Reforma Política proposta pelo atual Congresso eliminará de vez a voz da sociedade
Entrevista com Chico Whitaker
Gabriel Brito e Valéria
Nader
Ao lado dos
retrocessos econômicos e regressões sociais pelos quais o país vem passando,
corre-se grande risco de degeneração da política e da democracia. Dentro do
pacote de reformas conservadoras, existe uma que pode tornar a classe política
ainda mais a alheia à população: a Emenda
Constitucional (PEC) 352/2013, também conhecida como Reforma Política. Por conta disso, o Correio da Cidadania entrevistou o arquiteto Chico Whitaker, do Movimento
Fé e Política e do Fórum Social
Temático da Reforma Política – Pela Democratização do Poder.
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Francisco "Chico" Whitaker Ferreira: é um arquiteto, político e ativista social brasileiro, "Prêmio Nobel Alternativo" da Right Livewood Award, conferido pelo parlamento Sueco, em 2006. |
“Precisamos falar de reforma política desde as
manifestações de junho de 2013. Já se fala disso há muito tempo na sociedade.
Ao mesmo tempo, a sociedade continua a se mobilizar por uma verdadeira reforma
política, com coisas que efetivamente mudem o quadro, como o controle do
financiamento de campanha. Isso, sim, é um escândalo nacional, porque a OAB [Ordem
dos Advogados do Brasil] já entrou com moção no Supremo, tem a maioria de 6 votos
favoráveis e o Gilmar Mendes, simplesmente, sentou em cima”, afirmou.
Além de
lembrar dessa manobra política, que se combina perfeitamente com a necessidade
de aprovação da reforma pautada por Eduardo
Cunha e companhia até setembro, a fim de valer nas eleições de 2016, Chico
também traz alguns pontos que poderiam criar uma reforma mais democratizante.
Sem dúvidas, o financiamento privado de
campanha precisaria ser abolido, mas a própria maneira de tramitação dos
Projetos de Lei de Iniciativa Popular, o instrumento das Medidas Provisórias e
procedimentos de coligações e criação de partidos estão na lupa dos grupos e
movimentos sociais que querem popularizar a discussão.
“Temos de
fazer a reforma política para valorizar o controle da sociedade civil, através
de organizações e movimentos sociais, que precisam ter mais voz e peso nos
processos decisórios. Trata-se de contar
menos com os partidos e mais com a organização da sociedade civil autônoma,
horizontal, com perspectivas de mudar as atuais regras do jogo”, propôs.
A entrevista
completa com Chico Whitaker pode ser
lida a seguir.
Correio
da Cidadania: Como você tem visto o contexto político em que estão colocadas as
atuais discussões sobre a reforma política no Brasil, com a adoção da Emenda
Constitucional (PEC) 352/2013, proposta pelo ex-deputado Cândido Vaccarezza
(PT/SP) na legislatura passada, pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha?
Chico Whitaker: Vivemos uma situação
política típica do quadro brasileiro: o oportunismo bateu à porta. No caso
concreto, precisamos falar de reforma política desde as manifestações de junho
de 2013. Já se fala disso há muito tempo na sociedade. E, obviamente, quando
houve as manifestações vimos que muitas coisas precisavam mudar no sistema
político para responder às atuais necessidades da sociedade civil. Naquele
momento, a própria presidente Dilma propôs que se fizesse uma constituinte
exclusiva, ou algo do tipo, para trabalhar especificamente o assunto.
A reforma política se tornou tema geral da
sociedade, embora seu conteúdo ainda precise ser discutido. Na época, a
Câmara fez uma comissão, que só trouxe posições anteriores, pequenos remendos
ou detalhes muito ruins, como a legitimação dos financiamentos empresariais de
campanha, o grande drama, que ganhou energia com a famosa Operação Lava Jato. São coisas que existem desde sempre no Brasil e
configuram uma das maiores distorções da democracia, porque, evidentemente, com
o peso do dinheiro, não necessariamente é eleito um representante do povo, e
sim quem pode fazer mais propaganda e “comprar” votos.
Acontece o
que vemos: os presidentes da Câmara e do Senado (Eduardo Cunha e Renan
Calheiros) foram eleitos, em certo sentido, quase como oposicionistas da Dilma.
Não declaram essa posição porque o partido deles faz parte da base aliada. Mas
como personalidades fazem oposição. E isso ficou ainda mais exacerbado com as
complicações da Operação Lava Jato,
já que ambos estão passíveis de investigação a respeito do dinheiro desviado da
Petrobras. Assim, os dois estão ainda mais raivosos em sua atuação parlamentar.
O Eduardo Cunha tem um estilo particular
de trator. Parece pensar: “se o problema no Brasil é reforma política, façamos
já, imediatamente! E serei eu a conduzir a reforma que o povo está pedindo”.
