui.
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