ELES NÃO ESTÃO NEM AÍ ! ! !
Somente nesta semana, que ainda não terminou, tivemos
três exemplos claros de como deputados, senadores e políticos em geral não
estão preocupados com a opinião que a população tem a respeito deles nem com a
crise.
Leia estas três matérias que seguem...
Parlamentares
triplicam Fundo Partidário
Ricardo Della
Coletta
Relator do Orçamento
da União aprovado ontem, Romero Jucá apresentou emenda que destina R$ 867,5 mi
para custear siglas
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Senador Romero Jucá do PMDB de Roraima apresenta emenda ao Orçamento da União concedendo mais dinheiro aos partidos políticos |
Mesmo em um ano de restrição de gastos, os deputados e
senadores decidiram triplicar a verba destinada para o custeio dos partidos
políticos, o chamado Fundo Partidário. O senador
Romero Jucá (PMDB-RR), relator do Orçamento da União para 2015, alocou em uma emenda de Plenário cerca de
R$ 867,5 milhões para o fundo, frente a R$ 289,5 milhões propostos pelo Poder
Executivo em agosto do ano passado.
A proposta orçamentária foi analisada em sessão do Congresso
e aprovada no fim da noite de ontem. O Orçamento de 2015 deveria ter sido
analisado no fim do ano passado, mas não houve tempo nem acordo para a
realização da votação.
[ . . . ]
O Congresso vem
"turbinando" o dinheiro do Fundo Partidário desde 2011. Mas os
aumentos nunca foram tão expressivos e sempre giravam em torno de R$ 100
milhões. Neste ano, os parlamentares vinham pressionando por um incremento
recorde em razão de dois fatores: a pulverização dos partidos na Câmara fez com
que o bolo para as legendas tradicionais diminuísse, uma vez que 95% fundo é
distribuído de acordo com o resultado alcançado pelas siglas na Casa.
Além do mais, parlamentares e dirigentes partidários ouvidos
pelo Broadcast Político, serviço de
notícias em tempo real da Agência Estado,
afirmaram que a Operação Lava Jato -
investigação que apura desvios de recursos públicos da Petrobrás e o pagamento
de propina a políticos - afugentou
doadores.
[ . . . ]
Emendas
O benefício não foi o único dado aos deputados e senadores
no Orçamento de 2015. Cada novo
parlamentar foi contemplado com R$ 10 milhões em emendas, que são usadas para
abastecer seus redutos eleitorais. Os antigos congressistas, por sua vez, têm
cada um R$ 16 milhões em emendas.
Para garantir as emendas aos novos parlamentares, Jucá promoveu uma engenharia financeira e
remanejou cerca de R$ 2,7 bilhões destinados à Conta de Desenvolvimento
Energético (CDE), fonte usada nos últimos anos para custear o desconto na conta
de luz. Mas o reajuste na tarifa de energia fez com que esse dinheiro - que
o governo pretendia usar para ajudar na recuperação das contas púbicas -
ficasse disponível.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Política – Quarta-feira, 18 de março de 2015 – Pg. A6 – Internet:
clique aqui.
“Doações” ao PT vinham de pagamentos da Petrobrás,
diz Ministério Público Federal
Ricardo Brandt,
Fausto Macedo e Julia Affonso
Denúncia contra o
ex-diretor de Serviços Renato Duque e o tesoureiro petista João Vaccari traz
tabela com cruzamento das datas das liberações de recursos da estatal para
cartel e dos repasses ao partido
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João Vaccari - Tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) |
A comparação entre as datas de pagamento da Petrobrás para
os consórcios Interpar e Intercom (formados pela Mendes Jr, MPE e SOG) nas obras de
reforma de duas refinarias entre 2008 e 2010 e as datas de doações para o PT
por uma das empreiteiras é considerada uma das provas de que o sistema oficial de financiamento partidário
foi usado para tentar ocultar propinas. É o que sustenta a força-tarefa da
Operação Lava Jato em sua denúncia de ontem contra o ex-diretor de Serviços Renato Duque e o tesoureiro nacional do PT, João
Vaccari Neto – por corrupção e lavagem de dinheiro.
Os dois nomes petistas da estatal e outros 25 denunciados
são apontados no desvio de R$ 135
milhões em quatro obras:
·
na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar),
no Paraná,
·
na Refinaria de Paulínia (Replan),
·
no Gasoduto Pilar-Ipojuca (Alagoas-Pernambuco) e
·
no Gasoduto Urucu-Coari (Amazonas).
“A vinculação entre as doações políticas e os pagamentos
feitos pela Petrobrás aos Consórcios Interpar e Intercom pode ser comprovada
pela comparação entre as datas em que a Petrobrás pagou os consórcios e as
datas, subsequentes, em que empresas controladas por Augusto Mendonça
promoveram a transferência de propina disfarçada de doações oficiais para partido
político”, sustenta a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).
