O PT ainda não entendeu o "antipetismo"?
Entrevista
com Lincoln Secco
Renan Truffi
Para professor da USP,
autor de "A história do PT", o partido erra ao se comparar com os
governos anteriores e demonizar a classe média
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Lincoln Secco - Professor de História Contemporânea na FFLCH/USP |
Dez anos depois de ter seus principais líderes envolvidos no
“mensalão”, o Partido dos
Trabalhadores vê mais dirigentes serem diretamente acusados na Operação Lava Jato. Apesar de a polêmica
desgastar ainda mais a imagem do partido, para Lincoln Secco, professor de História da Universidade de São Paulo e
autor do livro A história do PT, o grande problema do partido é a base cada
vez maior do antipetismo, crescente principalmente entre as classes médias.
“[Esse sentimento está] traduzido pelo discurso anticorrupção,
‘antiaparelhismo’ do Estado, por mais que sejam noções que se aplicam também a
governo anteriores. Mas não basta o PT dizer isso porque o partido já está no
poder há 13 anos”.
Em entrevista a CartaCapital,
Secco explica como o modelo de
gestão petista, baseado no pacto de conciliação de classes, “deixou uma margem
de manobra crítica para os setores médios”. “O erro do PT é esse. O partido
jamais quis acirrar a luta de classes, mas o modelo de governo que ele
constituiu, que elevou uma parte das classes pobres socialmente, acirraria
inevitavelmente a luta de classes”.
Leia a entrevista na íntegra abaixo:
CartaCapital: O governo Dilma foi
alvo no último fim de semana de um “panelaço” em bairros ricos e de classe
média alta. Em resposta, o partido divulgou nota sobre o que chamou de “ato
orquestrado pela burguesia”. Como o senhor enxerga esse processo pelo qual o PT
passa em seu quarto mandato presidencial? Acha que o partido está em negação
dos fatos?
Lincoln Secco: Em
primeiro lugar não é uma ação orquestrada da grande burguesia porque nós temos
visto indícios, até mesmo na grande imprensa, de que não há uma preferência dos
estratos sociais mais ricos pelo impeachment.
Obviamente que existem pequenos grupos que organizam manifestações. O que o PT
talvez não tenha entendido é que existe um sentimento difuso na sociedade desde
2005 [época do “mensalão”] que é o antipetismo, traduzido pelo discurso
anticorrupção, “antiaparelhismo” [1] do Estado, por mais que sejam noções que se aplicam
também a governo anteriores. Mas não basta o PT dizer isso porque o partido já
está no poder há 13 anos.
CC: Há ainda justificativa para
falar de “burguesia” depois de uma eleição tão polarizada? O senhor não acha
que o PT não percebeu ainda que perdeu uma parte de seu eleitorado?
LS: O modelo de
governo do PT está calcado em uma conciliação de classes, especialmente entre
os muito ricos e os muito pobres. Isso deixou uma margem de manobra crítica,
enorme, para os setores médios, que não
ganharam nada nos governos Lula e Dilma. E é esperado que pessoas que emergiram das classes mais
pobres para aquilo que o próprio Lula chamou de “nova classe média” acabe
incorporando os valores da classe média tradicional. Isso forma uma base
cada vez maior para o antipetismo. Nas últimas eleições, esse estrato social,
que eu prefiro chamar de nova classe
trabalhadora, se dividiu. Uma parte ficou fiel ao projeto do PT e outra
parte migrou para o PSDB.
CC: O PT parece não saber como
responder a tudo isso. Como o senhor avalia a postura do partido neste tipo de
situação, do ponto de vista do diálogo com a sociedade? Historicamente, o
partido sempre teve problema na comunicação?
LS: O PT sempre
teve, na verdade, uma dificuldade de acesso à grande imprensa. Quem forma a
imagem do PT não é ele, são os meios de comunicação de massa, que têm uma
predisposição de crítica maior em relação ao PT. Ficou demostrado já [a postura
da mídia] em pesquisas tanto no período em que o PT fazia oposição ao governo
Fernando Henrique Cardoso como no período em que se tornou governo. Mas
historicamente o PT nunca se interessou
nem em informar sua militância e nem em constituir um aparato de imprensa, uma
necessidade histórica do partido.
CC: O “panelaço” surgiu também em
meio à divulgação da lista da Operação Lava Jato. De novo o PT está envolvido
em um grande escândalo de corrupção. Como o senhor analisa esse novo episódio
na história do partido?
LS: Em primeiro
lugar, a lista do Janot[2] não citou nenhum grande nome do PT. Com exceção do
Antonio Palocci, que é um nome histórico, mas que já estava inativo
politicamente. Então na verdade o potencial destrutivo das acusações atuais
sobre o PT é bem menor que em 2005[3].
