É isto que a crise econômica representa!
Número de pobres no Brasil terá aumento de
no mínimo 2,5 milhões em 2017
ONU Brasil
Até o final de 2017, o Brasil deverá testemunhar um
aumento de 2,5 milhões
até 3,6 milhões no número de pessoas vivendo na miséria
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O Programa Bolsa Família terá de ser ampliado para atender aos "novos pobres" vítimas da prolongada recessão em que o Brasil se encontra |
Resultado
da prolongada crise econômica, a
estimativa foi divulgada neste mês pelo Banco Mundial, que sugeriu um aumento do orçamento do Bolsa Família para atender os “novos
pobres”.
O
organismo financeiro traça um perfil desses “novos pobres” — em média, brasileiros com menos de 40 anos,
moradores de zonas urbanas, que concluíram pelo menos o Ensino Médio e
estavam empregados em 2015, sobretudo no setor de serviços.
Para
mitigar os impactos da recessão sobre a população, o Banco Mundial recomenda a
expansão do Bolsa Família, que deverá ter seu orçamento ampliado para 30,7 bilhões de reais em 2017, caso o
governo queira cobrir os “novos pobres” com a proteção social. [É triste constatar que uma multidão de brasileiros somente
sobrevive devido às “esmolas” do governo federal!]
Isso
evitaria que a miséria atingisse valores acima do patamar de 2015, quando a
tendência decrescente da pobreza foi revertida após uma década de queda
ininterrupta. Em 2014, a pobreza e a
pobreza extrema no Brasil eram
estimadas em 7,4% e 2,8%, respectivamente. No ano seguinte, os valores
registraram um salto para 8,7% e 3,4%.
O
incremento no Bolsa Família sugerido pelo Banco Mundial representa um acréscimo
de cerca de 900 milhões de reais na verba prevista para o programa pela lei
orçamentária de 2017.
O
aumento na pobreza para este ano foi calculado com base em variações distintas
de índices macroeconômicos. No cenário mais otimista, o Banco Mundial estima
uma retomada do crescimento econômico, com um modesto saldo positivo — de 0,5%
— para o Produto Interno Bruto (PIB). O
desemprego continuaria em ascensão, chegando aos 11,8%, valor 0,6% mais alto do
que a taxa de desocupação no ano passado.
Na
previsão mais pessimista, o Brasil continuará em recessão, com o PIB
registrando contração de 1%. O desemprego alcançaria os 13,3%.
Nas melhores circunstâncias:
* o número de pessoas moderadamente pobres atingirá os 19,8 milhões
(9,8% da população),
* incluindo os que viverão na miséria extrema — cerca
de 8,5 milhões de indivíduos (4,2%) em 2017.
A linha de pobreza utilizada para os
cálculos foi estipulada como 140 reais
per capita por mês.
No pior cenário:
* a pobreza chega a 10,3% — 20,8 milhões de brasileiros — e
* a pobreza extrema alcançará os 4,6% — 9,3 milhões. Em 2016, a miséria extrema havia sido
calculada em 3,4%.
Caso
os investimentos no Bolsa Família sejam realizados, a proteção social poderia
frear o crescimento da miséria extrema, que alcançaria 3,5% e 3,6% nas
simulações mais otimista e mais pessimista, respectivamente. Os valores
ficariam bem próximos aos verificados em 2015.
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Cresce o número de trabalhadores informais (fazendo "bico") na economia brasileira: é o único jeito para sobreviver! |
Desemprego,
pobreza e redistribuição de renda
O
Banco Mundial lembra que mais de 28,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza
entre 2004 e 2014. O número representa quase metade da redução da miséria na
América Latina e Caribe verificada no mesmo período. Os avanços foram possíveis
pelo crescimento econômico, que gerou novas oportunidades de emprego, sobretudo
no setor de serviços, e também por programas como o Bolsa Família.
Segundo
o organismo financeiro, o Brasil se
assemelha a outros países de renda média, onde os rendimentos do trabalho
representam a maior fatia da renda para os 40% mais pobres da população.
Para a maior parte desse segmento, a
prosperidade depende do trabalho formal. Isso significa que o aumento do
desemprego por conta da recessão põe em risco as conquistas do país no combate
à miséria.
Em 2015, a recessão provocou
o fechamento de 1,6 milhão de postos formais, causando um aumento no nível de
desemprego, que saltou de 4,3% em dezembro de 2014 para 11,8% em outubro de
2016. O
Banco Mundial aponta ainda que os salários reais também vêm sofrendo contração,
com queda de 4,2% em 2015. Neste ano, o PIB registrou uma contração de 5,8%.
Para a fatia da população
vivendo em pobreza extrema, porém, foram os programas de transferência de renda
que reduziram o nível de miséria. Cinquenta e oito por cento da queda na pobreza
extrema no Brasil registrada entre 2004 e 2014 está associada a mudanças nos
rendimentos de fontes que não incluíam o trabalho, como o Bolsa Família.
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Pessoas que tinham trabalho e, ao menos, o ensino médio até 2015, agora, fazem parte do contingente dos "novos pobres" do Brasil devido o desemprego! |
Quem
são os "novos pobres"?
