Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor Jesus – Ano B – Homilia
Evangelho
da Procissão: Marcos 11,1-10
3 Se alguém disser: 'Por que fazeis isso?', dizei: 'O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta'.”
4 Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram.
5 Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?”.
6 Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram.
7 Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou.
8 Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos.
9 Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
10 Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!”.
1 Quando se aproximaram de Jerusalém, na
altura de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois
discípulos,
2 dizendo: “Ide até o povoado que está
em frente, e logo que ali entrardes, encontrareis amarrado um jumentinho que
nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui!3 Se alguém disser: 'Por que fazeis isso?', dizei: 'O Senhor precisa dele, mas logo o mandará de volta'.”
4 Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto de uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram.
5 Alguns dos que estavam ali disseram: “O que estais fazendo, desamarrando este jumentinho?”.
6 Os discípulos responderam como Jesus havia dito, e eles permitiram.
7 Trouxeram então o jumentinho a Jesus, colocaram sobre ele seus mantos, e Jesus montou.
8 Muitos estenderam seus mantos pelo caminho, outros espalharam ramos que haviam apanhado nos campos.
9 Os que iam na frente e os que vinham atrás gritavam: “Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
10 Bendito seja o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana no mais alto dos céus!”.
JOSÉ ANTONIO
PAGOLA
O GESTO SUPREMO
Jesus contou com a possibilidade de um final violento. Não
era um ingênuo, sabia que se expunha se seguisse insistindo no projeto do reino
de Deus. Era impossível buscar, com tanta radicalidade, uma vida digna para os “pobres”
e os “pecadores”, sem provocar a reação daqueles aos quais não interessava
mudança alguma.
Certamente, Jesus não era um suicida. Não busca a
crucifixão. Nunca quis o sofrimento nem para os outros nem para ele. Em toda a
sua vida, havia se dedicado a combater o sofrimento onde se encontrava: na
enfermidade, nas injustiças, no pecado ou na desesperança. Por isso, não corre
agora atrás da morte, porém, tampouco, recua.
Seguirá acolhendo pecadores e excluídos, ainda que sua
atuação irrite [as autoridades] do Templo. Caso acabem condenando-o, morrerá
como um delinquente e excluído,
também ele, porém sua morte confirmará o que foi sua vida inteira: confiança total em um Deus que não exclui
ninguém de seu perdão.
Seguirá anunciando o amor de Deus aos últimos,
identificando-se com os mais pobres e desprezados do Império, por muito que
isso incomode os ambientes próximos ao governador romano. Se um dia o executam
no suplício da cruz, reservado para escravos,
morrerá, também ele, como um desprezível escravo, porém sua morte selará para
sempre sua fidelidade ao Deus defensor das vítimas.
Cheio do amor de Deus, ele seguirá oferecendo “salvação” a
quem sofre o mal e a enfermidade: dará “acolhida” a quem é excluído pela sociedade
e religião; presenteará o “perdão” gratuito de Deus a pecadores e pessoas
perdidas, incapazes de voltar à sua amizade. Esta atitude salvadora que inspira
a sua vida inteira, inspirará também sua morte.
Por isso, a cruz atrai tanto os cristãos. Beijamos o rosto
do Crucificado, levantamos os olhos para ele, escutamos suas últimas
palavras... porque na crucifixão vemos o
serviço último de Jesus ao projeto do Pai, e o gesto supremo de Deus entregando
seu Filho por amor à humanidade inteira.
É indigno converter a Semana Santa em folclore e atração
turística. Para os seguidores de Jesus, celebrar a paixão e morte do Senhor é
agradecimento emocionado, adoração alegre ao amor “incrível” de Deus e apelo a
viver como Jesus solidarizando-nos com os crucificados.
SEMANA SANTA
O que significa para nós viver este tempo? Que significa
seguir Jesus em seu caminho para o Calvário, para a cruz e a ressurreição?
Vejamos:
·
Significa sair de nós mesmos para ir ao encontro
dos demais, à periferia da existência, aos mais distantes, aos esquecidos,
àqueles que necessitam compreensão, consolo e auxílio.
·
Viver este tempo significa também entrar, cada
vez mais, na lógica de Deus, da cruz e do Evangelho.
·
Sair sempre com o amor e a ternura de Deus, no
respeito e na paciência, sabendo que nós colocamos as mãos, os pés, o coração,
porém é Deus quem guia e torna fecundas nossas ações.
DEU UM FORTE GRITO
Não tinha dinheiro, armas nem poder. Não tinha autoridade religiosa.
Não era sacerdote nem escriba. Não era ninguém. Porém, levava em seu coração o
fogo do amor aos crucificados. Sabia que, para Deus, eles eram os primeiros.
Isto marcou para sempre a vida de Jesus.
Aproximou-se dos
últimos e se fez um deles. Ele, também, viveria sem família, sem teto e sem
trabalho fixo. Curou aos que encontrou enfermos, abraçou a seus filhos, tocou
em quem ninguém tocava, sentou-se à mesa com eles e a todos devolveu a dignidade.
Sua mensagem sempre era ele mesmo: “Estes
que excluís de vossa sociedade são os prediletos de Deus”.
Isso bastou para que se convertesse em um homem perigoso.
Tinha-se que eliminá-lo. Sua execução não foi um erro nem uma desgraçada coincidência
de circunstâncias. Tudo estava bem calculado. Um homem assim é sempre uma ameaça em uma sociedade que ignora os
últimos.
Segundo a fonte cristã mais antiga, ao morrer, Jesus “deu um forte grito”. Não era só o grito
final de um moribundo. Naquele grito estavam gritando todos os crucificados da
história. Era um grito de indignação e
de protesto. Era, ao mesmo tempo, um grito
de esperança.
Jamais os primeiros cristãos esqueceram esse grito de Jesus.
No grito desse homem desonrado, torturado e executado, porém aberto a todos sem
excluir ninguém, está a verdade última da vida. No amor impotente desse crucificado está Deus mesmo, identificado com
todos os que sofrem e gritando contra as injustiças, abusos e torturas de todos
os tempos.
Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.
Fonte:
MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Terça-feira, 24 de março
de 2015 – 10h43 – Internet: clique aqui.
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