Aí, pega o projeto que já estava na Câmara, do Vaccarezza. Vivemos uma situação em que o Cunha demonstra autoridade e base
parlamentar suficientes pra tratorar tudo que quiser e derrotar o Executivo em
várias vezes, apesar de ser da base aliada. É um quadro tremendo.
Correio
da Cidadania: Quais os movimentos e organizações populares que você ressaltaria
como proponentes de uma reforma política alternativa, que se contraponha às
medidas regressivas em andamento no Congresso? Poderia falar um pouco, por
exemplo, da Iniciativa Popular de Lei por
uma Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, liderada pela OAB
Nacional e pela CNBB?
Chico Whitaker: A sociedade continua a
se mobilizar por uma verdadeira reforma política, com coisas que efetivamente
mudem o quadro, como o controle do financiamento de campanha. Isso, sim, é um
escândalo nacional, porque a OAB já entrou com moção no Supremo, e o Gilmar Mendes, simplesmente, sentou em
cima. Naquele momento, até o ministro Marco
Aurélio, numa entrevista, disse que não se tratava de um “pedido de
vistas”, mas de “perder de vistas”. Ou seja, ele já sabia que a coisa ia
emperrar.
É totalmente
ilegal, pois desrespeita o regimento interno do STF. Mas está sendo feito. O
argumento do Gilmar é de o assunto ser sério demais para o STF decidir. Deve
ser decidido pela Câmara. Claro que ele não fala, mas obviamente o interesse
não é bem esse. Até porque a petição da OAB já tinha sido aprovada pela maioria
dos ministros, com 6 votos favoráveis à proposta
de tornar ilegal o financiamento de campanha por empresas. No fundo, é uma
jogada pra postergar, enquanto o Congresso apressa sua versão de reforma. Se
sair essa reforma, será bem ruim.
Realmente,
estamos em um drama. É muito possível
que sejamos surpreendidos e, de repente, na calada da noite, as manobras sejam
votadas quando todos estiverem desavisados. Estamos numa situação
complicada. Os projetos que caminham por aí, principalmente o apoiado pela CNBB
[Conferência Nacional dos Bispos do Brasil] e OAB, são simples. Este, que foi
mencionado, tem apenas 5 pontos, sendo o principal a questão do financiamento
de campanha, que o Gilmar segura. É o ponto central, pois determina a
representatividade do Congresso, como ilustram as famosas bancadas da bíblia, da bala, do boi... [1]
Acho
interessante observar que a sociedade está reagindo. Nesta mesma semana, a
coalizão do Projeto de Reforma Política
por Iniciativa Popular vai apresentar a reforma que a sociedade quer.
Faremos atividades pra apresentá-lo no próprio Congresso Nacional. Devagarinho,
vamos chegando a 1,5 milhão de
assinaturas, número necessário para protocolá-lo, mas mesmo assim a ideia é
apresentar imediatamente no Congresso, com firmeza.
Ao mesmo
tempo, em junho, temos o Fórum Social Temático da Reforma Política –
Pela Democratização do Poder, pensado antes de a atual reforma começar a
andar no Congresso. O Fórum não visa apenas aumentar o número de pessoas que
querem debater como a política pode ser feita. Uma reforma tem de agregar uma porção de pontos, como, no caso, da
plataforma dos movimentos sociais, cujo caderno tem uma grande quantidade de
aspectos.
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Charge ironizando a Bancada BBB: Bíblia (cruz), Boi (chapéu de fazendeiro) e Bala (fuzil) |
Correio
da Cidadania: E qual o grau de comprometimento dos movimentos sociais em geral
com a proposta da CNBB e OAB?
Chico Whitaker: Não vou especificar
muito, mas os movimentos populares, sindicais, de saúde, moradia, educação, as
comissões de justiça e paz, as igrejas progressistas (não aquelas amarradas aos
negócios evangélicos) estão participando. No
fundo, acontece um distanciamento enorme entre Congresso e sociedade. Uma
tragédia. Mas não tem remédio e precisamos continuar insistindo. Vamos
avançando.
Correio
da Cidadania: Quais são as principais medidas que conformariam aquilo que, a
seu ver, seria uma reforma política de cunho democrático e progressista?
Poderia elencá-las e explicá-las?
Chico Whitaker: Por exemplo, um bom
ponto é a regulamentação da iniciativa
popular, para torná-la mais fácil. Poderia ser mais fácil se fossem
necessários só 0,5% do total de eleitores. Já estaria bom, seriam 750 mil
assinaturas, algo enorme. Além disso, tem
de regulamentar o plebiscito, que, depois da Constituição de 1988, ficou
totalmente na mão do Congresso. Não há
possibilidade de a população pedir um plebiscito. E algumas decisões
deveriam passar por tal instância.