Acontece que, em 2005, o Lula estava em final de mandato. Então a oposição
esperava que sangrando o Lula até as eleições seria suficiente para retirá-lo
do poder. Agora a Dilma está no início de mandato. Isso significa que ela vai ter um governo de crise nessas
acusações durante quatro anos. Isso que é terrível para o partido.
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Foto da capa do livro do entrevistado |
CC: Vai ter que resistir ao
sangramento por muito mais tempo...
LS: E as
lideranças de 2005 eram lideranças de primeiro time do PT. Dois ex-presidentes
do partido foram para a cadeia. Acredito que não haja paralelo em nenhum
partido socialdemocrata do mundo. E também um ex-presidente da Câmara dos
Deputados. Pelo menos até agora não é a mesma coisa.
CC: Como biógrafo do PT, qual
análise o senhor faz individualmente dos nomes do partido envolvidos na Lava
Jato?
LS: O [Antônio] Palocci já havia passado por um
transformismo ideológico no início dos anos 1990. Quando foi prefeito de
Ribeirão Preto (SP), ele defendeu privatizações, escandalizou o partido num
momento em que o PT era mais radical. Teve uma trajetória sempre envolta em
mistérios, para usar um eufemismo. Mas o [senador] Lindberg [Farias] é um quadro neopetista errático. Saiu do PCdoB,
se dirigiu ao trotskismo, e então se aproximou do PT. Ele não é um quadro
histórico do partido. Tanto a [senadora] Gleisi
Hoffman [PT-PR] como Humberto Costa
[PT-PE] são quadros até que históricos, mas regionais. A Gleisi foi ministra da Casa Civil, mas não tem a importância que
aqueles quadros do PT que caíram em 2005 tiveram. É por isso que acho que o problema do PT não está na
lista. O problema está nesse sentimento negativo até para a democracia, que
está se apossando de parte da sociedade, de que é preciso retirar a presidenta
através da força ou impeachment.
Quando a gente sabe que não existe nenhuma razão para impeachment no Brasil. Esse é um sentimento difuso.
CC: Sobre o escândalo, parece que
toda a raiz é o financiamento privado de
campanha, um dos temas mais importantes da reforma política. Como o senhor
enxerga o fato dessa bandeira não ter sido prioridade para o PT durante muitos
anos e agora explicar a participação do partido no escândalo?
LS: Depois de
junho de 2013, o PT se voltou novamente para a defesa da reforma política. A
própria presidenta lançou uma proposta, que foi sabotada por pessoas de seu
próprio partido na época. E há setores minoritários do PT que fizeram no ano
passado uma campanha de marcha pela reforma política. Mas a direção do PT
sempre fica em compasso de espera: apoia timidamente e espera a reação da
sociedade. Eu acho que o escândalo atual
teria como uma saída, por parte do PT, a defesa radical agora do financiamento
público de campanha porque o escândalo está especialmente ligado a isso.
Está especialmente ligado ao financiamento privado de campanha, mas não há clima no Congresso para uma
reforma política desse tipo. É mais fácil acontecer uma contrarreforma.
CC: Como essa que o Eduardo Cunha
(PMDB) tem tentado emplacar...
LS: Isso mostra
que, na verdade, os escândalos se sucedem, obviamente com um ilícito real no
fundo, mas só adquirem expressão pública porque são usados como arma política.
No caso, contra o PT. Não quer dizer que não haja ilícito, mas acontece que
isso reduz o debate político a um nível mais baixo. Quer dizer, nós não estamos
mais debatendo se o projeto social-rentista do governo Lula era correto ou não.
Se o PSDB tinha alternativas. Se os dois partidos são parecidos ou não. Nós estamos debatendo crime. Quer
dizer, a política está nas páginas
policiais.
CC: O senhor acredita que essa nova
crise do partido tem relação com o fato do PT ter perdido seus grandes quadros
em 2005? O PT vive uma crise de quadros?
LS: Sem dúvida, o
PT foi decapitado em 2005. Sobrou o Lula, que nunca foi uma pessoa que se
importou em dirigir o partido. Lula sempre falou para fora. Ele deixava a
tarefa de falar para dentro para o José
Dirceu. Então isso aconteceu com a perda de José Genoino, Dirceu, João Paulo e até em certa medida o
afastamento do Palocci. Tudo isso
fez com que o partido ficasse acéfalo. Não há mais quadros daquela geração com
a mesma grandeza. Agora o problema é que
o PT não tem renovação de quadros. É, sobretudo, um partido de governo que se afastou das suas bases sociais. Isso
já é até um chavão, todo petista reconhece. E pelo menos 80% dos quadros atuais do partido são pessoas que entraram
depois que o Lula chegou ao poder. Pessoas que nem sempre têm os valores do
PT do passado. Existem também aqueles que já eram dirigentes do PT no passado e
se tornaram neopetistas. Ou seja, têm
um discurso republicano oco para fora e uma prática carreirista, com nepotismo
e favorecimento próprio.
