URGENTE: ESTÃO VOTANDO UMA REFORMA QUE PODE PIORAR A POLÍTICA BRASILEIRA!
Eduardo Cunha enterra Comissão Especial de Reforma
Política e leva a discussão do tema direto ao plenário da Câmara dos Deputados
Daniel
Carvalho, Daiene Cardoso, Ricardo Della Coletta
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Deputado Federal EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ) - Presidente da Câmera está agindo para fazer aprovar uma reforma ao seu gosto |
O presidente da
Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ),
decidiu enterrar a Comissão Especial de Reforma Política e levar a discussão do
tema direto para o plenário da Casa, onde tem uma margem de manobra maior para
votar as alterações que defende. Cunha
articulou com líderes próximos a ele o cancelamento da votação do parecer de
Marcelo Castro (PMDB-PI), prevista para ontem, e começará a votar hoje,
item por item da reforma.
A manobra, esperada desde que Cunha percebeu que poderia ser
derrotado na comissão, foi costurada durante o fim de semana e consolidada
ontem, em reunião na residência oficial da presidência da Câmara com líderes de
PPS, DEM, PSDB, PMDB e do governo, além de Rodrigo
Maia (DEM-RJ), presidente da comissão. Aliado
fiel, Maia foi escolhido por Cunha para relatar a reforma política no plenário.
Inicialmente, a votação do relatório de Castro aconteceria
na semana passada. Foi adiada para ontem à tarde, postergada para o início da
noite e, por fim, cancelada. Marcelo Castro não participou das negociações e se
mostrou indignado com a manobra. “É um
gesto autoritário e desrespeitoso ao trabalho que foi feito”, disse o
relator.
Apesar de discordar do distritão,
Castro cedeu à pressão de Cunha e incluiu em seu relatório o modelo pelo qual
são eleitos os mais votados em um Estado. Mesmo assim, Cunha é contra o texto,
desqualificou o parecer e vinha trabalhando para evitar a votação. O presidente
da Câmara diz que é melhor que o assunto vá a plenário sem relatório, pois o
texto “engessaria” a reforma política e dificultaria ainda mais a busca por um
consenso.
A tese de Cunha foi repetida como mantra por parlamentares
aliados. “A melhor oportunidade para se discutir e deliberar sobre a reforma política
é no plenário da Casa”, disse o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).
[ . . . ]
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Política – Terça-feira, 26 de maio de 2015 – Pg. A5 – Internet:
clique aqui.
Novo texto da reforma política traz propostas de Cunha
e agrada a partidos nanicos
Daniel
Carvalho e Nivaldo Souza
Proposta, que ignora relatório
de comissão, sugere ainda o distritão como sistema para eleger deputados e
acaba com reeleição
O deputado Rodrigo
Maia (DEM-RJ) apresentou aos líderes partidários na manhã desta
terça-feira, 26 de maio, o novo texto da Proposta
de Emenda à Constituição nº 14. A PEC da Reforma Política atende às
preferências do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que na
segunda-feira, dia 25, enterrou a Comissão Especial criada para debater o
assunto na Casa e cujo relatório não o agradava.
O texto foi feito às pressas e traz erro de digitação, além
de deixar dúvidas. Pelo novo texto,
prefeitos, vice-prefeitos e deputados continuarão com quatro anos de mandato e
sem direito à reeleição. A regra não vale para os prefeitos eleitos em 2012
e para os governadores eleitos em 2014. Ou seja, esses poderão disputar a
última reeleição do País. As eleições
passam a ser coincidentes a partir de 2022. Prefeitos, vice-prefeitos e
vereadores eleitos em 2020 terão mandato de apenas dois anos.
O sistema eleitoral é
o distritão, modelo pelo qual os deputados federais e vereadores são
escolhidos pelo sistema majoritário, assim como já são os prefeitos,
vice-prefeitos e governadores. O texto não faz menção aos deputados estaduais.
Hoje, a escolha de deputados e vereadores se dá por eleição proporcional, que
considera toda a votação dada nos candidatos da sigla ou da coligação, além do
voto na legenda. O relatório de Maia não traz regras para os mandatos de
senador, como defende Cunha, mas atinge o Senado ao abordar a questão dos
suplentes.
A questão do financiamento
de campanha também atende ao ideal do presidente da Câmara: partidos políticos poderão receber doações
de pessoas físicas e jurídicas [empresas]. Uma lei deverá estabelecer os
limites máximos de arrecadação e gastos de recursos para cada cargo eletivo.
O novo relatório
afrouxa a cláusula de barreira prevista pelo parecer da Comissão Especial,
que estabelecia que só teriam direito a fundo partidário e tempo de rádio e TV
os partidos que obtivessem no mínimo 2% dos votos válidos na última eleição
para a Câmara dos Deputados, distribuídos em pelo menos 1/3 dos Estados, com um
mínimo de 1% do total de cada um deles. Agora,
os partidos precisam eleger apenas um representante na Câmara ou no Senado para
conseguir os benefícios.
