PMDB está se lixando...
Honra ao demérito
Dora Kramer
Jornalista
Mais que demitir, é preciso não admitir
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MICHEL TEMER Presidente da República parece não se importar com o juízo da opinião pública e a ética! |
Moreira
Franco é ministro, Alexandre de Morais está praticamente assegurado no Supremo
Tribunal Federal, Antonio Carlos Mariz, crítico da Lava-Jato, foi por isso
preterido na lista dos preferidos ao Ministério da Justiça. Em boa hora,
diga-se. Nessa toada, o presidente Michel Temer assegurou que denunciados serão
afastados e os réus demitidos do governo.
Com
isso, pela ótica do Palácio do Planalto os flancos abertos por passos em falso
na política foram fechados e a situação administrada. Na visão do público, cuja
opinião é crucial, contudo, nada está resolvido. Disso dão notícia quaisquer
conversas entre pessoas comuns sobre os inúmeros
inquéritos, citações e processos envolvendo o grupo do presidente. Turma, diga-se, da pesada. [Michel Temer está brincando com a opinião pública!]
É
com ela e em nome dela que Michel Temer
tem transitado da posição de preferido para dar um jeito no país à condição de preterido na lista dos políticos mais bem
aceitos pela sociedade.
Seus índices de popularidade
caem na proporção inversa dos sinais de reorganização da economia. Dado irrelevante, caso
essa queda não se relacionasse aos erros do governo no campo dos bons costumes
e sim aos acertos decorrentes de medidas rigorosas tomadas no intuito de
recolocar o Brasil no rumo certo.
Temer não é candidato em
2018, mas seu partido (PMDB) é candidatíssimo a sentar no banco do carona do
PSDB. Não
irão a lugar algum sem levar em conta o julgamento moral do público, no qual se
inclui a irritabilidade com a mentira e com o abuso do discernimento alheio.
Instrumentos dos quais Planalto de adjacências têm feito uso – se me permitem a
repetição – abusivo.
O anúncio
da decisão presidencial de impor critério à permanência (ou não) de ministros
nos respectivos cargos encerra lição mais eloquente que a aula de fisiologismo explícito dada pelo ministro Eliseu Padilha
sobre a utilidade do balcão de votos como método para escolha de ministros.
Na
semana passada, o ministro Eliseu Padilha, sem saber que era gravado, afirmou
em uma palestra que o governo queria um “notável” na Saúde mas, no fim, decidiu
fazer o de sempre: trocar o cargo pelos
votos do PP no Congresso.
ELISEU PADILHA (PMDB-RS) Ministro admite que o critério para ser Ministro no governo Temer é, de fato, ter votos e não ter competência! |
“Normal”,
diz Padilha para espanto de quem esperava outro tipo de eficiência – aquele
firmado no preceito de honra ao mérito -, uma vez que os atuais inquilinos no
poder substituíram seus antecessores alegando, entre outros motivos, a prática
sistemática da concessão de honra ao demérito. Já Temer em seu pronunciamento foi além: consignou a licença para
transgredir.
Sem
denúncia ou pronúncia de sentença, agentes públicos são imunes ao julgamento
moral daqueles a quem devem servir. O
presidente inverte conceitos, usando a presunção da inocência em prol da
suposição de livre indecência. Por essa régua, os nomeados podem tudo, menos ser pegos, quando o correto seria não
os admitir a fim de que não fosse necessário demiti-los.
Com
essa e várias outras, Temer contratou
uma volta às ruas marcado para depois de o Carnaval chegar.
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