CC: O fato de alguns petistas
definirem a Dilma mais como um quadro do PDT do que do próprio partido é
reflexo disso? Isso explica a crise entre governo e as correntes internas da
legenda?
LS: O problema da
Dilma é que ela não é nem um quadro histórico do PT, nem tem a dimensão do
Leonel Brizola. Ela não pode fazer um governo personalista, “acima das classes
sociais”, como fez o próprio Lula, em certa medida, porque ela não tem passado histórico e nem mesmo a competência política.
Mas eu acredito que o problema não está
nela, o problema está na economia que não sustenta mais aquele pacto social
rentista que manteve o governo Lula. Está também na dificuldade que o PT tem de governar nesse presidencialismo de coalizão[4].
CC: O senhor acha que o PT errou ao
não fazer a luta de classes por acreditar que esse “pacto” em que todos
ganhavam não teria fim?
LS: É difícil
dizer o quanto o partido errou. Na verdade, [o pacto] era um rumo que o partido
tomou no fim dos anos 1990 ao fazer alianças para governar para todas as
classes sociais. Não foi uma decisão tomada num dado momento. Foi uma evolução
histórica de um setor majoritário do partido. Agora, esse modelo só conseguia se sustentar enquanto a economia estava
crescendo. O que o PT talvez tenha se equivocado era não prever o momento em que o cobertor se
tornaria curto para cobrir todo mundo. Só que nesse momento ele teria que
fazer opções, mas as opções levariam à radicalização. E a radicalização é tudo
aquilo que o petismo governista jamais quis. Então é uma situação aparentemente
sem saída. Radicalizar significaria na
verdade taxar grandes fortunas, prejudicar o grande capital e transferir
recursos para serviços públicos que beneficiassem a própria classe média, que é
tão descontente com o governo petista. Mas essa seria uma decisão que
acirraria a luta de classes e abriria um horizonte muito incerto para o
partido. Conhecendo dirigentes do PT, eles jamais ficariam com isso.
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Dilma Rousseff e Lula no dia da posse em seu segundo mandato como Presidente da República Brasília, 1 de janeiro de 2015 |
CC: Mas, pelo antipetismo manifestado
em ocasiões como essa do “panelaço”, não acirrar a luta de classes não evitou
que isso acontecesse...
LS: Você matou a
charada. O erro do PT é esse. O partido
jamais quis acirrar a luta de classes, mas o modelo de governo que ele
constituiu, que elevou uma parte das classes pobres socialmente, acirraria
inevitavelmente a luta de classes. A luta de classes vai se acirrar independente
da vontade do PT. A vontade do PT é que ela não aconteça, e que haja
conciliação. Então não é um partido
preparado para um radicalismo que existe hoje na sociedade. Até porque o PT
já foi no passado, mas desde 2002 tem mantido os movimentos sociais ligados a
eles adormecidos. E já surgiu uma nova militância nas ruas, tanto à direita,
que é menor e mais desorganizada, quanto à esquerda, que é mais organizada, que
não tem mais nada a ver com o PT. Então eu acho que, embora a gente não possa
comprovar ainda, junho de 2013 deu a certeza a esses estratos médios críticos
ao PT que o partido não consegue mais colocar seu exército nas ruas, para usar
a expressão do Lula. O PT foi expulso
das ruas em junho [2013], ficou
indeciso entre a condenação e o apoio. Enfim, junho foi o primeiro
movimento de massa desde as greves do
ABC e as Diretas Já da qual o PT
não participou.
CC: Então, ao manter adormecidos os
movimentos sociais ligados ao partido, o PT ajudou a criar movimentos populares
capitaneados pela classe média tradicional? O governo Dilma deveria ter
iniciado suas ações de olho na classe média?
LS: Para lidar
com a classe média tradicional, o PT teria que ter feito outro tipo de governo.
