O que fazer com crianças em férias?
Algumas dicas e ideias bem práticas
Rosely Sayão
Psicóloga e Consultora de Educação
A convivência da criança com avós, tios e tias e demais
parentes é enriquecedora
As
crianças estão em férias e muitos pais não estão, ou seja, continuam no
trabalho. Como resolver essa questão?
Há
um grupo de pais, privilegiados, que conta com uma rede social real que cuida e
acolhe a criançada, alternando-se nos dias da semana. São avós, tias e tios,
parentes de um modo geral, amigos e vizinhos.
Essa
é uma das melhores soluções para as crianças. Elas sentem-se protegidas
afetivamente e ainda têm a oportunidade de conviver com pessoas com diferentes
estilos de dar afeto, de viver em ambientes diversos e com normas que não são
as mesmas que conhecem e ganham a oportunidade de viver aventuras que não
costumam viver em casa.
Algumas
dessas famílias acolhedoras levam as crianças para a cozinha, outras improvisam
uma tenda na sala, e assim por diante. Quais crianças não apreciam esses dias
diferentes e gostosos que irão fazer parte de sua memória afetiva?
Há
um grupo de pais que, mesmo tendo uma rede de parentes e amigos, prefere não
deixar as crianças com eles, por dois motivos.
O
primeiro é que alguns acreditam que deixar os filhos com essas famílias
atrapalha a vida delas. É bom saber que não
atrapalha, se foi ofertado verdadeiramente, o que sempre é possível
perceber. Além disso, não deixa os pais em dívida, porque ficar com um grupo de
crianças - que não são filhos - em casa por alguns dias é uma experiência
enriquecedora para os adultos! E a gratidão dos pais é o que há de melhor a
oferecer!
O
segundo motivo é que esses pais preferem que o filho aproveite melhor seu tempo
de férias fazendo cursos, dos mais diversos, e muitos deles oferecidos pela
própria escola que o filho frequenta. Não! Ter
compromissos, por mais agradáveis que possam ser no início, acaba por tornar-se
uma responsabilidade que anula o efeito que as férias devem ter para as
crianças.
Há
também pais que têm a sorte de um deles poder tirar suas férias no mesmo
período que os filhos e ficam em casa. Mas muitos - em geral, a mãe - se
desesperam porque pensam que precisam criar a cada dia uma programação
diferente com os filhos. O melhor é
deixar que a própria criança encontre o que fazer em casa.
É
preciso saber que isso não é fácil, porque elas
vivem conduzidas o tempo todo e, portanto, nem sabem do que gostam,
tampouco costumam usar a criatividade e a imaginação que têm para inventar o
que fazer.
Ficam
entediadas e atrás da mãe o dia todo, perguntando o que devem fazer. É bom deixá-las ficar nesse tédio por um
período. Depois, ele passa a ser ócio, e é bom para a criança ficar ociosa por um período, porque a coloca
em estado de criar experiências que permitirão que ela aproveite muito!
Além
disso, há algo que também precisa ser feito: a sociedade civil deve se organizar para envolver o Estado e as
empresas, para que também eles se responsabilizem com as crianças em férias.
A
maioria das empresas tem condições de oferecer um local para os filhos dos
funcionários ficarem e se entreterem uns com os outros, tutelados por adultos
preparados e responsáveis. E o Estado precisaria também oferecer esse serviço.
É uma questão de responsabilidade social!
As crianças não são
responsabilidade apenas dos pais: são responsabilidade de cada um de nós, tanto como
pessoas físicas quanto jurídicas! É o nosso futuro que está em jogo, afinal.
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