Há o problema da representatividade.
Quem está no Congresso é por causa do financiamento de campanha, portanto, não
funciona com representatividade. A própria questão da tramitação dos projetos:
poderia ser diferente quando se tratasse de projetos de iniciativa popular. Outro assunto a ser trabalhado é o
instrumento das Medidas Provisórias.
Por isso o
Fórum tem nome e sobrenome: “pela
democratização do poder”. Ou seja, nosso
problema é o processo decisório, quem e como toma decisões, por fora de
qualquer controle social. Uma porção de coisas a serem trabalhadas.
A plataforma
dos movimentos é um verdadeiro livro de proposições. Não vamos fazer tudo de
uma vez só, é preciso ser mais pontual, medida por medida. Mas de uma em uma já
é muita coisa. O drama de tudo é que tal
proposta será decidida por um Congresso não representativo. É um Congresso
de má qualidade e retrógrado do ponto de vista da democracia, da vida e da
economia do país.
Correio
da Cidadania: Uma tal reforma, como dito, não teria muito futuro na mão do
atual Congresso. Considera necessária, e factível, a implantação de uma
Assembleia Constituinte para a reforma política?
Chico Whitaker: A Assembleia Constituinte Exclusiva é uma ótima proposta. O que
conseguimos em 1988 foi exatamente isso. Os constituintes estavam lá pra se
dedicar somente a esta tarefa. Significa que as pessoas se dedicariam apenas a
ela. Uma vez finalizada, a Assembleia Constituinte sairia e o Congresso
assumiria com todas as suas prerrogativas.
Mas é muito difícil passar uma Constituinte
Exclusiva no Congresso. Resta resistir, denunciar e continuar brigando,
como é a perspectiva do Fórum. Temos de
aumentar a discussão ao máximo, chegando em mais comunidades, grupos e cidades do
país todo. Pra não ser pessimista, mas sendo realista, o que nos resta é
nos preparar para o que vem depois, a saber, como o Congresso vai tratorar a
vontade popular.
Eles vão se sacrificar muito mais, já que
sabemos ser uma das instituições mais desacreditadas pela opinião pública.
Vai aumentar o descrédito, o que acumula, por um lado, os riscos de parte da
população achar que um regime de força e ordem pode resolver o problema do
Brasil. A outra hipótese é conquistarmos, através da democracia, cada vez mais
vitórias para que a vontade popular seja atendida e a política não seja
praticada como negócio.
Correio
da Cidadania: Voltando para o teor da reforma política proposta no Congresso,
além do financiamento privado de campanha que você já mencionou, o que acha do
teor que estão dando para questões como distritão, coligações, cláusulas de
barreira, voto facultativo, coincidências entre todas as eleições etc.?
Chico Whitaker: Todos os pontos têm de
ser analisados. O distritão, por
exemplo, é terrível. Porque os distritos, pequenos ou grandes, têm tipos de
abordagem na representatividade muito ruins. Impedem, por exemplo, que as
minorias sejam representadas. São minorias no início, depois podem se tornar
maiorias. Mas não podem nem exercer o direito de participar do processo
decisório, porque o distrito transforma
a eleição em uma disputa majoritária, onde cada distrito elege só um
representante, que, naturalmente, será do maior partido na região. Nunca o
distrito elegerá como representante uma liderança de um partido pequeno, não
dá, razão pela qual o sistema distrital alemão é misto. Tem isso de um lado, e,
de outro lado, uma eleição por lista,
independente de distrito, marcada por uma escolha partidária.
Se tivermos
o distritão, e é muito possível que votem a favor, pode valer na próxima
eleição. Esse é o dado que está apressando o Congresso para a reforma, porque
tem de ser votado até setembro para valer na próxima eleição. E a perspectiva
de haver distritos já na próxima eleição, de nível municipal, é um desastre. A
representatividade fica totalmente distorcida porque somente os grandes
partidos vão ter possibilidade de ganhar a eleição majoritária, não
proporcional, que é por onde vão ter representantes para os parlamentos
municipais, estaduais etc.
Esse
problema tem de ser discutido, é um problema nosso de agora. E é muito
importante que veículos como o Correio da
Cidadania abram espaço, pois as
pessoas precisam tomar consciência do que está acontecendo. É preciso fazer
alguma coisa. Assinar o Projeto de Lei de
Iniciativa Popular é o mínimo, mas devia ter muito mais. E os movimentos
que estão lutando pelo plebiscito e pela constituinte exclusiva deveriam ser
reforçados para o debate ganhar toda a sociedade.
Correio
da Cidadania: Sobre essas propostas da OAB e da CNBB, de cunho mais
progressista, como que você as coloca no contexto que temos hoje, com as
dificuldades que uma sociedade capitalista impõe e num momento tão corrompido
econômica e politicamente?