Um governo que atendesse parte dos desejo dos setores médios, que reclamam que pagam muitos impostos e tem serviços
públicos ruins. E, ao mesmo tempo, fazer o que ele fez. Levar os mais
pobres a um padrão de vida decente. Mas o PT não fez isso no seu governo. Só
fez uma parte. A outra coisa é que o PT
tinha que ter deixado de demonizar a classe média no seu discurso. Esse
vasto setor público, do mundo corporativo, de pequenos comerciantes, é enorme
em São Paulo, por exemplo. O PT teve um
discurso agressivo contra aqueles que, em tese, queria conquistar. A classe média não é necessariamente
reacionária, como o PT diz. Na história do Brasil, ela já teve um
comportamento reacionário como, por exemplo, nas vésperas do golpe de 1964, mas
se deslocou à esquerda no final dos anos 1970 e sustentou grandes mobilizações
nos anos 1980. Tinha até uma certa
simpatia pelo PT. Então não é algo imutável, mas o PT não tem capacidade de
operação política para mudar isso a curto e médio prazo.
CC: Além do antipetismo crescente, o
governo Dilma parece já ter conseguido perder credibilidade junto a seus
próprios eleitores. O senhor acha que existe caminho de volta para essa guinada
neoliberal?
LS: O problema da
Dilma é que ela foi rápida demais. Isso pareceu um estelionato eleitoral para
as pessoas que nem são petistas, mas se engajaram na sua campanha com medo da
vitória do PSDB. Ela, em pouco tempo,
renegou tudo o que havia dito em sua campanha eleitoral. Mas o PT tem uma
base social mais abaixo, digamos assim, que é fiel. Ela não é maioria na
sociedade brasileira, mas ela é bastante numerosa. Pessoas muito pobres, até
com toda razão, temem a queda do governo Dilma porque isso significaria para
elas a queda daquilo que elas conquistaram. O problema é que essa camada social, mais pobre e mais fiel, ela não
foi representada na arena política. Não foi organizada pelo próprio PT. É
um outro equívoco do PT. Jamais ter
tentado organizar essa nova base social.
CC: Como o senhor enxerga o futuro
do PT depois dessa trajetória, incluindo “mensalão” e Lava Jato e o
antipetismo? O partido tem condições de se reciclar independentemente de
vitória ou derrota em 2018?[5]
LS: Em primeiro
lugar, se o Lula de fato for candidato em 2018, ele seria a salvação do
partido, mesmo que não seja eleito. Certamente ele mobilizaria a sociedade em
torno da campanha do PT. Se o PT levar à frente os indícios de renovação que
tem aprovado no Congresso, como, por exemplo, a limitação do número de mandatos
de seus parlamentares, coisa que a gente tem dúvida se vai acontecer, pode ser
que o partido continue tendo importância política e ideológica. Mas essas
coisas são incertas. Geralmente, diante das crises, a gente tem visto que os
dirigentes do PT primeiro se escondem e jogam ao mar aqueles que aparecem na
lista. Independentemente do que as
pessoas possam achar do escândalo de 2005 [“mensalão”], cabia ao partido naquele momento ou condenar totalmente aqueles
dirigentes ou defendê-los. Do ponto de vista político, a saída para o PT
deveria ter sido acirrar a luta política e defender os dirigentes. Mas
simplesmente o PT agiu de forma errática. Dirigentes se escondendo... o caso do Delúbio Soares é paradigmático
porque ele foi expulso do PT e depois voltou. Como é que o partido pode
explicar uma coisa dessa? Se ele foi expulso, não deveria mais retornar ao
partido. Naquele momento, o partido considerou que ele era uma pessoa que feria
os preceitos éticos.
CC: É a mesma postura que o partido
tem tomado diante das denúncias da Lava Jato...
LS: Você compara
a nota do PSDB e a nota do PT [sobre o caso]. Salvo engano, a nota do PSDB
defende o [Antonio] Anastasia. O PT
não defende os seus deputados que estão na lista. Então a primeira coisa que o
partido deveria fazer é dizer que acredita na inocência dos seus senadores. Mas
não faz isso. O PT, claro, é também
um partido muito dividido. Sempre há no partido aqueles que esperam
lucrar com a queda do outro. Mas acontece que em um momento de crise tão
grave como esse e tendo já a experiência do que foi o "mensalão", o
PT deveria, no mínimo, fazer uma defesa pública das pessoas que apareceram na
lista.
CC: Então, fazendo uma análise da
história do partido, o senhor acha que o PT ainda é um partido de esquerda?
LS: Eu acho que o
PT é a esquerda que o Brasil conseguiu ter. Entre os grandes partidos, que tem
significação político-eleitoral no Brasil, o partido é partido da esquerda.
