4º Domingo da Quaresma – Ano B – Homilia
Evangelho:
João 3,14-21
15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.
16 Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18 Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
19 Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.
20 Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas.
21 Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos:
14 Do mesmo modo como Moisés levantou a
serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado,15 para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna.
16 Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
17 De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
18 Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.
19 Ora, o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más.
20 Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas.
21 Mas quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
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Jesus e Nicodemos - João 3,1-21 |
DEUS AMA O MUNDO
Não é uma frase a mais. Palavras que se poderiam eliminar do
Evangelho, sem que nada de importante mudasse. É a afirmação que recolhe o
núcleo essencial da fé cristã: “Deus amou tanto o mundo, que entregou seu
Filho único”. Este amor de Deus é a origem e o fundamento de nossa
esperança.
“Deus ama o mundo”. Ama-o tal como é. Inacabado e incerto. Cheio
de conflitos e contradições. Capaz do melhor e do pior. Este mundo não percorre
seu caminho sozinho, perdido e desamparado. Deus o envolve com seu amor pelos
quatro lados. Isto tem consequências da máxima importância.
Primeiramente, Jesus é, antes de tudo, o “presente”
que Deus deu ao mundo, não somente aos cristãos. Os pesquisadores podem
discutir infinitamente sobre muitos aspectos de sua figura histórica. Os
teólogos podem seguir desenvolvendo suas teorias mais engenhosas. Somente quem
se aproxima de Jesus Cristo como o grande presente de Deus pode ir descobrindo
em todos os seus gestos, com emoção e alegria, a proximidade de Deus a todo ser
humano.
Em segundo, a razão
de ser da Igreja, a única coisa que justifica a sua presença no mundo é
recordar o amor de Deus. Destacou-o, muitas vezes, o Concílio Vaticano II: A
Igreja “é enviada por Cristo a
manifestar e comunicar o amor de Deus a todos os homens”. Nada é mais
importante. A primeira coisa é comunicar esse amor de Deus a todo ser humano.
Em terceiro lugar, segundo o evangelista, Deus faz ao mundo
esse grande presente que é Jesus, “não para condenar o mundo, mas para que o
mundo se salve por ele”. É muito perigoso fazer da denúncia e
condenação do mundo moderno todo um programa pastoral. Somente com o coração
cheio de amor a todos, podemos chamar uns aos outros à conversão. Se as pessoas
se sentem condenadas por Deus, não lhes estamos transmitindo a mensagem de
Jesus, mas outra coisa: talvez, o nosso ressentimento e raiva.
Em quarto lugar, nestes momentos em que tudo parece confuso,
incerto e desanimador, nada nos impede, a cada um, de introduzir um pouco de
amor no mundo. É o que fez Jesus. Não se deve esperar nada. Por que não haverá,
nestes momentos, homens e mulheres bons que introduzem entre nós amor, amizade,
compaixão, justiça, sensibilidade e ajuda aos que sofrem? Estes constroem a
Igreja de Jesus, a Igreja do amor.
FICAR CEGO
Há muitas maneiras de ficar
cego na vida, sem verdade interior
que ilumine nossos passos. Há muitas formas de caminhar nas trevas sem
saber exatamente o que queremos ou para onde vamos. Não é supérfluo assinalar
algumas.
É muito fácil passar a vida inteira ocupado só com as
questões mais imediatas e, aparentemente, mais urgentes e práticas, sem
perguntar-me jamais “o que estou fazendo de mim”. Instalamo-nos
na vida e vamos vivendo ainda que não saibamos nem por que nem para quê.
É também comum viver programado a partir de fora. A sociedade de consumo, a publicidade e as
modas vão me dizendo pelo que me interessar, para onde dirigir meus gostos,
como tenho de pensar ou como ir vivendo. São outros aqueles que decidem e
fabricam a minha vida. Eu me deixo levar cegamente.
Há outra maneira muito pós-moderna de caminhar nas trevas:
viver fazendo “o que eu quero”, sem penetrar jamais na própria consciência.
Pelo contrário, iludindo sempre aquela voz interior que me lembra da minha
dignidade como pessoa responsável.
Provavelmente o
melhor modo de viver cegos é mentir a nós mesmos. Construirmos uma “mentira-raiz”,
fabricarmos uma personalidade falsa, instalarmo-nos nela e viver o resto de
nossa vida à margem da verdade.
É também tentador ignorar aquilo que nos obrigaria a mudar.
Fechar os olhos e “autocegar-nos” para não ver o que nos interpelaria. Ver
somente o que queremos ver, utilizar uma
medida diferente para julgar os outros e para julgar a nos mesmos, não
enfrentarmos a luz.
Todos deveríamos escutar, desde nosso interior, as palavras
de Jesus que nos convidam a sair de nossa cegueira: “Quem pratica o mal odeia a luz e
não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem age
conforme a verdade aproxima-se da luz”.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte: Sopelako San
Pedro Apostol Parrokia – Sopelana – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B (Homilías) –
Internet: clique aqui.
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