10 revelações espantosas da Operação Lava Jato
Leandro
Narloch
Com o desenrolar das investigações da Lava Jato, os
escândalos e denúncias vão se acumulando; os brasileiros aos poucos perdem a capacidade
de se assustar com eles. Por isso é bom lembrar as histórias mais espantosas
que vieram à tona nos depoimentos.
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JOSÉ DIRCEU - olha ele aí de novo!!! |
1.
“Doações eleitorais”
Pedro Barusco,
ex-diretor de engenharia da Petrobras, contou à Justiça Federal que as
empreiteiras eram intimadas a fazer doações eleitorais ao PT [Partido dos
Trabalhadores] no valor de 0,5% dos contratos que fechavam com a Petrobras. Foi
o caso, segundo ele, do estaleiro Keppel
Fels, de Cingapura, que fechou um contrato de R$ 185,8 milhões com a
Petrobras. Meio por cento desse valor equivale a R$ 929 mil. Quatro meses
depois da Petrobras firmar o acordo com o estaleiro, o PT recebeu, segundo o
TSE, uma doação R$ 930 mil da FSTP Brasil, que pertence à Keppel Fels. De
acordo com planilhas fornecidas por Barusco, propinas mascaradas de doações eleitorais ao PT chegaram a R$ 455
milhões.
2.
Cinco pessoas, R$ 472 milhões
A Operação Lava Jato já investigou 87 pessoas, mas o que
surpreende é que cinco – apenas cinco pessoas – já se comprometeram a devolver
quase meio bilhão de reais. Pedro
Barusco devolverá 97 milhões de dólares (ou R$ 289 milhões); o doleiro Alberto Youssef, R$ 50 milhões; Júlio Camargo e Augusto Ribeiro, da Toyo Setal, também R$ 50 milhões. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de
abastecimento, prometeu devolver 26 milhões de dólares (vindos de uma conta na
Suíça e outra nas Ilhas Cayman), além de 181 mil dólares, R$ 762 mil e 10,9 mil
euros apreendidos em sua casa, uma lancha no valor de R$ 1,1 milhão, um terreno
no município de Mangaratiba (RJ) avaliado em R$ 3,2 milhões, e uma Range Rover
Evoque de R$ 300 mil.
3.
E contando…
A conta acima não inclui bens que foram bloqueados pela
Justiça de investigados que não assinaram acordo de delação premiada. Nestor Cerveró, ex-diretor da área
internacional da Petrobras, teve R$ 106 milhões bloqueados. Para a Justiça
Federal, esse valor veio da propina cobrada em contratos de navios-sonda para
perfuração em águas profundas na África e no México em 2006 e 2007.
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Pedro Barusco - ex-diretor de Engenharia da Petrobras |
4.
Intimidade
Em 2008, o diretor Paulo
Roberto Costa foi um dos convidados
da festa de casamento de Paula Araújo Rousseff, filha de Dilma.
5.
Aspectos políticos
A JD Assessoria, empresa de consultoria de José Dirceu, ganhou uma bolada com as
empreiteiras envolvidas no Petrolão. A OAS
desembolsou R$ 720 mil pela consultoria de Dirceu; a Galvão Engenharia, 725 mil; a UTC,
empreiteira-chefe do cartel, desembolsou R$ 2,3 milhões só entre 2012 e 2013. A
Camargo Corrêa pagou R$ 866 mil pela
consultoria sobre “integração dos países da América do Sul e análise de
aspectos sociológicos e políticos do Brasil”.
6.
Até que a morte os separe
José Janene,
líder do PP [Partido Popular], um dos réus do Mensalão e participante do
esquema de propina na Petrobras, morreu no Incor, em São Paulo, em setembro de
2010. Quem assinou o atestado de liberação do corpo foi o doleiro Alberto Youssef. De acordo com Hermes
Freitas Magnus, o empresário que fez as primeiras denúncias que resultaram na
Operação Lava Jato e ex-sócio de José Janene, a participação do ex-deputado no
esquema de corrupção na Petrobras funcionava como um “cala-boca”, para que
Janene não agisse para “derrubar Lula” contando o que sabia sobre o Mensalão.
7.
Te amo
Em 28 de fevereiro de 2014, a Polícia Federal interceptou a
seguinte mensagem entre o doleiro
Alberto Youssef e o deputado Luiz
Argôlo (SSD-BA):
Argôlo: Bom dia.
Youssef: Bom dia.
Argôlo: Você sabe que tenho um carinho por vc e é muito
especial.
Youssef: Eu idem.
Argôlo: Queria ter falado isso ontem. Acabei não falando. Te
amo.
Youssef: Eu amo você também. Muitoooooooooo<3
Argôlo: Sinto isso. E aí já melhorou?? Melhorou??? Por favor
me diga alguma coisa.
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Deputado LUIZ ARGÔLO (SSD-Bahia) |
8.
