PEDIDO DE CANONIZAÇÃO DE DOM HÉLDER CÂMARA
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foi feito na manhã desta terça-feira (27/maio).
Dom
Hélder foi um dos mais influentes religiosos no Brasil do século 20.
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Dom Hélder Câmara (1909-1999) |
O
arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio Fernando Saburido, anunciou nesta terça-feira
(27) que que vai solicitar a Roma o início do processo de canonização de Dom
Hélder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, falecido em 1999. Nesta
terça, foi assinada uma carta dirigida à Congregação Para Causa dos Santos, em
Roma, pedindo licença para iniciar o processo de canonização.
A carta
enviada tem uma breve explicação da causa, expondo dados biográficos de Dom
Hélder. Com a chegada das respostas positivas do Vaticano, o arcebispo pode abrir
o processo e anunciar a instalação do tribunal eclesiástico. Uma comissão
histórica deve ser formada, para que profissionais pesquisem e colham escritos
de Dom Hélder, assim como documentos que dizem respeito à causa, incluindo os
da Comissão da Verdade. Pelo menos três teólogos vão analisar os escritos de
Dom Hélder para dar um parecer de que os
escritos estão de acordo com as normas da Igreja Católica.
Saburido
explicou que só pode mandar a carta depois que recebeu o aval da Conferência de Bispos do Brasil no Nordeste (CNBB).
Processo
[1ª etapa:] Na
primeira etapa da canonização, o postulante precisa ser reconhecido Servo do
Senhor. Após examinar o relatório, a Santa Sé tem que emitir o decreto “Nihil
Obstat”. Assim é iniciado oficialmente o processo, e o postulante é nomeado
Servo do Senhor. [2ª etapa:] A etapa seguinte consiste em reconhecer suas “virtudes
heroicas”. Para
isto, uma comissão jurídica do Vaticano se reúne para estudar os textos que
publicou em vida e analisar os testemunhos de pessoas que os conheceram. Em
seguida, o relator do processo, nomeado pela Congregação para a Causa dos
Santos, elabora um documento denominado “Positio”.
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D. Antônio Fernando Saburido Arcebispo de Olinda e Recife (PE) |
Um
compêndio dos relatos e estudos realizados pela comissão, assim que aprovado
pelo pontífice, concede o título de Venerável Servo do Senhor, o segundo passo
em direção à santidade. [3ª etapa:] O passo seguinte
é o da beatificação. Ser beato, ou bem-aventurado, significa representar um
modelo de vida para a comunidade e, além disso, que essa pessoa tem a
capacidade de agir como intermediário entre os cristãos e Deus [ter intercedido, ao menos, por um milagre comprovado]. Depois disso,
ainda é preciso passar por mais uma fase.
[4ª etapa:] Trata-se
da canonização, sua proclamação como santo, para a qual é requisito
imprescindível um novo milagre, que deve ocorrer após sua nomeação como beato.
A decisão do Papa de canonizar João XXIII sem registro de milagre, algo não
muito frequente nas últimas décadas, é uma prerrogativa do chefe da Igreja,
segundo as normas do Vaticano.
Perfil
Cearense
de nascença, Dom Hélder Câmara foi um dos mais influentes personagens da Igreja
Católica no Brasil do século 20, principalmente quando comandou a Arquidiocese
de Olinda e Recife, durante o período da Ditadura Militar. Dom Hélder Câmara
nasceu em 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, e teve 12 irmãos, dos quais cinco morreram em
29 dias, em consequência de uma epidemia de difteria. Após entrar muito jovem
no Seminário da capital do Ceará, se tornou padre aos 22 anos.
O
primeiro momento da vida religiosa de Dom Helder foi marcado pela militância
junto a instituições políticas conservadores, como a Ação Integralista
Brasileira (espécie de fascismo no País), entre 1932 e 1937. Mais tarde, o
religioso considerou a participação como um erro da juventude. Já radicado no
Rio de Janeiro desde 1936, passou a optar por um trabalho assistencialista,
quando fundou departamentos da Igreja voltados para atender os mais
necessitados.
Após
longo período atuando na então capital do Brasil, Dom Hélder foi nomeado para o
Maranhão por apresentar divergências com o arcebispo carioca Dom Jaime Câmara.
Com a morte do arcebispo de Olinda e Recife, é mandado para Pernambuco, onde
desembarcou em 12 de abril de 1964, poucos dias após o golpe militar.
Na
capital pernambucana, o religioso desembarcou em meio a uma relação conturbada
entre Governo do Estado e Igreja. Apesar do clima, Dom Hélder foi recepcionado com
festa pelas autoridades do Estado, em ato na Praça da Independência, no centro
do Recife. Dois dias após a posse, Dom Hélder lançaria, juntamente com outros
17 bispos nordestinos, um manifesto à Nação, pedindo liberdade das pessoas e da
Igreja. O primeiro grande atrito, entretanto, ocorreu em agosto de 1969, quando
o arcebispo foi acusado de demagogo e comunista, por ter criticado a situação
de miséria dos agricultores do Nordeste.
A
partir de então, Dom Hélder sofreu represálias, inclusive com sua casa
metralhada, assessores presos e com a morte de Padre Antônio Henrique, que foi
assassinado. Em 1970, quando Dom Hélder teve o nome lembrado para o Prêmio
Nobel da Paz, o governo brasileiro promoveu uma campanha internacional para
derrubar a indicação, já que ele denunciava a prática de tortura a presos
políticos no Brasil. Também em 1970, os militares chegaram a proibir a imprensa
de mencionar o nome do Arcebispo de Recife e Olinda.
Dom
Hélder ficou na Arquidiocese de Olinda e Recife até sua aposentadoria, no dia
10 de abril de 1985, quando foi substituído pelo arcebispo Dom José Cardoso
Sobrinho. Ele morreu em sua casa, no
Recife, em 27 de agosto de 1999, devido a uma insuficiência respiratória
decorrente de uma pneumonia. Uma multidão acompanhou o seu corpo que foi
conduzido até a Igreja da Sé, em Olinda, onde foi sepultado.
Pelo
seu trabalho em defesa dos direitos humanos, Dom Hélder recebeu vários prêmios
internacionais, como Martin Luther King, nos Estados Unidos, 1970, e o Prêmio
Popular da Paz, na Noruega, 1974. O
religioso é autor de 22 livros, a maioria ensaios e reflexões sobre o terceiro
mundo e a igreja.
Fonte: Portal G1 – Pernambuco/Nordeste - 27/05/2014
- 11h42 - Atualizado em 27/05/2014 às 13h19 – Internet: clique aqui.
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