Obviamente que se a gente pudesse falar de partidos nanicos aí sim, existem
partidos com um programa mais radical. Mas no jogo político que interessa o PT
é o partido que a esquerda conseguiu ter. Ele vive uma crise que tem raízes no
ambiente político em que atua, na sua trajetória histórica, mas também no
ambiente da América Latina. Não é à toa que o governo Maduro está em crise na
Venezuela. Há uma crise econômica que está deteriorando as bases desse pacto
social-rentista. Governos que pregam
ideais de esquerda, mas fazem políticas sociais e econômicas visando a
conciliação de classe. O caso da Venezuela é mais radical porque lá se
prega o socialismo, mas se mantém o capitalismo.
CC: Durante o fim de semana, foi
noticiado ainda que o governo Dilma Rousseff teria tentado se aproximar do
ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o objetivo de se unir nesse momento
de crise. Para o senhor, qual o significado por trás dessa postura?
LS: Esse sempre
foi o sonho de consumo de uma ala do PT, desde os anos 1990. O José Genoino, o Eduardo Jorge, quando era do PT, sempre defenderam essa aproximação.
A própria Luiza Erundina. No momento
em que o Fernando Henrique se tornou ministro do governo Itamar, houve muita
pressão interna no PT para que o partido apoiasse o governo e fizesse uma
aliança com o Fernando Henrique. Também era o sonho de alguns tucanos. Você
deve se lembrar que o Fernando Henrique chegou a dizer uma vez que o problema
do PT e do PSDB é que eles comandavam setores atrasados. Uma aliança entre os
dois, que eram partidos modernos, era impossível devido à polarização
ideológica que já havia. Eu acredito que
esse talvez seja um sonho da Dilma. Nos últimos anos o PT e o PSDB se
tornaram inimigos irreconciliáveis, mas a Dilma não é um quadro histórico do
PT. Talvez ela sonhe uma saída dessa
crise com uma aproximação do PSDB. Agora ela está fazendo um mandato
biográfico. Ao contrário do partido, que, como partido, precisa sempre pensar
na luta pelo próximo mandato. E ao contrário do próprio Lula também, que tem
pretensões de voltar a ser presidente. Mas
só que essa aproximação é bastante improvável. Já que a pergunta é: o que
os tucanos ganhariam com isso?
N
O T A S
[ 1 ] "Aparelhamento"
aplica-se à tomada de controle de órgãos ou setores da administração pública
por representantes de grupo de interesses corporativos ou partidários, mediante
a ocupação de postos estratégicos das organizações do Estado, de modo a
colocá-las a serviço dos interesses do grupo (Fonte: Wikipédia).
[ 2 ] Rodrigo Janot Monteiro de Barros,
mais mencionado como Rodrigo Janot, é o atual Procurador-geral da República do
Brasil.
[ 3 ] Essa
avaliação do professor não é totalmente aceitável, tendo em vista a
identificação que a população faz entre: corrupção e escândalos de má gestão na
Petrobras e Dilma Rousseff, que ocupou um alto cargo na empresa no período que
está sendo investigado, bem como, do PT responsável pela nomeação de vários
diretores dessa empresa.
[ 4 ] Presidencialismo de coalizão
expressão que foi usada há 25 anos no título de um artigo acadêmico do
cientista político Sérgio Abranches,
ao qual se atribui a criação do termo. Ela designa a realidade de um país
presidencialista em que a fragmentação do poder parlamentar entre vários
partidos (atualmente, 23 têm representação no Congresso Nacional) obriga o
Executivo a uma prática que costuma ser mais associada ao parlamentarismo. Para
governar, ele precisa costurar uma ampla maioria, frequentemente contraditória
em relação ao programa do partido no poder, difusa do ponto de vista ideológico
e problemática no dia a dia, em razão do potencial de conflitos trazido por uma
aliança formada por forças políticas muito distintas entre si e que com
frequência travam violenta competição interna. Daí o que Abranches apresentou
como o “dilema institucional” brasileiro. Mesmo eleito diretamente (o que não
ocorre no parlamentarismo, onde o Legislativo forma o gabinete governamental),
o presidente da República, em uma nação presidencialista, torna-se refém do
Congresso. Este, por outro lado, embora forte o bastante para azucrinar a vida
do presidente de plantão, não possui musculatura suficiente para ditar o ritmo
da política e enfrentar com razoável autonomia e celeridade as grandes questões
nacionais (Fonte: Congresso em Foco).
[ 5 ] Em
outubro de 2018 teremos novas eleições para Presidente da República e para o
Congresso Nacional.
Fonte: CartaCapital –
Política – Publicado em 10/03/2015 às 17h25 – Última modificação em 11/03/2015
às 11h08 – Internet: clique aqui.
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