Chico Whitaker: No mundo todo há a
hegemonia destas ideias. E são ideias trágicas. Portanto, não é só a reforma política, mas o conjunto das políticas econômicas
que tem de ser revisto. Atualmente, o mundo gira em torno do negócio, do
lucro e temos um mundo com aumento da taxa mundial de produção e de consumo,
como sabemos.
Pessoalmente,
eu mesmo estou engajado em uma luta muito específica, que vai de encontro a um
dos grandes negócios do mundo de hoje, fatal e mortífero: as usinas nucleares.
Elas estão se multiplicando e grandes empresas estão vendendo cada vez mais
projetos de usinas.
Isso é uma
lógica do sistema dentro do qual estamos vivendo e, para superá-lo, a mudança é
muito radical. É muito difícil, mas não
podemos ficar parados porque assim vencerá a insanidade generalizada que está
consumindo a natureza e nos levando ao desastre da humanidade. A partir da
hora em que o globo estiver semeado de partículas radioativas, coisa que
existiu quando a Terra apareceu, é o fim da espécie humana. Só pôde existir
vida na Terra quando a radioatividade baixou e as raças puderam conviver com
ela. Com a multiplicação de usinas, vamos causar mais aquecimento global,
desastres ecológicos e radioatividade. É o fim do mundo, uma perspectiva muita
séria.
Em minha
opinião, nosso problema é de informação,
de as pessoas saberem onde estão pisando, o que vem por cima delas. É um
desastre, porque quem domina os grandes meios de comunicação é o próprio
sistema, que não deixa passar nada. Contamos com parte da mídia, mas ainda é
pouco pra chegar à massa manipulada pela maior parte dos meios de comunicação.
Correio
da Cidadania: Como, finalmente, enxerga o atual governo frente a esta discussão
- um governo que, ressalte-se, tantas vezes chegou a propor uma reforma
política como forma de enfrentar a onda de descontentamento e protestos que se
intensificou a partir de 2013?
Chico Whitaker: O PT [Partido dos
Trabalhadores], no fundo, perdeu uma oportunidade histórica. É uma pena. Eu
mesmo fui vereador pelo PT e saí num momento em que senti o partido ser
engolido pela cultura política nacional e virar um partido como os outros.
Caiu, descambou, transformou-se num partido eleitoral, que luta pra conquistar
lugares, postos no executivo e legislativo.
Mas a mudança, de fato, não está mais no
horizonte do partido. É difícil recuperar as origens e bandeiras. Outros
partidos aparecem, mas sem força pra colocar a discussão... Aliás, outro ponto a ser revisto é a forma como se
constituem os partidos, as regras de coligações etc.
O PT entrou
no bolo geral e foi vencido pela lógica do pragmatismo, na qual o objetivo é
chegar ao poder. Se for preciso vencer eleições, o partido se esforça para isso
e pronto. E assim vale tudo, inclusive dinheiro tirado indevidamente de cofres
coletivos, e não individuais ou partidários.
Na minha
opinião, a passagem do PT é muito profunda, e já a denunciei há anos. São 10 ou 15 anos em que outra cultura
política, do Brasil tradicional, totalmente pervertida em relação à democracia,
entrou no partido. E é muito difícil, agora, mudar. Mas se os companheiros
do partido fizerem tal mudança, serão saudados com muita alegria.
Temos de
fazer a reforma política para valorizar
o controle da sociedade civil, através de organizações e movimentos
sociais, que precisam ter mais voz e peso nos processos decisórios. Trata-se de
contar menos com os partidos e mais com a organização da sociedade civil
autônoma, horizontal, com perspectivas de mudar as atuais regras do jogo.
N O T A :
[ 1 ] – A chamada “bancada da bíblia” no Congresso Nacional, em Brasília, é
constituída por deputados federais e senadores ligados à algumas igrejas
evangélicas que pressionam por aprovar projetos de leis que venham ao encontro
de seus interesses, tais como: isenção de impostos e mais auxílios do Estado às
igrejas, não extensão de direitos a homossexuais e mulheres etc. A “bancada da bala” é formada por
deputados federais e senadores de origem policial (delegados de polícia, p.
ex.) ou militar, apoia projetos como a redução da maioridade penal, facilitação
do uso de armas pela população etc. A “bancada
do boi” é integrada por deputados federais e senadores oriundos do
agronegócio (grandes fazendeiros e empresários do setor agrícola e pecuário),
os quais apoiam, entre outros, projetos que limitam os direitos dos índios, a
defesa e proteção de mananciais e florestas etc. Essas três bancadas em
conjunto são denominadas de Bancada BBB
(Bancada bíblia, boi e bala). Para saber mais, clique aqui.
Fonte: Correio da Cidadania – Quarta-feira,
20 de maio de 2015 – Internet: clique aqui.
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