6º Domingo da Páscoa – Ano A – HOMILIA
Evangelho: João 14,15-21
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos,
16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco:
17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós.
18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.
19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis.
20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.
15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos,
16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco:
17 o Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós.
18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós.
19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis.
20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vós.
21 Quem
acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será
amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.
JOSÉ ANTONIO PAGOLA
O ESPÍRITO DA VERDADE
Jesus
está se despedindo de seus discípulos. Ele os vê tristes e abatidos. Logo, não mais
estarão com ele. Quem poderá preencher seu vazio? Ate agora, foi ele quem
cuidou deles, defendeu-os dos escribas e fariseus, sustentou a fé fraca e
vacilante deles, foi-lhes revelando a verdade de Deus e iniciou-os em seu
projeto humanizador.
Jesus
lhes fala, apaixonadamente, do Espírito.
Não os quer deixar órfãos. Ele, mesmo, pedirá ao Pai que não os abandone que
lhes dê “outro defensor” para que “esteja sempre com eles”. Jesus o chama “o Espírito da verdade”. O que se
esconde nestas palavras de Jesus?
[1º] Este
“Espírito da verdade” não deve
ser confundido com uma doutrina. Esta verdade não há de ser buscada nos
livros dos teólogos nem nos documentos da hierarquia. É algo muito mais
profundo. Jesus diz que “vive conosco e está em nós”. É alento, força, luz,
amor... que nos chega do mistério último de Deus. Temos de acolhê-lo com
coração simples e confiante.
[2º] Este “Espírito
da verdade” não nos converte em “proprietários” da verdade. Não
vem para que imponhamos aos outros a nossa fé nem para que controlemos sua
ortodoxia. Vem para não nos deixar órfãos
de Jesus, e nos convida a abrir-nos à sua verdade, escutando, acolhendo e
vivendo seu Evangelho.
[3º] Este “Espírito
da verdade” não nos faz, tampouco, “guardiões” da verdade, mas testemunhas.
Nosso trabalho não é disputar, combater nem derrotar adversários, mas viver a
verdade do Evangelho e “amar Jesus,
observando seus mandamentos”.
[4º] Este “Espírito
da verdade” está no interior de cada um de nós defendendo-nos de tudo que possa
afastar-nos de Jesus. Convida-nos a abrir-nos com simplicidade ao
mistério de um Deus, Amigo da vida. Quem busca a este Deus com honestidade e
verdade não está distante dele. Jesus disse em certa ocasião: “Todo aquele que é da verdade escuta a
minha voz”. Está certo.
[5º] Este “Espírito
da verdade” convida-nos a viver na verdade de Jesus em
meio a uma sociedade aonde, com frequência, a mentira vem chamada de
estratégia; a exploração, de negócio; a irresponsabilidade, de tolerância; a
injustiça, ordem estabelecida; a arbitrariedade, de liberdade; a falta de
respeito, de sinceridade...
Que
sentido pode ter a Igreja de Jesus se nós deixarmos que se perca, em nossas
comunidades, o “Espírito da verdade”? Quem poderá salvá-la do autoengano, dos
desvios e da mediocridade generalizada? Quem anunciará a Boa Notícia de Jesus
numa sociedade tão necessitada de alento e esperança?
NÃO ESTAMOS ÓRFÃOS
Uma
Igreja formada por cristãos que se relacionam com um Jesus mal conhecido, pouco
amado e apenas recordado de uma maneira rotineira é uma Igreja que corre o
risco de ir-se extinguindo. Uma comunidade cristã reunida em torno de um Jesus
apagado, que não seduz nem toca os corações, é uma comunidade sem futuro.
Na
Igreja de Jesus necessitamos, urgentemente, de uma nova qualidade em nossa relação com ele. Necessitamos de comunidades cristãs marcadas pela experiência viva de
Jesus. Todos podem contribuir para que, na Igreja, se sinta e se viva Jesus
de maneira nova. Podemos fazer que a Igreja seja mais de Jesus, que viva mais
unida a ele. Como?
João
recria em seu evangelho a despedida de Jesus na última ceia. Os discípulos
intuem que, dentro de pouco tempo, ele lhes será arrebatado. O que será deles
sem Jesus? A quem seguirão? Aonde alimentarão a sua esperança? Jesus lhes fala
com uma ternura especial. Antes de deixá-los quer fazer-lhes ver como poderão
viver unidos a ele, inclusive depois de sua morte.
Primeiramente,
deve ficar gravado em seus corações algo que não podem esquecer jamais: “Não vos deixarei órfãos. Voltarei”.
Nunca deverão se sentir sozinhos. Jesus lhes fala de uma presença nova que lhes
envolverá e lhes fará viver, pois atingirá o mais íntimo de seu ser. Não os
esquecerá. Virá e ficará com eles.
Jesus
não poderá ser visto com a luz deste mundo, porém poderá ser captado por seus
seguidores com os olhos da fé. Não devemos cuidar e reavivar muito mais esta
presença de Jesus ressuscitado no meio de nós? Como vamos trabalhar por um
mundo mais humano e uma Igreja mais evangélica se não sentimos Jesus junto de
nós?
Jesus
lhes fala de uma experiência nova que, até então, não haviam conhecido seus
discípulos, enquanto o seguiam pelos caminhos da Galileia: “Sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim”. Esta é a
experiência básica que sustenta nossa fé. No fundo de nosso coração cristão,
sabemos que Jesus está com o Pai e nós estamos com ele. Isto muda tudo.
Esta
experiência está alimentada pelo amor: “quem
me ama ... e eu o amarei e me manifestarei a ele”.
- É possível seguir Jesus, tomando a cruz de cada dia, sem amá-lo e sem nos sentirmos, afetuosamente, amados por ele?
- É possível evitar a decadência do cristianismo sem reavivar este amor?
- Que força poderá mover a Igreja de deixarmos apagar esse amor?
- Quem poderá preencher o vazio de Jesus?
- Quem poderá substituir sua presença viva no meio de nós?
Fonte:
MUSICALITURGICA.COM – Homilías de José A. Pagola – Quarta-feira, 21 de maio de 2014 – 09h08 –
Internet: clique aqui.
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