Empresas devem dar autonomia à equipe, diz consultor dos EUA [Isso não seria bom em outros setores, também?]

CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO


Para o americano Daniel Pink, em dez anos os conceitos de motivação serão substituídos 

Para o consultor, só a recompensa financeira não é mais suficiente para manter uma equipe engajada 

Considerado um "guru" no mundo dos negócios em temas como motivação em empresas, o consultor americano Daniel Pink [foto ao lado], 46, defende que, na economia do século 21, a recompensa financeira não é suficiente para manter uma equipe engajada.

Na era do conhecimento, diz ele, as companhias precisam estimular a autonomia e o aprendizado dos funcionários e oferecer um sentido para o trabalho.

Autor do livro "Drive" (ou "Motivação 3.0", título em português), Pink acredita em uma guinada no modelo de gestão empresarial no mundo nos próximos dez anos.

E diz que os países emergentes podem se destacar nesse processo, tornando-se mais competitivos.

Maduros x emergentes 
Em mercados mais maduros, como os EUA, embora existam vários exemplos de empresas jovens que aplicam conceitos modernos de gestão, é mais difícil para companhias já consolidadas mudar suas diretrizes.
Já em países emergentes, como Brasil e Índia, em que ainda há muito espaço para o desenvolvimento de empresas, a mudança para um modelo de gestão mais contemporâneo pode ser mais fácil.

Quanto à autonomia das equipes, há bons casos no mercado americano.
Na Netflix [empresa de locação virtual de vídeos], não há nenhuma política de controle sobre quantos dias de férias o funcionário vai tirar; basta que a equipe entregue os resultados esperados.
No Facebook [rede social], na seleção de um jovem talento, é a pessoa a ser contratada que escolhe em qual time da empresa quer trabalhar.

Nova década 
Hoje, em geral, as companhias aplicam muito pouco uma gestão com conceitos de "motivação 3.0", que agregam à remuneração financeira:

  • o estímulo à autonomia
  • ao desenvolvimento dos funcionários, e 
  • um propósito atrativo para o trabalho.

Acredito que, nos próximos dez anos, haverá uma guinada nessa proporção: a aplicação desse novo modelo será maior que a do tradicional.

Mudança gradual
Nas companhias com mais tempo de vida, a transição deve ser gradual.
Uma empresa australiana, a Atlassian [de softwares], que não é tão jovem, adotou o seguinte processo: um dia por trimestre, os funcionários ficam livres para trabalhar no que quiserem, desde que apresentem a ideia no dia seguinte.

É o chamado "FedEx day" [referência à entrega da encomenda no dia seguinte], que acontece apenas uma vez a cada três meses.
Mas essa liberdade possibilita o surgimento de ideias criativas que não apareceriam com a supervisão tradicional.

No Brasil, a Semco [de equipamentos, serviços e investimentos] adotou uma política de transparência na divulgação de salários, para que os funcionários se sintam tratados de forma justa.

Aprendizado e propósito 
Aprendizado e propósito também são fundamentais à boa gestão de empresas nos tempos de hoje.
O primeiro, especialmente para os funcionários mais jovens.

Já o propósito do trabalho, fazer algo que faça a diferença na sociedade, é algo que costuma ser valorizado pelos mais experientes.

A remuneração financeira é sempre importante. É preciso que as pessoas sejam bem pagas, o suficiente para que o dinheiro deixe de ser uma questão e os funcionários possam focar no trabalho para ter bons resultados.

Fonte: Folha de S. Paulo - Mercado - Sexta-feira, 1º de julho de 2011 - Pg. B8 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0107201121.htm

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A necessidade de dessacerdotalizar a Igreja Católica

Dominação evangélica para o Brasil

Eleva-se uma voz profética