DE ONDE VEM O DINHEIRO QUE FINANCIA O TERROR DO "ESTADO ISLÂMICO"?
Ricos e perigosos, radicais movimentam tesouro de 2
bilhões de dólares
Roberto Godoy
Jornalista
especializado em questões militares e de segurança
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Guerrilheiros do "Estado Islâmico" desfilam em carro militar tomado do exército iraquiano |
O Estado Islâmico [EI] é rico, muito rico. O tesouro do
movimento radical acumula mais de US$ 2 bilhões em reservas bem aplicadas no
mercado financeiro, segundo cenário produzido pela Rand Corporation, agência privada americana de inteligência e
análise estratégica. A carteira é o
resultado:
·
da venda
quase clandestina do petróleo e do gás extraídos de jazidas do Iraque, das
quais o EI se apossou.
·
Há outras fontes de recursos, como o dinheiro de doações feitas por
simpatizantes de 90 diferentes nações - entre elas, o Brasil.
·
A contabilidade do grupo radical registra a
renda obtida por meio da extorsão
exercida sobre empresas multinacionais,
·
o pagamento
de resgates milionários e ainda
·
o roubo
de valores de grande liquidez, como certos
títulos europeus emitidos ao portador.
·
Governos
do Oriente Médio, da Ásia e da África, também subsidiam o Estado Islâmico,
“ainda que de forma oficiosa e secreta”, de acordo com outro documento da
inteligência militar americana a que o “Estado” teve acesso.
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Abu Sayyaf (no centro da foto): "tesoureiro" do Estado Islâmico morto pelos norte-americanos |
A gestão da economia do movimento e do califado - território
pretendido pelo líder Abu Bakr-al
Baghdadi, do Iraque à Síria - foi abalada há dez dias quando um dos chefes
secundários do EI, conhecido por Abu
Sayyaf, foi morto durante uma operação conduzida por pouco mais de 20
militares da Força Delta americana no território sírio controlado pelos
terroristas. “Ele era uma espécie de
ministro da Fazenda do Estado Islâmico”, afirmou um ex-oficial do time
especial Seal, da Marinha dos EUA. Em seu
poder havia papéis e registros acumulados em sofisticados computadores que
confirmam o estudo da Rand Corporation, apresentado na Câmara dos EUA. No
cenário, é apresentado o crescimento da fortuna do EI a partir do momento em
que Baghdadi, um ex-professor universitário, assume o comando supremo, em 2008.
Pouco antes, o caixa do movimento acusava recebimentos de US$ 800 mil a US$ 1
milhão por mês. Em setembro, um minucioso trabalho de planejamento financeiro
foi apreendido em Mossul, em instalações tomadas do EI por tropas da coalizão
pró-Iraque, demonstrava que o fluxo de
entrada de dinheiro havia crescido para US$ 1 milhão por dia. Atualmente o total diário é estimado em até
US$ 3 milhões - o montante não considera os valores referentes às grandes
aplicações.
Governos europeus e dos EUA, adotaram ações de repressão às
finanças do EI. Uma delas é considerar terroristas pessoas e organizações que
trabalhem com os extremistas. Outra é o fortalecimento de sistemas e serviços
de coleta de informações nos mercados internacionais. Na pauta entra o aumento
do contingente de especialistas nessa área, trabalhando com os governos que dão
combate ao terror. E, claro, as intervenções armadas. Em uma delas, Baghdadi
teria sido gravemente ferido. Faz diferença, mas não muita. Um dia depois, o
guia já tinha um sucessor. O nome dele é Abu
Sulaiman al-Naser.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Internacional / Cenário – Domingo, 24 de maio de 2015 – Pg. A11 –
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