Mendonça é o dono da Setal
Engenharia. Integram o grupo a Setec,
Projetec, Setal Óleo e Gás (SOG) e PEM
Engenharia. Por meio delas teriam sido escoados R$ 117 milhões das obras
das duas refinarias (Repar e Replan).
Desse montante, R$
4,26 milhões foram parar nas contas de quatro diretórios do PT, entre 2008 e
2012, afirma a Lava Jato. Foram beneficiados:
·
o Diretório Nacional,
·
o Diretório da Bahia,
·
o Diretório Municipal de Porto Alegre e
·
o Diretório Municipal de São Paulo.
Os pagamentos foram prioritariamente para o PT nacional, com
liberações mensais.
Os primeiros pagamentos relacionados à doação que seria
disfarce para pagamento de propina são de outubro
de 2008 e estão relacionados em tabela anexada na denúncia do MPF ao
pagamento de R$ 100 mil no dia 23, daquele mês, ao PT-Bahia [abaixo, veja esta tabela].
Em 2009, a lista
mostra um pagamento de R$ 14,9 milhões, no dia 29 de abril, para o consórcio
Interpar (Mendes Jr, MPE e SOG). No dia 30 foi feita transferência da Setal de
R$ 120 mil para o Diretório Nacional do PT.
Em julho de 2010,
quando era dada oficialmente a largada para a eleição da presidente Dilma
Rousseff, pela primeira vez, há registro de dois pagamentos da Petrobrás, um de
R$ 703 mil para o Consórcio Interpar, e R$ 105 mil para o Consórcio Intercom,
ambas no dia 8.
No dia 12 o PT nacional receberia R$ 60 mil da empresa SOG.
O maior valor doado pelas empresas de Mendonça ocorreu no dia 7 de abril de
2010, quando foram repassados para o Diretório Nacional do partido R$ 500 mil
pela PEM Engenharia.
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Renato Duque Ex-Diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras |
Por meio de quatro
empresas de Mendonça foram feitas 24 doações eleitorais para o PT, entre 2008 e
2010. Primeiro executivo a fazer delação com a Lava Jato, em 2014, ele
confessou que pagou propina “acertadas
com Renato Duque” em forma de doações.
“Houve 24 doações eleitorais feitas ao longo de 18 meses por
empresas vinculadas ao grupo Setal
para pagamento de propina ao Partido dos Trabalhadores. Essas doações
eleitorais foram feitas a pedido de Renato Duque e eram descontadas da propina
devida à diretoria de Serviços”, declarou o procurador.
“João Vaccari
indicava as contas dos diretórios, onde deveriam ser feitos esses depósitos”,
sustenta o MPF. “Temos evidência de que João
Vaccari Neto tinha consciência de que esses pagamentos eram feitos a título
de propina, porque ele se reunia com
regularidade com Renato Duque para acertar valores devidos”, explicou o
procurador.
O tesoureiro foi denunciado por corrupção passiva – por
conta dos desvios em obra da Petrobrás – e lavagem de dinheiro – por causa das
doações partidárias.
[ . . . ]
Fonte: ESTADÃO.COM.BR
– Blogs Fausto Macedo – 17 de março de 2015 – 05h01 – Internet: clique aqui.
Por que o governo se trumbica
Eugênio Bucci
Jornalista
e Professor da Escola de Comunicações e Artes da USP
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(Lula conversando, ao pé de ouvido, com Dilma Rousseff) O governo não escuta! |
Até agora, o pior erro de comunicação do governo federal foi
o documento interno do governo federal
sobre os erros de comunicação dele mesmo, o governo federal. Na terça-feira
à tarde, o texto que circulava no Palácio do Planalto foi noticiado com
exclusividade no portal estadao.com.br.
Ontem a peça virou manchete deste jornal. Não era para menos. A reportagem de
Valmar Hupsel Filho e Ricardo Galhardo destrincha um texto que, em mais de um
sentido, é uma bomba. Elaborado dentro
da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom),
segundo apuraram os repórteres, o
documento não explica e não resolve a desorientação do Planalto em matéria de
se entender com a sociedade. Em vez disso, piora tudo.
São 1.904 palavras que se estendem por cinco páginas de
papel ofício. Todas erradas. Erram no
diagnóstico, nas proposições e nos fundamentos.
Na visão ali exposta, as falhas de comunicação dos anos
Dilma Rousseff teriam sido técnicas:
·
a desativação de robôs que atuavam nas redes
sociais em defesa do governo,
·
o distanciamento dos “blogueiros progressistas”,
·
a falta de publicidade oficial e outros
desacertos da mesma linha.
Em síntese, o governo
teria errado porque não lançou mão das ferramentas “certas”, nas doses
cavalares “certas”, para convencer a cidadania errada de que ele, governo, é
que está certo.