O texto do novo relator da PEC da reforma política, Rodrigo
Maia (DEM-RJ), ainda passará por alterações antes de seguir para votação no
plenário da Câmara, na tarde desta terça-feira, 26 de maio. Maia disse que
serão feitos ajustes no texto a pedido dos líderes partidários, que tiveram
acesso à redação no final desta manhã.
“Tem outros temas que foram discutidos agora que nós vamos
incluir no texto a pedido dos líderes”, afirmou Maia ao deixar o gabinete do
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal fiador do novo
relatório.
Dentre as alterações
mencionadas por Maia está a redução de 30 para 29 anos para governador e
vice-governador. A idade mínima para presidente continuaria sendo 35 anos.
Fidelidade partidária
O texto permite uma janela de 30 dias para troca de partido
a partir da promulgação da PEC. Depois disso, o político que se desligar do partido pelo qual foi eleito perderá o
mandato. Nesses casos, o presidente do Legislativo empossará o suplente ou
o vice no prazo de dez dias.
O texto de Rodrigo Maia determina que o presidente e do
vice-presidente da República não serão mais empossados no dia 1º de janeiro,
feriado, mas no primeiro dia útil de janeiro. O texto não faz menção à posse de
prefeitos e governadores.
O voto passa a ser
facultativo. Se aprovado o texto, apenas
o alistamento é obrigatório para maiores de 18 anos. Para analfabetos e
maiores de 60 anos e para maiores de 16 e menores de 18 anos. Atualmente, essas
regras também valem para o voto.
No trecho que trata da suplência - ou ''sulpência'', como
está grafado no texto -, a alteração é feita no Art. 9º, que trata da suplência
de deputado e senador. Incluiu-se um parágrafo em que é dito que, no caso de
vaga ou licença superior a 120 dias, será convocado o suplente mais bem votado.
O texto será votado
no plenário da Câmara a partir desta tarde. A discussão deve se alongar até
esta quinta-feira, dia 27. Deputados devem apresentar uma série de emendas que
alteram o texto de Maia. O texto
aprovado ainda tem que ser apreciado pelo Senado. A PEC precisa ser
aprovada nas duas Casas até setembro para que tenha validade já nas próximas
eleições.
Fonte: ESTADÃO.COM.BR – Política – 26 de maio de 2015 – 14h02
– Internet: clique aqui.
«Fizemos papel de bobo na comissão»,
diz relator da reforma política na Câmara
Daniel
Carvalho, Daiene Cardoso e Ricardo Della Coletta
Deputado Marcelo Castro
(PMDB-PI) deve ser substituído por Rodrigo Maia (DEM-RJ) na relatoria da
Comissão Especial da Casa
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Deputado Federal MARCELO CASTRO (PMDB-PI) - ex-relator da Comissão Especial da Reforma Política, que foi substituído e ignorado pelo Presidente da Câmara, Dep. Fed. Eduardo Cunha (PMDB-RJ) |
Alijado das negociações para a votação em plenário da
proposta de Reforma Política, o relator
na Comissão Especial, deputado Marcelo
Castro (PMDB-PI), disse que já esperava sua substituição. Ele ainda não foi
comunicado que o relator no plenário deverá ser o presidente da Comissão, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).
"Fizemos papel de bobo. Três meses
trabalhando arduamente e não vamos votar o relatório, que já está pronto há 20
dias. O relatório era só 99% do que ele (Eduardo Cunha) queria. Mas ele queria
100%", desabafou o relator. O peemedebista considera que o esforço
de toda a comissão foi "jogado no lixo".
Castro chegou às 7h da manhã em Brasília na expectativa de
votar um relatório que deveria ser apreciado na terça-feira passada (19 de maio).
Por decisão de Maia, a votação do parecer ficou para ser apreciado na comissão
hoje às 14h e depois foi adiado para as 18h.
O peemedebista sequer
foi convidado para o almoço na residência oficial do presidente da Casa onde
foi discutido a votação da matéria. "Ninguém me disse nada
disso", respondeu ao Broadcast
Político.
Membro da comissão especial, o deputado Silvio Torres (PSDB-SP) disse que não haveria tempo hábil para
votar no colegiado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já que diz
respeito a vários itens polêmicos a serem discutidos. A luta dos partidos, na
avaliação do tucano, será garantir que o texto a ser aprovado no plenário não
piore o sistema em vigor. "Estamos
correndo o risco de piorar o sistema", alertou.
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Política – 25 de maio de 2015 – 17h40 – Internet: clique aqui.
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