Castigo
Renato Duque,
ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras, costumava punir empresas que dificultavam ou atrasavam o pagamento de
propina. Alberto Youssef contou à Justiça Federal que Duque sugeriu à
empreiteira Alusa apresentar um projeto para uma obra do Comperj, o complexo
petroquímico do Rio de Janeiro. O motivo da sugestão era o “jogo duro” que a
Camargo Corrêa estaria fazendo para liberar a propina. “Caso precisasse de
aditivo, a empresa ‘não contribuinte’ não contaria com qualquer auxílio ou
facilitação para que os aditivos fossem aprovados ou agilizados”, afirmou
Youssef.
9.
Negócio do século
O escândalo da Refinaria de Pasadena, no Texas, é bem
conhecido, mas não deixa de impressionar. Em 2005, a belga Astra Oil comprou a
refinaria por 42,5 milhões de dólares. Um ano depois, vendeu metade da
refinaria para a Petrobras por 360 milhões de dólares. Depois vendeu os seus
50% por 639 milhões de dólares. Totalizando um lucro de quase um bilhão de
dólares para a Astra, e um prejuízo de 792 milhões de dólares para a Petrobras,
ou mais de R$ 2 bilhões. “Foi o negócio do século”, comentaram jornais belgas.
10.
Todo mundo
Em 2008, a ex-gerente da Petrobras, Venina da Fonseca, foi à sala de Paulo Roberto Costa contar que
sabia de casos de propina e superfaturamento em contratos da Petrobras. Segundo
ela, Paulo Roberto apontou para o
retrato do Lula e perguntou:
- Você quer derrubar
todo mundo por aqui?
Fonte: VEJA – Blogs e
Colunistas – Leandro Narloch: O Caçador de Mitos – 06/03/2015 – Publicado às
13h07 – Internet: clique aqui.
Dez respostas sobre a Lava-Jato
1.
Os políticos alvo de inquérito agora podem ter a prisão decretada, como os
empresários?
Não. Parlamentares só podem ser presos se condenados ou
flagrados em crime inafiançável; governadores e presidente, só depois de
sentenciados. Assim, eventuais prisões preventivas só poderão ser decretadas
para políticos sem mandato ou ministros.
2.
Quando os políticos serão julgados?
Não há previsão. A fase de inquéritos (produção de provas)
deve durar pelo menos um ano até que a Procuradoria Geral da República ofereça
as denúncias e os políticos se transformem em réus.
3.
E, no caso dos empreiteiros, por que o julgamento deve ser mais rápido?
Como eles estão presos, os processos têm prioridade na
Justiça. Além disso, já são réus.
4.
A entradade um novo ministro no Supremo Tribunal Federal [STF], cuja indicação
pela presidente Dilma é esperada para este mês, pode interferir nos
julgamentos?
O novo ministro junta-se a outros quatro magistrados da
turma. Suas chances de interferir no rumo do julgamento limitam-se, portanto,
ao próprio voto.
5.
Lula foi acusado por Youssef de saber de tudo. Por que o nome dele não
apareceu?
O ex-presidente, até onde se sabe, ainda não é investigado.
Caso os investigadores decidam fazê-lo, a apuração acontecerá no âmbito da
Operação Lava-Jato no Paraná, já que ele não tem mais direito a foro
privilegiado.
6.
O fato de Janot ter recomendado a não investigação da presidente Dilma a
inocenta?
A presidente da República tem imunidade temporária. Ela só
pode ser processada por fato atinentes ao seu mandato. Isso, porém, não
significa uma declaração de inocência. Ela poderá ser investigada e denunciada
ao fim do mandato, ou antes, caso se comprove que usou o cargo para beneficiar a
quadrilha ou recebeu vantagens.
7.
Para onde vai o dinheiro recuperado dos corruptos?
Os recursos bloqueados dos investigados vão para uma conta
bancária aberta em nome da Justiça Federal e controlada pelo juiz do caso. No
fim do processo, havendo condenações e reconhecimento de culpa, o dinheiro é
devolvido aos cofres da União.
8.
Os políticos também podem fazer delação premiada?
Sim. A diferença é que negociam o acordo diretamente com a Procuradoria-Geral
da República, e não com o Ministério Público Federal. Mas, ao firmarem o pacto,
assumem um risco maior de ter o mandato cassado, na medida em que reconhecem
ter cometido o delito.
9.
A CPI da Petrobras pode interferir no rumo das investigações?
As CPIs têm poder de investigação para inquirir
investigados, quebrar sigilos e produzir provas que podem auxiliar o trabalho
do Judiciário.
10.
Por que o julgamento dos políticos não ocorrerá no plenário do STF, como no
mensalão?
Uma mudança no regimento do STF em 2014 transferiu para as
turmas de ministros a competência de julgar crimes comuns de parlamentares. O
intuito é dar maior agilidade aos julgamentos. Processos referentes à Lava-Jato
estão a cargo da turma composta dos ministros Teori Zavascki, Gilmar
Mendes, Carmen Lúcia e Celso de Mello.
Fonte: VEJA – Edição
2416 – Ano 48 – nº 10 – 11 de março de 2015 – Pg. 53 (edição impressa).
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