PAPA EXPLICA: "POR QUE OS JOVENS NÃO QUEREM SE CASAR?"
Jéssica Marçal
Reunido
com fiéis na Praça São Pedro, Francisco refletiu sobre o casamento, que hoje em
dia é uma realidade distante ou inexistente para muitos jovens
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PAPA FRANCISCO chegando à Audiência Geral da Quarta-feira Praça de São Pedro - Vaticano |
A catequese
do Papa Francisco, nesta quarta-feira, 29 de abril, foi dedicada ao matrimônio.
O Santo Padre segue no ciclo de catequeses sobre a família e, desta vez,
concentrou-se no casamento, refletindo, por exemplo, sobre a realidade dos jovens que não querem se casar.
Francisco
mencionou que o primeiro dos sinais
prodigiosos de Jesus foi realizado no contexto do matrimônio: o milagre do
vinho nas bodas de Caná. “Assim, Jesus
nos ensina que a obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se
amam! Esta é a obra-prima!”.
Desta época
até hoje, muita coisa mudou, disse o Papa, mas esse sinal de Cristo contém uma
mensagem sempre válida. O Pontífice reconheceu que os jovens não querem se
casar, que em muitos países aumenta o número de separações e diminui o número
de filhos. Essas são as primeiras e mais importantes vítimas de uma separação,
destacou o Papa, e isso pode ter reflexos futuros.
“Se você experimenta, desde pequeno, que o
casamento é um laço ‘por tempo determinado’, inconscientemente para você será
assim. Na verdade, muitos jovens são levados a renunciar ao projeto para si
mesmo de um laço irrevogável e de uma família duradoura”.
Essa
realidade dos jovens que não querem se casar constitui, segundo o Santo Padre,
uma das preocupações dos tempos atuais. Ele lembrou que é importante tentar entender o porquê dos jovens agirem assim, de não
terem confiança na família.
Para o Papa,
as dificuldades financeiras não são o único motivo. Há quem cite como provável
causa a emancipação da mulher, mas isso não é um argumento válido, segundo o
Pontífice, mas sim uma forma de machismo que sempre quer dominar a mulher.
Na verdade, Francisco disse que quase todos os homens e
mulheres gostariam de ter um casamento sólido, mas muitos têm medo de errar e,
mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental. “Talvez
justamente esse medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de
Cristo, que promete a Sua graça à união conjugal e à família”.
“Os
cristãos, quando se casam ‘no Senhor’, são transformados em sinal eficaz do
amor de Deus. Os cristãos não se casam
somente para si: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade, de toda a
sociedade”, concluiu Francisco, anunciado que, na catequese da próxima
semana, dará continuidade à reflexão sobre a beleza da vocação do matrimônio
cristão.
Leia,
abaixo, a íntegra da catequese de papa Francisco:
CATEQUESE
Praça
São Pedro – Vaticano
Quarta-feira,
29 de abril de 2015
Boletim da Santa Sé
Tradução: Jéssica Marçal
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
A nossa reflexão sobre o desígnio
originário de Deus sobre o casal homem-mulher, depois de ter considerado as
narrações de Gênesis, dirige-se agora diretamente a Jesus.
O evangelista João, no início do seu
Evangelho, narra o episódio das bodas de Caná, na qual estavam presentes a
Virgem Maria e Jesus, com os seus primeiros discípulos (cfr Jo 2, 1-11). Jesus
não somente participou daquele matrimônio, mas “salvou a festa” com o milagre
do vinho! Então, o primeiro dos seus sinais prodigiosos, com que Ele revela a
sua glória, realizou-o no contexto de um matrimônio, e foi um gesto de grande
simpatia por aquela nascente família, solicitado pelo cuidado maternal de
Maria. Isto nos faz recordar o livro do Gênesis, quando Deus termina a obra da
criação e faz a sua obra-prima; a obra-prima é o homem e a mulher. E aqui Jesus
começa justamente os seus milagres com esta obra-prima, em um matrimônio, em
uma festa de bodas: um homem e uma mulher. Assim Jesus nos ensina que a
obra-prima da sociedade é a família: o homem e a mulher que se amam! Esta é a
obra-prima!
Dos tempos das bodas de Caná, tantas
coisas mudaram, mas aquele “sinal” de Cristo contém uma mensagem sempre válida.
