PMDB: o partido que tem o poder!
O poder de verdade
Carlos Melo
Cientista
Político e Professor do Insper (SP)
Desde a redemocratização, em 1985, o PMDB elegeu
presidentes do Senado
em 15 ocasiões; terminada a atual Legislatura, em 2019,
terão decorrido
30 anos de poder, em 34 possíveis
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EUNÍCIO OLIVEIRA (PMDB-Ceará) |
Desde
a redemocratização, em 1985, o PMDB elegeu presidentes do Senado em 15
ocasiões; terminada a atual Legislatura, em 2019, terão decorrido 30 anos de
poder, em 34 possíveis. A pequena
interrupção se deu pelas mãos de Antônio Carlos Magalhães (PFL/DEM, rei da
Bahia), em duas oportunidades, e uma
rápida interinidade – de Tião Viana (PT), em razão da renúncia de Renan
Calheiros, já naquele tempo enredado num escândalo.
Pode-se dizer que aquela
presidência é um monopólio peemedebista. Na imensa maioria dos casos, os presidentes do
Senado são provenientes do Nordeste – talvez, com justiça como compensação ao
predomínio do Sudeste e do Sul, na Câmara. O fato é que os dois maiores colégios eleitorais do País – São Paulo e Minas Gerais
– não fizeram sequer um presidente nesse período. Eunício Oliveira não foge
desse figurino.
O
Senado se distingue da Câmara pelo menor número de parlamentares, a serenidade
e a senioridade da maioria de seus membros e a cordialidade característica de
seus corredores. A Casa é uma espécie de
contrapeso aos arroubos dos deputados; a
maioria dos senadores age como um colchão de proteção para os sucessivos
governos.
Estes
dados são reveladores da distribuição do poder político no País e há lógica
nisso: o PMDB bem sabe como cobrar pela
importância e o papel que assume. A proteção que oferece resulta em cargos, verbas e poder decisório nos
ministérios, nas autarquias, nas estatais. Instrumentos que na sequência
favorecerão a reeleição de senadores, a formação de uma grande bancada e
perpetuando o ciclo.
É
sintomático que durante o período o partido tenha eleito apenas Tancredo Neves
– ainda assim pela via indireta, em 1985; tendo o presidente nem sequer
assumido o mandato. Basicamente, o PMDB
não disputa a Presidência, o que não lhe impede de não ocasionalmente assumir
também o Executivo. Isto tudo é revelador do modo como é a política nos
bastidores, nos conchavos, nos acertos e na força das maiorias parlamentares. Os holofotes das eleições presidenciais
sobre candidatos ao Executivo brilham muito, mas contam pouco.
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