Papa anuncia o “Jubileu da misericórdia”
Andrea
Tornielli
Vatican
Insider
13-03-2015
Surpresa: um ANO SANTO
EXTRAORDINÁRIO
que terá início em 8
de dezembro de 2015 e
durará até 20 de
novembro de 2016, Festa de Cristo Rei.
Será aberta a Porta
Santa na Basílica vaticana.
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Papa Francisco se confessa após o anúncio do Ano Santo Extraordinário |
“A mensagem de Jesus é
a misericórdia. Para mim, digo-o humildemente, é a mensagem mais forte do
Senhor”, disse na homilia na igreja paroquial de Santa Ana no Vaticano,
quatro dias depois de ter sido eleito Papa.
“Eu creio que este é o
tempo da misericórdia”, disse durante a conferência de imprensa quando
voltava de sua primeira viagem internacional ao Brasil, aos 29 de julho de
2013.
“A misericórdia não é
somente uma virtude pastoral, e sim a própria substância do Evangelho”,
escreveu numa carta enviada segunda-feira passada à Universidade Católica
Argentina.
O tema da
misericórdia tem sido central nestes primeiros anos de Pontificado, e hoje, no
segundo aniversário de sua eleição como Pontífice, Francisco anunciou a
promulgação de um Ano Santo da Misericórdia.
Foi o Papa em pessoa quem o comunicou, durante a liturgia penitencial que
presidiu na Basílica de São Pedro e na qual ouviu a confissão de alguns fiéis.
Este Jubileu
Extraordinário começará no próximo dia 8 de dezembro, no quinquagésimo aniversário de fechamento do
Concílio Ecumênico Vaticano II, e durará até a festa de Cristo Rei, em
novembro de 2016.
São estas as palavras com as quais o Papa anunciou o Ano
Santo:
«Queridos irmãos e
irmãs, tenho pensado amiúde como poderia a Igreja tornar mais evidente sua
missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma
conversão espiritual. Por isso decidi promulgar um Jubileu Extraordinário que
tenha em seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia.
Queremos vivê-lo à luz da Palavra do Senhor: “Sejam misericordiosos como o Pai”
(Lc 6, 36). Este Ano Santo iniciará na próxima solenidade da Imaculada
Conceição e se concluirá no dia 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor
Jesus Cristo Rei do universo e face viva da misericórdia do Pai».
«Encomendo
a organização deste jubileu – acrescentou
o Papa – ao Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, para
que possa animá-lo como uma nova etapa do caminho da Igreja em sua missão de
levar a todas as pessoas o Evangelho da misericórdia. Estou convencido de que
toda a Igreja poderá encontrar neste jubileu a alegria para voltar a descobrir
e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual somos todos chamados a dar
consolação a cada homem e a cada mulher de nosso tempo.
Encomendamo-lo
desde agora à Mãe da Misericórdia, para que dirija a nós o seu olhar».
Durante o voo de regresso do Rio de Janeiro, em julho de
2013, Francisco respondeu à pergunta de um jornalista dizendo: «Eu creio que
este é o tempo da misericórdia. Esta mudança de época, incluídos muitos
problemas da Igreja – como um mau testemunho de alguns sacerdotes, inclusive
por problemas de corrupção na Igreja -, como o problema do clericalismo, para
dar um exemplo, deixou muitos feridos, muitos feridos. E a Igreja é mãe: deve
ir curar os feridos, com misericórdia. Se o Senhor não se cansa de perdoar, nós
não temos outra possibilidade além desta: antes de tudo curar os feridos... É
mamãe, a Igreja, e deve seguir em frente por esta via da misericórdia. E
encontrar uma misericórdia para todos. Eu penso, quando o filho pródigo voltou
para casa, o pai não lhe disse: “Vejamos, tu, senta-te. O que fizeste com o
dinheiro?” Não! Fez festa! Depois, talvez, quando o filho quis falar, falou. A
Igreja tem que fazer assim. Quando há alguém... mas, não só é preciso
esperá-los, é preciso ir buscá-los! Esta é a misericórdia. E eu creio que isto
é um “kairós”: este tempo é um “kairós” de misericórdia. Mas, esta primeira
intuição a teve João Paulo II, quando começou com Faustina Kovalska, a Divina
Misericórdia... Ele havia intuído que era uma necessidade desta época».
O “kairós”,
segundo a tradição bíblica, é a
circunstância conveniente, o tempo
oportuno para uma iniciativa de Deus, que
deve ser aproveitada no presente. Com o anúncio de hoje, Francisco quer
favorecer a redescoberta do sacramento da penitência e da reconciliação, e
recordar que “Deus não se cansa jamais de
perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir-lhe perdão“.
A bula será publicada no mês que vem no Domingo da Divina
Misericórdia (12 de abril), instituído por João Paulo II. Este novo Ano Santo não é parte da série dos “ordinários”, celebrados a
cada 25 ou 50 anos (o último foi o grande Jubileu de 2000), senão que faz
parte dos Jubileus “extraordinários”
que a Igreja promulga e momentos particulares da história, como o do Papa
Wojtyla em 1983, para celebrar os 1950 anos da redenção que Jesus cumpriu na
Cruz no ano 33.
«A via da Igreja – disse o Papa durante a homilia do passado
dia 15 de fevereiro com os novos e velhos cardeais – é a de não condenar
eternamente ninguém: infundir a misericórdia de Deus a todas as pessoas que a
pedem com coração sincero; a via da Igreja é justamente a de sair do próprio
âmbito para ir buscar os que estão longe, os que estão nas “periferias da
existência”, isto é, adotar integralmente a lógica de Deus e seguir o Mestre
que disse: “Não são os sadios que necessitam de um médico, senão os enfermos;
eu não vim chamar os justos, senão os pecadores, para que se convertam”».
Particularmente significativa, para compreender o olhar do
Papa sobre este argumento, foi a homilia que pronunciou nesta tarde em São
Pedro e que concluiu com o anúncio do Jubileu. Francisco, comentando a passagem
evangélica da pecadora que se prostra diante de Jesus para ungir-lhe os pés com
unguentos perfumados, explicou sua atitude e a de Simão, o fariseu. No primeiro
caso, está “o amor que vai além da
justiça”, enquanto Simão, o fariseu, pelo contrário, não consegue encontrar
a via do amor. Permanece quieto no umbral da formalidade... Em seus pensamentos
invoca somente a justiça e, desta maneira, se equivoca. Seu juízo sobre a
mulher o afasta da verdade”.
«O chamado de Jesus impele cada um de nós a não nos determos
jamais na superfície das coisas – explicou o Papa -, sobretudo quando estamos
frente a uma pessoa. Somos chamados a ver além, a apostar pelo coração para ver
de quanta generosidade cada um é capaz. Ninguém
pode ser excluído da misericórdia de Deus: todos conhecem a via para aceder
a ela, e a Igreja é a casa que acolhe a todos e não rechaça ninguém. Suas
portas permanecem abertas de par em par, para que todos os que tenham sido
tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Se maior for o pecado,
maior deve ser o amor que a Igreja expressa aos que se convertam».
Após o anúncio do Jubileu extraordinário e antes de ouvir a
confissão de alguns fiéis, o Pontífice argentino se dirigiu aos confessionários
de São Pedro e se ajoelhou para confessar-se pessoalmente.
Traduzido do italiano por Benno Dischinger. Para acessar a versão
original deste artigo, clique aqui.
Fonte: Instituto
Humanitas Unisinos – Notícias – Terça-feira, 17 de março de 2015 –
Internet: clique aqui.
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