Hoje não parece fácil falar do
matrimônio como de uma festa que se renova no tempo, nas diversas épocas de
toda a vida dos cônjuges. É um fato que as pessoas que se casam são sempre
menos; este é um fato: os jovens não querem se casar. Em muitos países, em vez
disso, aumenta o número de separações, enquanto diminui o número de filhos. A
dificuldade em permanecer junto – seja como casal, seja como família – leva a
romper os laços com sempre maior frequência e rapidez, e justamente os filhos
são os primeiros a suportar as consequências. Pensemos que as primeiras vítimas,
as vítimas mais importantes que sofrem mais em uma separação são os filhos. Se
você experimenta, desde pequeno, que o casamento é um laço ‘por tempo
determinado’, inconscientemente para você será assim. Na verdade, muitos jovens
são levados a renunciar ao projeto para si mesmo de um laço irrevogável e de
uma família duradoura. Creio que devemos refletir com grande seriedade sobre o
porquê tantos jovens “não se sentem” para casar. Esta é uma cultura do
provisório… tudo é provisório, parece que não há algo de definitivo.
Esta dos jovens que não querem se
casar é uma das preocupações que emerge aos dias de hoje: porque os jovens não
se casam? ; por que muitas vezes preferem uma convivência e tantas vezes a
responsabilidade limitada? ; por que muitos – mesmo entre os batizados – têm
pouca confiança no matrimônio e na família? É importante procurar entender, se
queremos que os jovens possam encontrar o caminho justo a percorrer. Por que
não têm confiança na família?
As dificuldades não são só de
caráter econômico, embora estas sejam realmente sérias. Muitos acreditam que a
mudança ocorrida nestas últimas décadas foram colocadas em movimento pela
emancipação da mulher. Mas nem mesmo esse argumento é válido, é uma falsidade,
não é verdade! É uma forma de machismo, que sempre quer dominar a mulher.
Fazemos a bruta figura que fez Adão quando Deus lhe disse: “Mas por que você
comeu o fruto da árvore?” e ele: “A mulher me deu”. E a culpa é da mulher.
Pobre mulher! Devemos defender as mulheres! Na realidade, quase todos os homens
e as mulheres gostariam de uma segurança afetiva estável, um matrimônio sólido
e uma família feliz. A família está no topo de todos os indícios de satisfação
entre os jovens; mas, por medo de errar, muitos não querem nem mesmo pensar
nisso; mesmo sendo cristãos, não pensam no matrimônio sacramental, sinal único
e irrepetível da aliança, que se torna testemunho da fé. Talvez justamente esse
medo de errar seja o maior obstáculo para acolher a Palavra de Cristo, que
promete a Sua graça à união conjugal e à família
O testemunho mais persuasivo da
benção do matrimônio cristão é a vida boa dos esposos cristãos e da família.
Não há modo melhor para dizer a beleza do sacramento! O matrimônio consagrado
por Deus protege aquele laço entre o homem e a mulher que Deus abençoou desde a
criação do mundo; e é fonte de paz e de bem para toda a vida conjugal e
familiar. Por exemplo, nos primeiros tempos do Cristianismo, esta grande
dignidade do laço entre o homem e a mulher derrotou um abuso considerado então
de tudo normal, ou seja, o direito dos maridos de repudiar as esposas, mesmo
com os motivos de maior pretexto e humilhantes. O Evangelho da família, o
Evangelho que anuncia justamente este Sacramento derrotou esta cultura de
repúdio habitual.
A semente cristã da radical
igualdade entre os cônjuges deve hoje dar novos frutos. O testemunho da
dignidade social do matrimônio se tornará persuasivo justamente por este
caminho, o caminho do testemunho que atrai, o caminho da reciprocidade entre
eles, da complementaridade entre eles.
Por isso, como cristãos, devemos nos
tornar mais exigentes a esse respeito. Por exemplo: apoiar com decisão o
direito à igual retribuição por igual trabalho; por que se supõe que as
mulheres devem ganhar menos que os homens? Não! Têm os mesmos direitos. A
disparidade é um escândalo puro! Ao mesmo tempo, reconhecer como riqueza sempre
válida a maternidade das mulheres e a paternidade dos homens, em benefício
sobretudo das crianças. Igualmente, a virtude da hospitalidade das famílias cristãs
reveste hoje uma importância crucial, especialmente nas situações de pobreza,
de degradação, de violência familiar.
Queridos irmãos e irmãs, não
tenhamos medo de convidar Jesus para as festas de núpcias, de convidá-Lo para a
nossa casa, para que esteja conosco e proteja a família. E não tenhamos medo de
convidar também sua mãe Maria! Os cristãos, quando se casam “no Senhor” são
transformados em um sinal eficaz do amor de Deus. Os cristãos não se casam
apenas para si mesmos: casam-se no Senhor em favor de toda a comunidade e de
toda a sociedade.
Desta bela vocação do matrimônio
cristão, falarei também na próxima catequese.
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