6 falsas ideias que impulsionam a desigualdade
Aumenta o abismo entre ricos e pobres,
mas há aqueles que justificam isso!
Redação
Relatório aponta os discursos disseminados por
corporações e super-ricos para influenciar políticas que os favoreçam
Divulgado
na segunda-feira, dia 16 de janeiro, o último relatório da Oxfam revelou que só oito indivíduos (todos homens) detêm a mesma
riqueza que os 3,6 bilhões que fazem parte da metade mais empobrecida do
planeta.
Além
disso, o abismo entre ricos e pobres está aumentando em uma velocidade muito
maior do que se esperava, em parte devido às estratégias do topo da pirâmide
econômica, habitado por grandes corporações e os "super-ricos",
utilizadas para influenciar políticas e garantir regras que os favoreçam, mesmo
que em detrimento do restante da sociedade.
"A
atual economia do 1% baseia-se em
uma série de falsas premissas que fundamentam muitas das políticas,
investimentos e atividades de governos, empresas e indivíduos ricos, e que não
satisfazem as necessidades de pessoas em situação de pobreza e da sociedade de
uma maneira geral", afirma o estudo da Oxfam.
O
documento produzido pela ONG inglesa, que busca combater o aumento da
desigualdade, elenca as falsas seis
premissas que acabam por acirrar o fosso entre ricos e pobres:
1-
O mercado está sempre certo e o papel dos governos deve ser minimizado
A
crença inabalável no poder do mercado, aliada a uma visão negativa do papel do
Estado na economia, é o alicerce do neoliberalismo. Na verdade, diz o
relatório, não existe confirmação de que
o mercado seja o melhor meio de organização para a vida em sociedade. Ao
contrário. Para a Oxfam, os mercados
precisam ser cuidadosamente geridos, a fim de proteger os interesses das
pessoas.
"Vimos
como a corrupção, o favorecimento ou o nepotismo distorcem os
mercados em detrimento de pessoas comuns e como o crescimento excessivo do
setor financeiro exacerba a desigualdade", diz o estudo, lembrando da
crise financeira de 2008.
Além
disso, existem exemplos práticos de como a privatização
de serviços considerados essenciais, como a saúde, a educação ou o
abastecimento de água, acaba por
prejudicar os mais pobres, em especial, as mulheres.
2-
Nas empresas, o lucro e o retorno para os acionistas deve estar acima de tudo
A minimização de custos fiscais e trabalhistas e a maximização da receita
são consideradas a fórmula para melhorar a rentabilidade das empresas e
torná-las mais "eficientes".
No
entanto, a busca pelo lucro acima de
tudo e pelos maiores retornos possíveis aos acionistas acaba por aumentar, de
maneira desproporcional, a renda dos que já são ricos, ao mesmo tempo em
que pressiona negativamente trabalhadores, fornecedores, comunidades e o meio
ambiente.
O
estudo pede que as empresas busquem um "capitalismo
sustentável", com geração de lucros razoável e uma remuneração mais
justa para os trabalhadores.
3-
A riqueza individual extrema é sinal de sucesso
O
estudo defende que a concentração de
renda nas mãos de poucos indivíduos é "economicamente ineficiente, politicamente
corrosiva e prejudicial para o nosso progresso coletivo". Embora
existam evidências contrárias, afirma a Oxfam, muitos ainda acreditam que
chega-se ao topo da pirâmide trabalhando duro e contando com uma boa dose de
talento. Outra falsa premissa é que os super-ricos contribuem para o
crescimento econômico.
Dados
do FMI citados pelo estudo revelam, porém, que países menos desiguais crescem mais e por mais tempo. Por outro
lado, países com muitos bilionários crescem mais lentamente.
4-
O crescimento do PIB deve ser o principal objetivo econômico
Considerada
a ferramenta padrão para se dimensionar a economia de um país, a soma de todos
os bens e serviços produzidos por empresas, governos e indivíduos, isto é, o Produto Interno Bruto (PIB) foi
classificado pela revista The Economist
como um "indicador de prosperidade
problemático".
Por
ser uma média, o índice não leva em
consideração a desigualdade e, além disso, não computa o trabalho doméstico não-remunerado realizado por uma
enorme quantidade de mulheres no mundo todo. O estudo cita a Zâmbia, cujo
PIB está crescendo a taxas elevadas, justamente quando o número de pessoas em
situação de pobreza aumentou.
5-
Nosso modelo econômico é neutro em relação ao gênero
Outra
premissa falsa é a de que não existem diferenças de classe, raça e gênero
dentro do modelo econômico vigente. Dentro desta lógica, os resultados
alcançados por indivíduos são determinados exclusivamente por suas habilidades
e esforços. Essa linha de pensamento, afirma a Oxfam, leva, entre outros, à
perpetuação das distorções e das desigualdades de gênero.
"Modelos
econômicos neoliberais não somente ignoram essas barreiras, mas também
prosperam graças às normas sociais que enfraquecem as mulheres. Países com grandes setores orientados para
a exportação são particularmente beneficiados por uma grande força de trabalho
pouco qualificada e sem voz. Muitos desses trabalhos são reservados às
mulheres devido à sua “desvantagem competitiva”, afirma o estudo.
Além de tradicionalmente
ocuparem cargos e funções com remuneração mais baixa, as mulheres recebem, em
média, salários 23% menores do que os dos homens na mesma função e são massivamente
responsáveis pelo trabalho doméstico não-remunerado - "que não é
contabilizado no PIB, mas sem o qual as economias não funcionariam".
Segundo
a ActionAid, as mulheres que vivem
nos países em desenvolvimento poderiam somar 9 trilhões de dólares a suas
rendas caso seu salário e acesso a trabalho remunerado fossem iguais aos dos
homens.
Além
disso, cortes nos serviços públicos, na segurança no emprego e em direitos
trabalhistas costumam afetar a força de trabalho feminina de maneira desproporcional.
6-
Os recursos do nosso planeta são ilimitados
As
consequências negativas do modelo econômico atual não atinge apenas a raça
humana. Tal modelo, baseado na exploração sem limites do meio ambiente, parte
da premissa de que os recursos naturais são ilimitados e devem ser explorados
ao bel-prazer de empresas e governos. No entanto, esse modelo "colabora intensamente" para a ocorrência de
mudanças climáticas descontroladas.
"A
ênfase cada vez maior na maximização dos
lucros e retornos de curto prazo agrava
a cegueira ambiental das nossas economias, uma vez que qualquer perspectiva
de longo prazo é suprimida", diz o relatório.
Segundo
estimativas da Oxfam, os 10% mais ricos
da população mundial são responsáveis por metade de todas as emissões globais
de gases que agravam o aquecimento global. No entanto, as consequências mais graves das mudanças climáticas (como eventos
extremos) serão sentidas pelas comunidades mais pobres.
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