Mapeando
o perfil dos chefes das famílias de “novos pobres”, o Banco Mundial aponta que
esses brasileiros não eram miseráveis em 2015. Eles têm nível de qualificação — 38,2% concluíram pelo menos o Ensino
Médio — muito próximo ao da camada de não pobres, dos quais 41,3% têm, no
mínimo, escolaridade média. Os “novos
pobres” tinham trabalho dois anos atrás, mas entraram para as estatísticas dos
desempregados.
O
nível da formação revelado pelo Banco Mundial distancia os dois segmentos dos
considerados estruturalmente pobres, brasileiros que já eram pobres em 2015 e
continuarão vivendo na miséria. Entre esses, apenas 17,5% terminou o Ensino
Médio e 63,7% vivem no campo. Quase 90%
dos “novos pobres” vivem em zonas urbanas.
Dos que chegarão à linha da
pobreza em 2017, 33,5% são brancos, em comparação aos 24,2% dos brancos descritos como
vítimas estruturais da desigualdade.
Outra
informação calculada pelo organismo financeiro é a faixa etária dos chefes das
famílias dos “novos pobres”. Eles têm em média 37,9 anos, enquanto, entre os
estruturalmente pobres, a média sobre para 41 anos. No grupo de não pobres, a
idade chega a 50,4.
De
acordo com o organismo financeiro, a
profundidade e duração da atual crise econômica no Brasil podem ser vistos como
uma oportunidade para que o governo amplie o papel do Bolsa Família — que
passaria de um eficaz programa de redistribuição de renda para uma verdadeira
rede de proteção, flexível o suficiente para expandir a cobertura aos
domicílios dos “novos pobres”.
Acesse a avaliação do Banco Mundial na íntegra, clicando aqui.
Fonte: Organização das
Nações Unidas no Brasil (ONU Brasil) – Desenvolvimento Sustentável – Segunda-feira, 20 de
fevereiro de 2017 – Internet: clique aqui.
Falta trabalho no país para mais de 24 milhões
de pessoas, aponta IBGE
Redação
Pesquisa do instituto mostra ainda que aumentou o tempo
de busca por
emprego. Taxa de desemprego é maior para negros e
diferença de
rendimentos revela um “abismo”, diz coordenador
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Cresceu o número de trabalhadores desempregados em busca de novo trabalho há mais de um ou dois anos! |
Além dos 12,3 milhões de
pessoas consideradas desempregadas no Brasil, há outras 12 milhões que
gostariam de estar trabalhando ou têm jornada considerada insuficiente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
(Pnad) Contínua, divulgada hoje (23)
pelo IBGE. A chamada taxa de subocupação,
que agrega esses dois grupos, atingiu 22,2% no último trimestre de 2016, ante
17,3% em igual período do ano anterior. São 5,8 milhões de pessoas a mais nessa
condição.
Os
dados do instituto mostram também que o tempo de busca por emprego tem
aumentado. "Está mais difícil
encontrar trabalho", diz o coordenador de Trabalho e Rendimento do
instituto, Cimar Azeredo. Para metade das pessoas, o tempo de duração de
procura varia de um mês a um ano, mas a
parcela que mais cresce é a dos que procuram há mais de um ano ou mais de dois
anos – nesse segundo caso, é um contingente superior a 2 milhões de
desempregados.
A
taxa média de desemprego no país foi estimada em 12% ao final do quarto
trimestre do ano passado, estável frente ao terceiro (11,8%) e maior que no
final de 2015 (9%). Entre as regiões, as taxas ficam acima da média no Nordeste
(14,4%), no Norte (12,7%) e no Sudeste (12,3%). E abaixo no Centro-Oeste
(10,9%) e no Sul (7,7%).
Se o recorte for pelo número
de desempregados, o país "ganhou" 3,269 milhões em um ano, para um
total de 12,342 milhões, crescimento de 36%. Na região Centro-Oeste, essa alta chegou a
52,7%, com acréscimo de 309 mil. No Norte, aumentou 48,8%, com mais 333 mil
desempregados. Na região mais populosa, o Sudeste, esse aumento foi de 31,8%:
acréscimo de 1,364 milhão, totalizando 5,654 milhões.
O
IBGE aponta diferenças significativas nas taxas de desemprego entre homens
(10,7%) e mulheres (13,8%), comportamento verificado em todas as regiões. As mulheres representam 52,2% da população
em idade de trabalhar (a partir de 14 anos), mas são apenas 43% dos ocupados.
Entre os jovens de 18 a 24
anos, o desemprego chega a 25,9%. Cai para 11,2% na faixa entre 25 e 39 anos e para
6,9% entre trabalhadores de 40 a 59 anos.
A diferença também é grande quando se
compara dados de:
* trabalhadores brancos (taxa de desemprego de 9,5%),
* pessoas de cor preta (14,4%) e
* parda (14,1%), conforme a classificação do IBGE.
Há
um "abismo" no rendimento, afirma o coordenador do IBGE: o rendimento
médio dos brancos foi estimado em R$ 2.660, acima da média nacional, no quarto
trimestre (R$ 2.043). O do pardos cai para R$ 1.480 e o dos pretos, para R$
1.461.
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