Sexo sem proteção aumenta entre jovens
JAIRO BOUER*
Uma nova pesquisa realizada em vários países mostra que o sexo sem proteção entre os mais jovens aumentou nos últimos dois anos.
Isso pode estar ampliando a exposição a doenças sexualmente transmissíveis, Aids e gestação indesejada.
Nos Estados Unidos, 53% dos mais novos fizeram sexo sem proteção com um novo parceiro.
Na França, esse número chegou a 40% e, na Tailândia, a mais de 60%.
A metodologia das pesquisas sobre comportamento sexual varia de um estudo para o outro (o que pode influenciar os resultados obtidos).
Mas o crescimento checado nesse trabalho feito pela Fundação Internacional Parenthood, com apoio da companhia farmacêutica alemã Bayer, sugere, no mínimo, a necessidade de atenção especial.
Foram entrevistados mais de 5 mil jovens, em 26 países, entre abril e maio de 2011.
Aqui no Brasil, o Ministério da Saúde tem identificado alguns grupos mais vulneráveis entre os mais jovens, como as garotas de 13 a 19 e os garotos que fazem sexo com garotos. Esses grupos estariam se cuidando menos.
Os motivos para a falha de proteção são clássicos:
- a falsa sensação de que, por fazer sexo com alguém jovem, não existe risco;
- a dificuldade das garotas em negociarem o uso da camisinha;
- a vergonha de ter de comprar preservativo ou de pegar nos postos de saúde;
- o medo da camisinha atrapalhar a transa, entre outros.
Em tempo: um clássico da literatura da história da Aids no Brasil, o livro "Depois Daquela Viagem" (editora Ática, R$ 40,90), publicado por Valéria Polizzi em 1997, ganha agora sua primeira versão no teatro.
No livro, a autora conta como se contaminou com o vírus HIV com seu primeiro namorado aos 16. A peça estreia nesta quarta feira, no teatro Sesc Consolação, em São Paulo.
Para quem não entende a importância da proteção, a peça e o livro podem ser tema para uma reflexão profunda sobre como lidamos com nossa vida sexual.
Não perca!
* Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Jairo Bouer [foto acima] fez residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. A partir do seu trabalho no Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas da USP (Prosex), passou a focar suas atividades no estudo da sexualidade humana. Hoje é referência no Brasil quando o assunto é saúde e comportamento jovem.
Fonte: Folha de S. Paulo - Folhateen - Segunda-feira, 3 de outubro de 2011 - Pg. 2 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm0310201101.htm
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