Por que o diagnóstico
é um erro em si mesmo? Porque a principal deficiência do poder que aí está,
quando o assunto é comunicação, não tem nada que ver com mais ou menos
propaganda na televisão, não tem que ver com a falta de cumplicidade de
ativistas das redes sociais. O que
existe é uma incapacidade anterior, constitutiva e persistente. Pelo menos
desde 2011 (a coisa não era tão grave nos tempos de Lula), a gigantesca limitação comunicativa do Palácio do Planalto é política,
não técnica. Em termos menos vagos, é de natureza auricular. O governo não escuta ninguém - e todo
mundo que está rouco de tanto avisar sabe disso muito bem. O governo não escuta:
·
a oposição,
·
não escuta os parlamentares,
·
não escuta o PT [Partido dos Trabalhadores] e
·
não escuta os conselhos do ex-presidente Lula.
·
Que não escute também a sociedade não surpreende nem um pouco.
Escutar, nesse caso, significa ouvir. E ouvir não significa concordar com tudo, mas significa levar em
consideração, acolher, incorporar, agregar, somar, dividir o poder para
multiplicar a representatividade, o engajamento. Como não faz nada disso (e
como faz muito o oposto disso), falta
credibilidade aos convites que, agora, os ministros começam a fazer para o
“diálogo”.
Puxemos pela memória. Dilma também falou em “diálogo” logo
ao vencer o segundo turno, no dia 26 de outubro, com 51,6% dos votos. Mas que diálogo? Na noite daquele
domingo usou o microfone por quase meia hora e não pronunciou uma única vez o
nome de Aécio Neves, seu adversário. Não dirigiu a ele uma única palavra de
agradecimento. Não o cumprimentou. Ora, essa, quem ela queria ouvir para
dialogar?
Instrumentos de comunicação o governo hoje tem de sobra.
Paga-os a peso de ouro. As somas são bilionárias. Não foi por falta de máquina
de propaganda que a classe média foi às ruas no domingo. Foram passeatas de
direita? Foram, e daí? Isso as torna menos legítimas e menos expressivas, por
acaso?
A indignação, além de
legítima, é generalizada - e ela não se deve à escassez de blogueiros
amigos ou à ausência de superproduções publicitárias na TV. O erro está mais
embaixo. E mais acima. O erro está em todo lugar. É ubíquo. O erro é de postura. Você não vai
acreditar, mas hoje, no Palácio do Planalto, nem as paredes têm ouvidos.
Sem dúvida, devemos ler com reservas o tal documento da
Secom. Ele não é um pronunciamento solene, não é uma portaria, não foi
publicado no Diário Oficial. Não passa de papel interno, cuja circulação
deveria ser reservada. Por outro lado, em nenhum outro lugar a índole palaciana
se expressou com tanta crueza, de modo tão desabrido. E até o dia de ontem, no
meio da tarde, ele não foi desautorizado. Mesmo não sendo oficial, ele é
verossímil, autêntico. Os seus parágrafos trazem cada uma das impressões
digitais dos estrategistas que animam esse continental desastre de comunicação
que se instalou na Presidência da República. Tudo ali explode como numa
inacreditável confissão de culpa. E, nesse caso, culpa não apenas pelos tais
erros cometidos, mas principalmente culpa por expor de modo tão cristalino um
pensamento tão obscuro, tão bruto.
Vejamos um trecho: “Não importa quantos panelaços eles
façam. É preciso consolidar o núcleo de comunicação estatal, juntando numa
mesma coordenação Voz do Brasil, sites, Twitter e Facebook dos ministérios,
Facebook da Dilma e Agência Brasil”.
·
Note bem o pronome eles.
·
Quem são
mesmo “eles”?
·
Como é
possível que, a esta altura da evolução da democracia brasileira, um servidor público chame de “eles” os
brasileiros que fazem panelaço?
·
Que governo é esse que quer operar na base
do “nós contra eles”?
·
O governo
não deveria ser de todos os brasileiros?
·
Que um
partido pense assim é compreensível, mas o governo?
No mesmo trecho, o emprego da expressão “comunicação estatal” é igualmente perturbador. Se o Estado, nos termos da Constituição,
deve ser apartidário e impessoal, como é que a “comunicação estatal” pode ser
posta a serviço desse sombrio combate ideológico contra “eles”? Lembremos
que “eles” são cidadãos brasileiros, como eu e você. (Fora isso, é deplorável,
ofensivo, ver a Agência Brasil reduzida a munição partidária na guerra do “nós
contra eles”.)
“Não será fácil virar o jogo”, conclui o texto. Não mesmo.
Mais fácil será o jogo virar o governo, quer dizer, virar a cabeça do governo. Quem sabe Dilma se toque e vire o seu
governo na direção da mentalidade democrática e do diálogo verdadeiro. Os
estrategistas da surdez que nos perdoem, mas essa crise não é uma partida de
futebol.
Fonte: O Estado de S.
Paulo – Espaço aberto – Quinta-feira, 19 de março de 2015 – Pg. A2 –
Internet: clique aqui.
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