Os smartphones degradaram a sociedade
David Scott
Douthit
Rebelión
23-05-2015
«Esta geração está
atrofiada. Entregou sua capacidade cognitiva aos computadores e aos telefones
celulares. Dá a impressão de que isto os habilitou para argumentar e discutir
com os demais sem nunca parar.»
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CENA CADA VEZ MAIS COMUM: Pessoas usando seu smartphone enquanto aguardam o trem metropolitano. Ninguém se comunica com seu próximo. Reparem! |
Graças aos smartphones - ou telefones inteligentes (sic) -, as pessoas estão sempre
distraídas. Neste momento, muitas pessoas não se relacionam com quem está ao
seu lado, nem com o lugar onde estão. Muitas pessoas nascidas nos anos 1950,
como o autor, estão eliminando-os de sua vida.
Não importa onde seja, todo mundo parece estar preso ao seu
smartphone
Estava em um dos jogos de beisebol de meu filho. Minha
ex-mulher e minha filha estavam na parte descoberta, atrás da base do batedor.
Nenhuma delas via algo do jogo; ambas estavam com seus polegares muito
ocupados, escrevendo sobre as incidências da partida. Meu filho fez o primeiro
percurso completo até a placa base. Quando terminou a partida, perguntou a sua
mãe se o havia visto. Ela respondeu: “Visto o quê?”.
Há uns 10 anos, procurei deixar essa coisa chamada
smartphone. O problema foi que as pessoas continuaram me telefonando.
Chamavam-me quando estava passeando com o cachorro. Chamavam-me quando estava
fazendo a sesta. Chamavam-me e esperavam
que eu respondesse imediatamente, e ficavam loucas quando não atendia. O
smartphone era muito mais um problema do que uma comodidade. Joguei-o no lixo,
e não voltei a ter outro.
Minha mulher e eu tivemos que colocar um cartaz na porta de
entrada que dizia: “Desliguem o
smartphone!”, porque seus filhos continuavam fazendo suas ligações, ou ao
menos essa era a impressão que davam. A questão se agravava quando vinha um
visitante e precisamente tinha que “atender esta chamada” ou se dedicava a
fazer chamadas após chamadas. Ou estava sentado em uma poltrona e não levantava
os olhos de seu telefone ou passava o tempo escrevendo mensagens. Você fica louco procurando conversar com
alguém cuja cabeça, continuamente, não se sabe onde está.
Danos à saúde
Além disso, existe o problema
das radiações das ondas emitidas pelo aparelho no cérebro do usuário. Há
importantes evidências de que o smartphone provoca tumores cerebrais e outras
enfermidades. Eu propus compartilhar com toda a minha família e meus amigos o
risco ao qual se expõem. Geralmente, desestimulavam a advertência com um: “O quê? Todo mundo morre um dia”.
O smartphone e a disfunção erétil masculina
No entanto, meu filho possui um smartphone. Eu não permito
que o aproxime de sua cabeça ou o carregue no bolso, junto aos seus testículos.
Os tecidos glandulares e neuronais são muito mais sensíveis que os músculos ou
os ossos. Meu filho só tem 17 anos e eu quero que possa usar seu cérebro e
gerar um neto algum dia.
Esta geração está atrofiada. Entregou sua capacidade
cognitiva aos computadores e aos telefones celulares. Dá a impressão de que
isto os habilitou para argumentar e discutir com os demais sem nunca parar. O smartphone é uma extensão de sua atitude
ácida. A gramática e as boas maneiras foram para longe. Esta geração não tem
moral. O rompimento da moralidade tem muito a ver com o surgimento da
tecnologia. É possível que o leitor pense que a tecnologia não afetou a
moralidade, no entanto, permitiu que o lobo que está dentro de nós seja ainda
mais lobo. Por aí andam os indivíduos se gabando por ter levado para a cama
centenas de mulheres. Eles atribuem à tecnologia moderna a possibilidade de
conhecer mais mulheres.
Muitos homens
modernos não possuem nenhuma norma. A única norma que utilizam é a capacidade de manipular os demais.
Justamente o contrário da Regra de Ouro,
ou seja, “trata aos demais como gostaria que fosse tratado”.
Eu também procuro não utilizar o computador, devo admitir
que é viciante. Os pixels excitam o cérebro como se fosse uma droga. Em outras
épocas, passei muito tempo em frente a um computador. Isto não me fez mais
feliz, nem mais sábio. Conhecimento e
sabedoria são coisas diferentes. O conhecimento é acúmulo de
informação. A sabedoria é a possibilidade de empregar corretamente esses
conhecimentos. A sabedoria se consegue
resolvendo situações difíceis, crise e dilemas morais da vida real. O tempo
dedicado a um computador não é experiência de vida real. Acredito que irei
fazer um passeio, assim exercito um pouco as pernas e a sabedoria.
Traduzido pelo Cepat. Para acessar este artigo em seu site, clique aqui.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Terça-feira, 26 de maio de 2015 – Internet:
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