PT: coerência passou longe!
Encruzilhada petista
Editorial
Afinal, Lula manda fechar acordo com os tais “golpistas”,
mas aqueles mais à esquerda no PT acham
essa decisão um “escândalo”
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RUI FALCÃO (em pé - Presidente do Partido dos Trabalhadores - PT) e o grande líder LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA (ao lado, sentado e sorrindo) |
A
decisão do Diretório Nacional do Partido
dos Trabalhadores (PT), a mando de
Lula da Silva, de autorizar sua bancada no Congresso a apoiar a candidatura de
Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e a de Eunício Oliveira (PMDB-CE) à presidência do Senado deflagrou
uma grave crise dentro do partido. Os petistas que se consideram mais à
esquerda, fiéis ao espírito radical que fundou a legenda, dizem não aceitar que
o partido se engaje em candidaturas que, segundo sua visão, representam aqueles
que se articularam para dar um “golpe” e derrubar a presidente Dilma Rousseff.
É
claro que, assim como aconteceu em outras ocasiões como essa ao longo da
trajetória petista, todos os que ousarem
questionar as decisões daquele Politburo, que nada mais faz do que dar formato
institucional às ordens do chefão Lula, serão devidamente expurgados ou
marginalizados. Desta vez, porém, a crise parece mais grave, dadas as
circunstâncias muito adversas.
Será um teste importante
para medir o atual alcance da liderança de Lula entre os próprios petistas, que andam pelos cantos a
se queixar de que o chefão não aproveita a oportunidade oferecida pelas
recentes derrotas do partido para reconduzi-lo às suas “origens” – que podem
ser resumidas em uma frase do manifesto de fundação do PT, na qual o partido
diz que “pretende ser uma real expressão
política de todos os explorados pelo sistema capitalista”.
A principal reclamação dos
dissidentes petistas diz respeito à flagrante contradição de um partido que,
enquanto denuncia o “golpe” contra Dilma Rousseff, aproxima-se dos partidos que
apoiam um governo cuja legitimidade questiona. “O PT
não deve apoiar golpistas no Congresso Nacional”, disse Bruno Elias,
secretário nacional de movimentos populares do PT, que defendeu candidatura
própria ou apoio a um nome da oposição. Para ele, “a militância petista e o campo democrático e popular devem se mobilizar
contra essa posição”.
A
manifestação mais contundente partiu do senador
Lindbergh Farias (RJ), expoente da defesa de Dilma Rousseff no processo de impeachment. “É um escândalo, um erro brutal, uma decisão descolada da realidade, sem
consonância com a militância do partido e da esquerda em geral”, disse
Lindbergh.
Nos tempos em que estavam
acocorados nos píncaros da glória, os petistas pouco se queixaram publicamente
quando o PT se associou ao que havia de pior na política nacional – com o objetivo de reduzir
o Congresso a uma mercearia e destruir os fundamentos da democracia
representativa – para permanecer para sempre no poder. Naquela época, Lula da Silva era considerado por essa turma um gênio da
tática política. [Basta citar as alianças feitas
com a escória da política nacional: Sarney’s, Calheiros, Maluf, Oliveira’s,
Lobão & Cia. Bela]
Hoje,
depois do impeachment e da surra
eleitoral de 2016, a Lula e seus
estrategistas restou fazer o que sabem melhor, isto é, a baixa política. Aceitaram negociar com os “golpistas” para
obter espaço na direção da Câmara e do Senado e, assim, manter uma migalha de
poder no Congresso antes das eleições de 2018, além de abrir ao partido
preciosas vagas para acomodar os correligionários hoje desempregados.
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GILBERTO CARVALHO Ex-Ministro da Casa Civil e fiel porta-voz e aliado de LULA, tenta explicar o inexplicável! |
Aos
petistas magoados, Gilberto Carvalho,
espécie de porta-voz informal de Lula, disse que o PT está numa “encruzilhada”.
Segundo ele, seria uma “posição mais tranquila” declarar “que não votaremos em
golpistas”, mas a decisão do partido sobre a eleição na Câmara e no Senado “é apenas uma batalha dentro de uma guerra
ampla que estamos travando contra os verdadeiros autores do golpe, o capital
financeiro internacional, nacional e seus lacaios e representantes”. [Uai! Agora, os “golpistas” não são mais o PMDB, o PSDB, a
grande imprensa etc. e tal? E pensar que jamais o “capital financeiro
internacional” e nacional lucraram tanto como nos governos Lula & Dilma!]
Nesse
conflito épico, os cargos nas Mesas Diretoras do Congresso darão ao PT, segundo
Carvalho, “mais condições de impedir e
dificultar a marcha golpista”. [Ah, sim! Entendi!
Tudo claro! Com Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, o PT vai “reagir” ao golpe!
Sim...]
Não surpreende que alguns
petistas tenham se considerado insultados em sua inteligência por esse tipo de
raciocínio.
O que surpreende é que eles tenham levado tanto tempo para perceber que o partido, formado oficialmente para
representar os trabalhadores, só existe
mesmo para atender aos interesses de Lula da Silva.
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