O FUTURO DA INTERNET - OBJETOS "CONVERSANDO" ENTRE SI

Camilo Rocha

Estudo realizado com 1600 especialistas de tecnologia dos EUA projeta
como será a evolução da internet das coisas até 2025

Um dia a internet será “como a eletricidade”, presente em todo tipo de utensílio e produto. Neste futuro conectado, o carro se comunica com a geladeira, que conversa com o smartphone, que aciona o alarme e as luzes de casa.

Não se trata de fantasia futurística, mas de uma realidade que se aproxima rapidamente. Um estudo do instituto de pesquisas norte-americano Pew publicado nesta semana traz diversas visões do que se pode esperar da chamada “internet das coisas” até o ano 2025.

O instituto ouviu cerca de 1,6 mil especialistas ligados à tecnologia para preparar o estudo. Foi feita apenas uma pergunta: “A internet das coisas terá efeitos amplos e benéficos no dia a dia do público em 2025?” Entre as respostas, 83% disseram “sim” e 17%, “não”. Os entrevistados eram convidados a elaborar em cima de sua resposta.

Os entrevistados incluíram executivos e engenheiros de empresas como Cisco, Google, Ericsson, Yahoo, Amazon, Netflix, PayPal e Comcast; ativistas, cientistas, acadêmicos, membros do governo norte-americano e representantes de ONGs.

A internet das coisas já tem um tamanho considerável em 2014. Uma estimativa da Cisco, fabricante de sistemas de computação, diz que havia 13 bilhões de aparelhos conectados à internet no ano passado. O número deve chegar a 50 bilhões em 2020. Segundo a consultoria IDC, no Brasil esse mercado deve movimentar US$ 2 bilhões em 2014.

Alexandre Campos, diretor de consultoria da IDC Brasil, explica que 90% desse valor vem de transportadoras que monitoram caminhões. A informação traz uma dimensão mais cotidiana da internet das coisas, mostrando que sua penetração se dá não apenas através de aparelhos eletrônicos para o consumidor final.

Um relatório recente da Gartner destacou o impacto dessa tecnologia em toda a cadeia de fornecimento. “A explosão no número de aparelhos inteligentes irá criar uma rede rica em informação que permitirá que as cadeias se organizem e se comuniquem de maneiras diferentes”, diz o texto. “Será possível monitorar a garrafa de vinho desde a vinícola até o supermercado”, exemplifica Campos.

Medicina

Os pesquisados da Pew apontaram áreas em que a internet das coisas deve se desenvolver nos próximos dez anos. O corpo humano é uma delas, por meio de acessórios como pulseiras ou relógios que monitoram atividades físicas e saúde. O monitoramento não será apenas do próprio usuário do aparelho, mas também de terceiros, como no caso de pais que são avisados onde seus filhos estão.

“Um efeito positivo disto será o surgimento de diagnósticos médicos mais rápidos, convenientes e baratos”, diz Patrick Tucker, participante da pesquisa e autor do livro Naked Future (“futuro nu”), que discute os efeitos da crescente massa de dados sobre as vidas das pessoas.

Vint Cerf, vice-presidente do Google, disse que “monitoramento contínuo deve se tornar um elemento poderoso em nossas vidas: monitoramento de saúde e controles de segurança, gerenciamento de trânsito, fluxo de materiais”. Embora veja com bons olhos a disseminação dessas tecnologias, Cerf adverte para os riscos. “Forças inimigas podem tomar o controle e criar sérios problemas. A privacidade será uma coisa rara”. Cidades que “avisam” motoristas sobre trânsito e sugerem alternativas também foram citadas pelos pesquisados.

REDE AMPLIADA

13 bilhões era o número de aparelhos de todo o tipo conectados à internet em 2013, segundo a Cisco

50 bilhões é a projeção para 2020.

Fonte: O Estado de S. Paulo – Economia / link – Quinta-feira, 15 de maio de 2014 – Pg. B17 – Internet: clique aqui.

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